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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Festa da Mimo

O blog da Mimo não poderia encerrar sem fazer suas devidas considerações à festa oficial da Mimo, que aconteceu neste sábado. A Casa de Alceu hospedou cerca de 650 convidados, disponibilizando um buffet variadíssimo, baseado em frutos do mar. Aos poucos, os convidados foram perdendo a timidez e enchendo a pista de dança, num espaço reservado com a iluminação típica. Dentre demais DJs, Catarina Dee Jah e o DJ Incidental colocaram sets bem pernambucanos para tocar na radiola. A produção, a equipe técnica e a assessoria estiveram todas presentes na confraternização. Atrações da Mimo também arranjaram um espacinho na agenda lotada de concertos e masterclasses para comparecer à festa. Estiveram no local o pianista Daniel Gortler e o violinista Tim Fain, que havia se apresentado naquela noite com Philip Glass. A organização foi bastante acertada, garantindo um momento singular dentre os muitos que integraram a programação do festival. Para completar o clima trazido pelos entornos do sítio histórico de Olinda, vale dizer que não faltou nem lua cheia na ocasião. Agora sigamos a todo vapor para a próxima edição!

Um concerto de samba erudito

Foto: Marcelo Lyra

Como dito em post anterior, as igrejas, a priori, são locais de reverência à hierarquia católica, onde existe uma ritualística a se seguir. Acontece que a apresentação do Pagode Jazz Sardinha's Club neste domingo, num lotado Seminário de Olinda, subverteu totalmente o conceito. Nem um pouco formais ou repreendidos, trouxeram as melodias populares para a capela, acompanhados fielmente pelo público. O grupo convidou a plateia a entrar na dança, ao que se seguiu uma resposta intensa. Teve até quem, no final, dissesse, com ar de espanto, que aquela era a primeira vez em que havia sambado dentro de uma igreja.

Foto: Marcelo Lyra

Se houve alguma reverência na ocasião, foi por causa do nível de sofisticação com o qual reproduziram chorinhos, sambas e jongos. Sofisticação essa que permitiu, sem maiores dificuldades, colocar lado a lado o pagode com o jazz e a bossa nova mais refinados. Para se ter uma noção deste resultado, é possível até falar que o Pagode Jazz Sardinha's Club realizou um concerto de samba erudito, marcado pelo clima de virtuosismo e descontração. Quem esteve na ocasião pôde também se surpreender com a versão jazzística impecável de "Carinhoso", famoso chorinho composto por Pinxinguinha.

Foto: Marcelo Lyra

Ainda sobrou tempo para o bandolinista Rodrigo Lessa dar um depoimento ao vivo sobre a Mimo e confessar que é um velho fã do Carnaval de Olinda. Confiram: "a Mimo é um festival fantástico. Parabéns à toda produção e equipe técnica. É um grande prazer tocar aqui. Vir a Olinda relembra o Carnaval de 1988 em que nos aventuramos por essas ladeiras."

Philip Glass e Tim Fain: o mestre e o aprendiz em concerto memorável



Crédito: Beto Figueiroa/SantoLima
O pesquisador José Miguel Wisnik conta, em O som e o sentido: uma outra história das músicas, que em uma peça chamada Composição n° 7 (1960), de La Monte Young, a partitura manda sustentar um só som por tempo indeterminado. Essa forma elementar de exposição do que soa aos ouvidos é a característica básica da música minimalista, também chamada de repetitiva, da qual o compositor Philip Glass é considerado ícone. Autor de óperas como Einstein on the beach, Glass, atuando como pianista, mostrou, na noite de sábado (10), na Igreja da Sé, que de básico não tem nada. Aos 73 anos, também se revelou generoso. Ao invés de se apresentar sozinho, preferiu estar na companhia do violinista Tim Fain.

Enquanto o jovem promissor Fain emocionava os espectadores ao tocar os sete movimentos da Partita para violino solo, o preciso dedilhar do americano Philip Glass era de causar espanto. Seja em composições como The Orchard ou The French Lieutenant, um dos maiores músicos vivos, em atividade, ratificou o porquê de já ter conquistado um Globo de Ouro com a trilha do filme O show de Truman, de Peter Weird. Após cumprir o programa do concerto, Glass apresentou, ainda, mais três composições. Uma delas é, inclusive, um dos seus trabalhos mais conhecidos, intitulado Glassworks. Isso só não agradou mais do que ouvi-lo falar o idioma português, em todas as vezes que se dirigia ao público, com a ajuda de uma “cola” preparada, anteriormente, pela produção da MIMO 2011.


Confira parte da apresentação dos músicos Philip Glass e Tim Fain na MIMO 2011:





domingo, 11 de setembro de 2011

E todos queriam mais...

Um Seminário de Olinda completamente lotado, dentro e fora da igreja, teve a oportunidade de assistir ao que foi, sem dúvida, um dos melhores momentos da Mimo 2011. Engraçado é que a atração da noite já não era nenhuma novidade na programação. Nas oito edições da Mostra, Egberto Gismonti esteve em quase todas. Mas ontem foi diferente.

Com o seu bom humor costumeiro, Egberto aproveitou a apresentação de mais de duas horas de duração para saudar velhos amigos, apresentar ao público o seu filho Alexandre e também presentear a platéia com execuções perfeitas e gentilezas mil.

O show foi iniciado por um duelo entre pai e filho. Egberto e Alexandre travaram um duelo de arrepiar com a música “Mestiço e Caboclo”. Apesar do virtuosismo, tudo parecia ser bem simples. Enquanto Egberto destruía o violão de 14 cordas com uma técnica alucinante, ainda encontrava espaço para jogar sorrisos para a platéia e brincar com Naná Vasconcellos, que acompanhava o concerto da primeira fila da igreja.

Alias, a interação entre Gismonti e Naná foi um capítulo à parte. Primeiro ele ficava sempre trocando olhares e brincadeiras durante as músicas. Depois foi a vez de tentar convencer a filha de Naná, Luz Morena, a fazer uma participação especial tocando a música Água e Luz ao piano. E essa tentativa durou bastante tempo. Ao fim de cada música, Egberto ia ao ouvido de Luz Morena e tentava de alguma forma fazê-la perder a vergonha e acompanhá-lo ao altar/palco. Depois de inúmeras tentativas frustradas, ele decidiu fazer melhor: tocou a música inteira em homenagem à sua pupila (durante a execução, não tirou os olhos da garota nem por um segundo).

Sempre elogiando o festival, o público, seus convidados e a música, Egberto parecia estar em casa. Tanto é que acabou saindo um pouco do que estava programado e contemplou seus fãs com duas participações especialíssimas além do programado (Ana de Oliveira, ao violino, foi a única participação prevista na programação). Primeiro, chamou ao palco André Mehmari. O publicou adorou o dueto ao piano, com direito a execução a quatro mãos. Quando ele anunciou a entrada de Hamilton de Holanda, o Seminário de Olinda quase veio a baixo. Certo do que estava para presenciar, o público aplaudia num misto de entusiasmo e surpresa. E não foi pra menos. O duelo entre o bandolim de Hamilton e o piano de Egberto foi, sem dúvida, o ponto alto do show. Acompanhados atentamente pela igreja lotada, fizeram a festa de todos e abriram o caminho para o encerramento do espetáculo. Ao fim, retornaram ao palco Alexandre Gismonti e Ana de Oliveira para um encerramento belíssimo. Duas horas de show e ninguém ali parecia cansado. Todos queriam mais. Quem sabe no próximo ano!

Talvez alguns detalhes do concerto tenham sido esquecidos por conta de uma súbita amnésia pós festa da Mimo que acometeu os integrantes do Blog. Mais detalhes em breve!

Som mestiço

Foto: Divulgação

O que se pode esperar da apresentação de hoje do Pagode Jazz Sardinha's Club, no Seminário de Olinda, às 19h, é uma homenagem genuína à brasilidade. O repertório do grupo instrumental remete à ideia de mestiçagem tão bem defendida em seu álbum mais recente, o "Cidade Mestiça", lançado este ano. Sua sonoridade passeia entre a sofisticação do jazz e da bossa nova e o molejo de ritmos como o samba e seu ancestral jongo e, claro, o próprio pagode. Assim, tanto os mais leigos como os mais eruditos têm a chance de apreciar o trabalho sem nenhum tipo de constrangimento. Amantes de música brasileira devem ficar atentos para a interpretação singular de "Carinhoso", clássico de Pixinguinha. Como o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira atesta, o Pagode Jazz Sardinha's Club mistura e confunde o global, o local e o periférico, sem desta forma perder o acento brasileiro que lhe é tão característico. Para os curiosos sobre a origem do nome do grupo, trata-se de uma homenagem ao Beco das Sardinhas, ponto de boemia carioca no centro da cidade, especializado na sardinha na brasa.

Concerto: Pagode Jazz Sardinha's Club
Onde: Seminário de Olinda
Quando: hoje (11), às 19h

Cinema: confira a programação da mostra Panorama Brasil para este domingo (11)


A mostra de cinema da Mimo 2011, a Panorama Brasil, está com uma programação impecável para este domingo (11). No pátio do Seminário de Olinda, serão exibidos a partir das 18h os curtas emblemáticos "Orquestra do som cego", dirigido por Lucas Gervilla, e "Vanja, mulher rendeira", de Juliana Major. Já no pátio da Igreja da Sé, às 19h, ocorrerá a exibição do documentário "Canções do exílio: a labareda que lambeu tudo", de Geneton Moraes Neto.

Orquestra do Som Cego. Foto: Divulgação

"Orquestra do som cego" retrata a trajetória da Blind Sound Orchestra, idealizada pelo compositor brasileiro Livio Tragtenberg, que reúne músicos deficientes visuais para se apresentar pelo mundo. Longe de apenas reger uma orquestra tão peculiar, Tragtenberg foi além: nas apresentações, exibe filmes mudos, para os quais a orquestra adiciona ao vivo trilha e efeitos sonoros. O vídeo também registra suas andanças e fala de como uma iniciativa tão interessante se tornou realidade.

Vanja Orico. Foto: Divulgação

"Vanja, mulher rendeira" põe em cena a biografia da artista Vanja Orico, conhecida por interpretar o sucesso "Mulher Rendeira" para o filme "O cangaceiro", de Lima Barreto. Para remontar sua história, o filme recorre a depoimentos de personalidades como Hernani Heffner, diretor de conservação da cinemateca do Museu de Arte Moderna de São Paulo, e Ricardo Cravo Albin, famoso crítico de música popular.

Gilberto Gil. Foto: Divulgação

O longa-metragem "Canções do exílio: a labareda que lambeu tudo" resgata a tentativa da ditadura militar de impedir a consolidação da música popular brasileira. O documentário, realizado por Geneton Moraes Neto, traz depoimentos dos gigantes Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jards Macalé sobre a prisão decorrente do AI-5 e o tempo de exílio em Londres. São revelados episódios singulares como o show que Gil, preso, fez para a tropa no quartel.

Lembrando que não é necessário pegar ingresso para conferir a mostra, já que os filmes serão exibidos em telões. O espaço também disponibiliza uma boa quantidade de assentos.

sábado, 10 de setembro de 2011

Depoimento - Dimitri Cervo


Foto: Débora Zandonai

"Estou impressionado com a Mimo 2011. Não imaginava que o evento fosse dessa magnitude, tão organizado. O porte da Mimo tem uma dimensão enorme. Os voluntários fazem a diferença. Acho a iniciativa extremamente louvável, não só de trazer música clássica, mas outras formas de arte menos acessíveis. Dessa forma, consegue promover a democratização de várias manifestações culturais."

Dimitri Cervo é compositor e pianista e tem 30 programações de obras por 16 grupos orquestrais, dentre os quais a Camerata Antiqua de Curitiba, a Petrobrás Sinfônica, a Orquestra de Câmara da Ulbra, dentre outros. No domingo (11), terá sua composição "Série Brasil 200 n. 1 - Brasil Amazônico" executada pela Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O concerto acontece na Igreja da Madre de Deus, em Recife.

Gotan Project transforma Praça do Carmo em pista de dança


Beto Figueiroa/SantoLima
Esqueça, por um momento, o dramático joguinho amoroso na dança do gênero tango. Rostos virados, sem se fitarem, nada disso. Quem foi conferir a apresentação da banda Gotan Project, na última quinta-feira (08), na Praça do Carmo, provavelmente sentiu-se em uma pista de dança. O envolvente eletrotango, mistura do tradicional ritmo argentino à música eletrônica, surtiu efeito no público: olhos fixados na performance do grupo, nas projeções gráficas do cenário ou na paquera ao lado. A expectativa em torno da exibição do conjunto, digna do status de principal atração da MIMO 2011, foi recompensada.


Revolucionar o fazer artístico do gênero a que pertence é o mérito do trio, formado pelo francês Philippe Cohen Solal, o argentino Eduardo Makaroffe e o músico e programador suíço Christoph Muller. Seja em composições como Uma música brutal ou La gloria, não faltou sensualidade durante toda apresentação. Contudo, o som dos instrumentos bandoneon, violão e violino traziam, aos espectadores, a singularidade harmônica da cadência portenha. Deu tempo ainda de um estudante chileno subir no palco, carregando a bandeira do seu país. Neste ano, uma série de protestos vem acontecendo lá, por reformas no sistema de educação. Acontece.


Confira o vídeo que o Blog da MIMO 2011 fez de parte da apresentação:





Ingressos para Egberto Gismonti

Pessoal, os ingressos para o show de Egberto Gismonti e Alexandre Gismonti já estão esgotados, mas ainda dá pra assistir ali do pátio externo da Igreja, onde a Mimo instalou um telão e colocou muitas cadeiras. O espaço é excelente e o som também. Vale a pena!

Cinema: Confira a programação deste sábado (10) da mostra Panorama Brasil

A Panorama Brasil, a mostra de cinema da Mimo 2011, apresenta hoje três filmes sobre as diferentes manifestações musicais e seus papéis na história da cultura.

Cena de "À sua imagem e semelhança". Foto: Thiago Lira

No pátio do Seminário de Olinda, a partir das 18h, tem início as exibições dos curtas "É muita areia pro meu caminhãozinho", dos paulistas Ana Paula Guimarães e Eduvier Fuentes Férnandez, e "À sua imagem e semelhança", do pernambucano Thiago Lira.

É MUITA AREIA PRO MEU CAMINHÃOZINHO
Trecho de "É muita areia pro meu caminhãozinho". Foto: Divulgação

O primeiro faz uma viagem aos Lençóis Maranhenses para mostrar a riqueza musical de um povoado, com suas cantigas, festejos e folclore. Por meio deles, temos a chance de perceber o valor da música na trajetória cultural de uma comunidade. Já o segundo, vem levantar um tema inédito no Recife: o universo das bandas covers. Como dito anteriormente, Thiago Lira entrevistou os recifenses Thammy Spears, que interpreta músicas de Britney Spears, Tíberio Azul, da banda Seu Chico, China, ex-vocalista da banda Del Rey, e a banda paulista Beatles 4Ever. O documentário esmiuça as condições do mercado de bandas cover e discute a definição do termo, sem pretender chegar a uma conclusão.

Clementina de Jesus. Foto: Divulgação

O pátio da Igreja da Sé abrirá espaço às 19h para a exibição do média-metragem "Clementina de Jesus: Rainha Quelé", de Werinton Kermes. Por meio de depoimentos de nomes como Paulinho da Viola, João Bosco e Paulinho Vergueiro, o filme fala da importância de Clementina de Jesus para a história do samba e da música brasileira em geral.

Lembrando que não é necessário pegar ingresso para assistir aos filmes da mostra. Os vídeos são exibidos em telões, com muitas cadeiras disponíveis no espaço.

Sonoris Fábrica

Tava devendo um vídeo do showzaço do Sonoris Fábrica. Aí está...

Daniel Gortler para ninguém botar defeito


Foto: Beto Figueiroa

A apresentação do pianista Daniel Gortler nesta sexta lotou a Capela Dourada de admiradores e leigos interessados em apreciar o universo aparentemente hermético da música clássica. Seu repertório ateve-se aos românticos Schumann e Mendelssohn, intercalando obras de cada um. No total, foram três obras mais um bis reproduzidas com maestria ao piano, que variavam entre o lúgubre e o alegre. 

Foto: Beto Figueiroa

A Capela Dourada pareceu o ambiente perfeito para abrigar esse concerto. As igrejas, lembremos bem, são locais de reverência a autoridades divinas do catolicismo, onde é necessário seguir uma liturgia específica. Os concertos não são nem um pouco diferentes na formalidade e decoro. A orquestra ou o intérprete são representantes de uma arte maior, canonizada pela história. O público, por sinal, soube se comportar muito bem e respeitar a etiqueta dos concertos. Ao invés de bater palmas ao fim de cada movimento, os aplausos apareceram apenas no final de cada obra.

Foto: Beto Figueiroa

Questão levantada anteriormente pelo próprio blog, Daniel Gortler não parece trazer exatamente uma inovação na sua forma de executar artistas consagrados ao piano. Ele, a rigor, se esforça - e consegue - para trazer ao público uma experiência impecável. Se não é possível esperar algo de incomum, também não se pode colocar defeito em sua técnica, capaz de arrancar sinceros elogios da plateia.

Pra ir aquecendo

Está se preparando pra sair de casa rumo ao Seminário de Olinda? Então vai aquecendo os ouvidos aí...

O lobisomem de Olinda

Quem tem ido pros shows da Mimo 2011, provavelmetne já deve ter esbarrado com uma figura diferente. É uma pessoa fantasiada de alguma coisa não identificada (um monstro) que segura uma faixa com escritos que dizem algo do tipo: "Acesse o yutube (sic) e assista ao clipe O Lobisomem de Olinda". Eu já tinha passado por ele algumas vezes, mas nunca tinha parado pra ler exatamente o que estava escrito. Ontem fiz isso e agora eu facilito o trabalho de você. Aí está o vídeo que ele tanto queria divulgar. Bem criativo o cidadão!

Delicadeza e Sensibilidade

Egberto Gismonti é uma das grandes figuras da Mimo. Sempre presente nas programações, ele costuma surpreender o público ao apresentar repertórios, arranjos e formações sempre diferentes. E esse ano, deve fazer o mesmo. Pra começar, trouxe seu filho, Alexandre Gismonti, a tiracolo. Isso, por si só, já merece um destaque já que Alexandre é um virtuoso em seu instrumento, o violão. Como se não bastasse, ainda contará com a participação especial da violinista Ana de Oliveira, fechando o trio. Podemos então esperar um concerto de muita delicadeza e sensibilidade onde o equilíbrio entre o virtuosismo técnico e a sensibilidade estética será o ponto alto. O concerto acontece hoje, às 19:00, no Seminário de Olinda. Os ingressos podem ser retirados com uma hora de antecedência na Biblioteca Municipal de Olinda, na Praça do Carmo.

O som daqui, o som do mundo

André Sampaio / Santo Lima

Único pernambucano entre todos os artistas e grupos que se apresentam na Mimo desse ano, o Sonoris Fábrica deu ontem uma aula de versatilidade no Seminário de Olinda. Com integrantes cujas influências oscilam entre o armorial e o jazz-rock, o quarteto liderado pelo violinista Sérgio Ferraz conseguiu lotar a igreja e arrancar aplausos de um público formado predominantemente por jovens. E eles deram aula, explicaram as composições, falaram sobre as inspirações para compor e ainda por cima deram um show de técnica e entrosamento.

Apresentando o repertório do seu novo álbum, homônimo, o Sonoris Fábrica passeou entre ritmos regionais como o frevo, o maracatu, o xote e o baião, variando entre pegadas mais jazzísticas, mais regionalistas ou com mais groove. Ainda contou com o toque ibérico do flamenco, presente na música Tango Flamenco, do violonista Leonardo Mello.

Para quem esperava algo parecido com o trabalho que Sérgio Ferraz desenvolve com Joca Madureira, foi uma surpresa. Apesar das influências serem as mesmas, no Sonoris, Sérgio deixa transparecer o seu lado mais suingado, ficando livre para confundir o público entre a definição de um jazz com sotaque ou um baião “agringalhado”.

Um dos momentos mais fortes da apresentação é quando tocam a música de autoria de Leonardo Mello, A feira. Durante os doze minutos de duração, os quatro componentes se revezam como solistas e podem “se amostrar” um pouco. Ao fim do concerto, fica aquela sensação de que o bairrismo pernambucano, tão exaltado em alguns momentos, não existe na Mimo. O Sonoris Fábrica não está ali apenas para representar o Estado. Aliás, uma das melhores características da música apresentada nos palcos da Mostra é que ela não é marcada pela localização geopolítica, mas pela qualidade estética e relevância cultural. Quando o som é bom, não importa se é pernambucano, paulista, francês ou malês. E todos ganham com isso.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

DJ 440 e o cineasta Thiago Lira comentam apresentação da Gotan Project

Crédito: Divulgação

“Gosto da Gotan Project. Acho que a música não pode e nem deve ser limitada. As fusões são fundamentais. Elas fazem a música se reinventar sempre. Imagina se a gente tivesse somente jazz, samba ou funk puro? A mistura de um estilo com outro, do acústico com o eletrônico, “engrossa o caldo” e faz com que a canção se torne interessante e surpreenda sempre, de alguma forma. O show da “Gotan” mostrou um pouco disso...”. (DJ 440)


Crédito: Divulgação



“Confesso que nunca tinha escutado falar na banda Gotan Project até a divulgação da MIMO 2011. Achei interessante a mistura do som deles. Adicionaram o “eletro”, mas não perderam a essência e harmonia do gênero tango. E isso é bastante positivo e difícil de fazer também. As interações com vídeos também são muito bem executadas. E pelo que andei observando, eles primam por imagens bem produzidas”. (cineasta Thiago Lira)








O DJ 440 ou Juniani Marzani é pesquisador de raridades musicais. Ele mora em Olinda e atua como disc jockey desde 1997// O cineasta Thiago Lira participou da programação de cinema da MIMO 2011 com o documentário À sua imagem e semelhança.



Confira o vídeo que o Blog da MIMO 2011 fez da apresentação da banda Gotan Project em Olinda, ontem:







Depoimento - Ivan de Andrade


O Projeto Coisa Fina se apresenta hoje às 18h, no Mosteiro de São Bento, mas quem esteve ontem no concerto de Arthur Verocai na Igreja da Sé já pôde apreciar uma palhinha. Ivan de Andrade, que toca sax alto e clarinete no coletivo, falou um pouco sobre como foi ser regido pelo maestro. Confiram:

Foto: Divulgação

"Conhecíamos Arthur Verocai já há algum tempo. Inclusive, o Coisa Fina ensaiou mais de uma vez com ele. Tocar aqui na Mimo 2011 foi incrível. O público tem uma energia muito boa, dava para sentir como se eles estivessem tocando com a gente, quase subindo no palco. Sentimos uma enorme satisfação pela experiência de tocar com um maestro que fez parte da história da música brasileira."

Gotan Project

O show de ontem do Gotan Project foi simplesmente memorável. Praça lotada, público animado e show impecável. E é claro que o Blog da Mimo não deixaria de registrar isso para os que não puderam participar da festa.

Pra ir aquecendo...

Mais uma vez, para ir aquecendo para o show de hoje, às 19:00, no Seminário de Olinda.

Sonoris Fábrica