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sábado, 10 de setembro de 2011

Daniel Gortler para ninguém botar defeito


Foto: Beto Figueiroa

A apresentação do pianista Daniel Gortler nesta sexta lotou a Capela Dourada de admiradores e leigos interessados em apreciar o universo aparentemente hermético da música clássica. Seu repertório ateve-se aos românticos Schumann e Mendelssohn, intercalando obras de cada um. No total, foram três obras mais um bis reproduzidas com maestria ao piano, que variavam entre o lúgubre e o alegre. 

Foto: Beto Figueiroa

A Capela Dourada pareceu o ambiente perfeito para abrigar esse concerto. As igrejas, lembremos bem, são locais de reverência a autoridades divinas do catolicismo, onde é necessário seguir uma liturgia específica. Os concertos não são nem um pouco diferentes na formalidade e decoro. A orquestra ou o intérprete são representantes de uma arte maior, canonizada pela história. O público, por sinal, soube se comportar muito bem e respeitar a etiqueta dos concertos. Ao invés de bater palmas ao fim de cada movimento, os aplausos apareceram apenas no final de cada obra.

Foto: Beto Figueiroa

Questão levantada anteriormente pelo próprio blog, Daniel Gortler não parece trazer exatamente uma inovação na sua forma de executar artistas consagrados ao piano. Ele, a rigor, se esforça - e consegue - para trazer ao público uma experiência impecável. Se não é possível esperar algo de incomum, também não se pode colocar defeito em sua técnica, capaz de arrancar sinceros elogios da plateia.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Standard até que ponto?

Escolher um repertório constituído somente por compositores standards, isto é, consagrados pela história da música e preferidos pela maioria do público cativo de concertos (uma nicho de preferência que felizmente vem dando espaço aos poucos a obras contemporâneas e, principalmente, nacionais), significa dizer - no mais das vezes - "vou tocar algumas hit parades [que fazem sucesso há uns dois séculos, você pode pensar] e não correr o risco de desagradar o público". Desses standards, que englobam barrocos, clássicos, românticos e figurões da primeira metade do séc. XX como Stravinsky, Prokofiev, Debussy e Ravel, os românticos reinam supremos tanto em número de compositores quanto de obras executadas (comprove o senso comum através de um simples exercício: contando nos seus dedos de quantos românticos você se lembra e comparando com os criadores dos outros períodos citados). Não é surpresa, portanto, encontrarmos um programa como este do concerto do pianista israelense Daniel Gortler, recentemente convidado a ser professor na New York University; nele estão Schumann (Estudos Sinfônicos op. 13), Mendelssohn (uma seleção das Canções sem palavras) e Beethoven, do qual ouviremos uma de suas diversas peças que sofreram com o rebatismo imposto pela crítica ou pelo vulgo, talvez porque um título como Sonata n° 17 op. 31 n. 2 em ré menor seja mais chato de memorizar e nada revele da sua própria atmosfera como A Tempestade. A pergunta que fica, ao final das contas, é "Qual será o diferencial de Gortler nas interpretações desta noite, dedicada a consagrados gênios germânicos?" Julgue por si mesmo, se você bem conhece as obras - ou deixe-se seduzir, em caso contrário.

Logo mais na Capela Dourada, na R. do Imperador, às 18h30 - Santo Antônio, Recife

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Daniel Gortler



9 de setembro | 18h30 | Capela Dourada (Recife/PE)

O pianista israelense já se apresentou nas principais salas de concertos do mundo, como o Lincoln Center e o Metropolitan Art Museum, em Nova York, e foi solista em concertos regidos por Zubin Mehta, Valery Gergiev e Michael Tilson Thomas. Merecem destaque em sua carreira as gravações do CD duplo, lançado em 2010, pelos 200 anos de nascimento de Schumann. Gortler vem ao Brasil exclusivamente para participar da MIMO.