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domingo, 11 de setembro de 2011

Repertório do concerto da Sinfônica da UFRN hoje

Orquestra da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
André Muniz, regente
Solista: Diego Paixão, violoncelo
Igreja da Madre de Deus (Recife), às 18h30

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Dimitri Cervo (1968-)
Brasil Amazônico
(Confira comentário sobre a obra, feito pelo próprio compositor)

Joseph Haydn (1732-1809)
Concerto n° 2 para violoncelo e orquestra em ré maior

Camargo Guarnieri (1907-1993)
Suíte Vila Rica
* Entrada
* Andantino
* Misterioso
* Scherzando
* Agitado
* Alegre
* Valsa
* Saudoso
* Humorístico
* Baião

Confira um breve comentário sobre as obras nesta mini-matéria com o regente André Muniz.

sábado, 10 de setembro de 2011

Standard até que ponto? [3] - ou: Por que o bê-a-bá?)

Entre os fãs de música clássica, muito se questiona a razão de se empreender tantas gravações de obras já consagradas em prejuízo de outro sem-número de obras-primas que ainda não chegaram a se consolidar nos programas regulares das salas de concerto. Por tabela, o questionamento também se aplica aos conjuntos musicais que ocupam a maior parte da programação anual com o repertório standard, chegando estes a repetir certas partituras por alguns anos seguidos. Acontece que, em contrapartida, todos os grandes regentes e instrumentistas são medidos e avaliados pelo domínio de execução das obras canônicas, seja pela capacidade de evidenciar da melhor forma possível toda a expressão e arquitetura dessas obras, seja pela percepção para ressaltar aspectos e nuances pouco percebidos nas interpretações convencionais. Essa é a chave principal para observar a execução de peças como as do repertório de hoje, trabalhadas ao longo da semana no Curso de Regência da MIMO 2011.

Orquestra Sinfônica de Barra Mansa e maestros selecionados
Seminário de Olinda, às 11h deste domingo

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Beethoven
Abertura Leonora III

Rossini
Abertura da ópera O Barbeiro de Sevilha

Liszt
Os Prelúdios

Tchaikóvski
Sinfonia n° 4

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O ministrador do curso
Isaac Karabtchevsky é o regente mais lembrado em qualquer recall informal entre o grande público apreciador de música clássica. Chegou à Petrobras Sinfônica em dezembro de 2003 e executou a integral das sinfonias de Tchaikovsky e das Bachianas Brasileiras de Villa-Lobos em 2004. A partir do ano seguinte, iniciou o Ciclo Mahler, que completará a execução das dez sinfonias do compositor austríaco em 2008. Regeu a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) entre 2003 e 2010 e a Orchestre Nationale des Pays de la Loire, em Nantes, França, entre 2004 e 2009. Passou nos anos anteriores pela Sinfônica do Teatro La Fenice, de Veneza, a Tonkunstler Orchester de Viena, a Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo e a Sinfônica Brasileira. Atualmente, além da Petrobras Sinfônica, dirige a Orquestra Sinfônica Heliópolis, do Instituto Baccarelli.



Prática de conjunto

Trecho do programa que escrevi para o concerto de encerramento da Etapa Educativa da MIMO 2007, mas que ano quatro anos depois continua na validade, com poucas modificações.

Uma das disciplinas mais importantes no estudo avançado de instrumentos é a Prática de conjunto, onde o estudante se preocupa não mais exclusivamente com a correta interpretação – técnica ou estilística – de peças solo ou em duo com acompanhador, nem pode depender mais das próprias observações sobre elas. Nesta nova fase, ele aprende também a desempenhar uma função em um conjunto musical mais amplo, camerístico ou sinfônico.

Num grupo de câmara, é preciso equilibrar os timbres dos instrumentos componentes, estabelecer uma rotina de ensaios, ter cuidado com a afinação correta, discutir em conjunto as peculiaridades das peças e atinar para a acústica do recinto. Na orquestra, os músicos delegam sua autonomia à figura do maestro, que assume aquelas preocupações e determina as linhas gerais interpretativas aos instrumentistas conforme sua ponderação de todos os fatores. Fora das escolas de música, as oficinas de festivais são o principal laboratório de Prática de conjunto, e a MIMO organizou nesta edição quatro delas para estudantes de música previamente selecionados.

[As oficinas de instrumentos de cordas com arco foram ministradas pelo violista Nayran Pessanha; as de cordas dedilhadas, pelo bandolinista Marco César; as de madeiras pelo fagotista Elione Medeiros; e as de metais pelo trombonista João Luiz Areias e pelo trompista Antonio Augusto.]

[...]

A Etapa Educativa da Mimo foi coordenada pela violinista Ana de Oliveira, spalla da Orquestra Sinfônica Brasileira, e pelo maestro e violonista Caio Cezar, com apoio [do Consulado Geral da França no Recife, da Prefeitura de Olinda], do Conservatório Pernambucano de Música e do Centro de Ensino Musical de Olinda.

[...]

Muito ainda poderia ser feito pela melhoria da qualificação estudantil musical dos adolescentes e crianças no país caso se proliferassem as sinfônicas jovens, verdadeiros times de várzea orquestrais. Enquanto isso, as oficinas vão cumprindo esse papel. Os alunos selecionados para as da Etapa Educativa da MIMO, por terem sido aprovados numa ampla triagem e pelo treinamento a que foram submetidos nesta semana, possivelmente estarão atuando em grandes orquestras daqui a poucos anos. Por isso, seja você pai, professor ou amigo de algum dos jovens talentos, ou um simples admirador da música universal, acostume-se desde já a aplaudi-los com entusiasmo – e peça-lhes logo um autógrafo, antes que ganhem o mundo.


MIMO in Concert (encerramento das Oficinas de Formação de Orquestra)
Igreja do Monte (Olinda), às 16h


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Antonín Dvořák (1841-1904)
Serenata para cordas op. 22


Laurindo de Almeida (1917-1995)
Concerto nº 1 para Violão e Orquestra


J. Orlando Alves (1970-)
Concerto Breve para sopros
(Tocado também na MIMO 2007)


David Uber (1921-)
Ballets in Brass

Standard até que ponto? [2]

Você iria a um concerto sinfônico somente com obras nacionais e que não fossem de Villa-Lobos? Se você responde negativo a essa pergunta mas não pensaria duas vezes caso se tratassem de nomes familiares e cujas obras soassem confortáveis a seus ouvidos, um irônico parabéns: seu gosto pra música clássica é moldado em grande parte pelos maestros que ditaram as preferências da indústria fonográfica e dos programas de concertos durante o séc. XX. "Que bom, então estou sendo guiado por quem entende", você pode pensar. Nem tanto, se tivermos em conta algumas fatores que merecem sua reflexão:

1. A qualidade da música clássica nacional (e latino-americana) vem desde o período colonial e se comprova por inúmeros estudos musicológicos desencadeado por importantes pesquisas de resgate de acervo, algumas destas conduzidas por europeus (basta o exemplo do alemão Curt Lange). É recomendável você mesmo constatar que, tomando por base referências dos últimos 200 anos, a. o Padre José Maurício Nunes Garcia nada devia a Haydn e Mozart, b. os principais compositores românticos brasileiros estudaram na Europa (vide Carlos Gomes, quem em certa época só perdia para Verdi em número de récitas na Itália, Henrique Oswald e Alberto Nepomuceno), c.  os estudos para violino do mineiro Flausino Vale são tão complexos, e até mais bonitos no conjunto da obra, quanto os de Paganini, d. compositores brasileiros vivos de várias linhas estéticas continuam a ser premiados no país e no exterior, ano após ano... Tá bom por aqui.

2. Orquestras norte-americanas amam Copland e Gershwin, orquestras francesas tocam Debussy e Ravel com perfeição, os músicos de Viena sabem Strauss Jr. de cor, Holst e Vaughan Williams são divulgados na Inglaterra com afinco, tirar o melhor de Tchaikóvski e Stravínski é ponto de honra para os russos... Mas quantas orquestras brasileiras enfatizam o repertório nacional e geram gravações de referência mundial? Você saberia dizer duas?

3. A atividade da composição musical cresceu ao longo do tempo (assim como a de todas as artes, o que óbvio) e hoje há tantos compositores disputando espaço que não seria possível dar conta de conhecer os principais deles a não ser sob um grande e direcionado esforço de pesquisa pessoal, então quando eles são escolhidos pelos grupos que ainda são os mais representativos e os de maior dimensão do universo musical, as orquestras sinfônicas e de câmara, torna-se um fato que merece e muito a atenção geral.

4. E, pra não me estender mais, que tal perguntar a algum amigo estrangeiro ouvinte de música clássica se ele escuta compositores brasileiros? A música clássica não é dita como "universal", isto é, sem fronteiras e que encanta a todos?

Esses questionamentos servem não só a favor da música clássica brasileira, mas da música contemporânea em geral. Uma boa oportunidade para conferir o repertório nacional você pode conferir agora pela manhã no concerto da Orquestra de Câmara da Cidade de João Pessoa, na Igreja da Sé às 11h, com regência de Carlos Anísio. Serão tocadas as seguintes peças

José Alberto Kaplan (1935-2009)
Abertura Festiva
(Uma paráfrase de El Salón México de Copland, cuja estruturação formal é preservada na íntegra na peça do argentino radicado paraibano)

Heitor Villa-Lobos (1887-1959)
Fantasia para Saxofone Soprano e Orquestra de Câmara
Arimatéia Veríssimo, saxofone
(Uma das raras peças dedicadas ao instrumento como solista na primeira metade do séc. XX)

Darius Milhaud (1892-1974)
Saudades do Brasil
(Tributo do compositor francês em razão de sua estadia no Rio de Janeiro de 1916 a 1917, como funcionário de embaixada)

Mas como os nomes consagrados da música têm seu inquestionável valor, e como hoje é sábado (espero que você esteja de folga), não deixe de ir ao concerto da Orquestra de Câmara de Toulouse na Basílica de N. S. do Carmo, às 18h30, no Centro do Recife. Eis o repertório, que talvez dispense mais comentários:

Mozart
Sinfonia em Ré Maior n. 38 KV 504 “Praga”

Chostakóvitch
Sinfonia de Camera op. 110a

Britten
Sinfonia Simples

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Standard até que ponto?

Escolher um repertório constituído somente por compositores standards, isto é, consagrados pela história da música e preferidos pela maioria do público cativo de concertos (uma nicho de preferência que felizmente vem dando espaço aos poucos a obras contemporâneas e, principalmente, nacionais), significa dizer - no mais das vezes - "vou tocar algumas hit parades [que fazem sucesso há uns dois séculos, você pode pensar] e não correr o risco de desagradar o público". Desses standards, que englobam barrocos, clássicos, românticos e figurões da primeira metade do séc. XX como Stravinsky, Prokofiev, Debussy e Ravel, os românticos reinam supremos tanto em número de compositores quanto de obras executadas (comprove o senso comum através de um simples exercício: contando nos seus dedos de quantos românticos você se lembra e comparando com os criadores dos outros períodos citados). Não é surpresa, portanto, encontrarmos um programa como este do concerto do pianista israelense Daniel Gortler, recentemente convidado a ser professor na New York University; nele estão Schumann (Estudos Sinfônicos op. 13), Mendelssohn (uma seleção das Canções sem palavras) e Beethoven, do qual ouviremos uma de suas diversas peças que sofreram com o rebatismo imposto pela crítica ou pelo vulgo, talvez porque um título como Sonata n° 17 op. 31 n. 2 em ré menor seja mais chato de memorizar e nada revele da sua própria atmosfera como A Tempestade. A pergunta que fica, ao final das contas, é "Qual será o diferencial de Gortler nas interpretações desta noite, dedicada a consagrados gênios germânicos?" Julgue por si mesmo, se você bem conhece as obras - ou deixe-se seduzir, em caso contrário.

Logo mais na Capela Dourada, na R. do Imperador, às 18h30 - Santo Antônio, Recife

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Rabeca polonesa

Neste ano, Jerzy Milewski (sempre ao lado de sua esposa, a pianista Aleida Schweitzer) abriu mão de fazer um tour por Brasil, Estados Unidos e Europa e decidiu focar a Polônia, sua terra natal, com duas sutis exceções: uma, é a obra Sobre temas poloneses, porém escrita pelo russo Nikolai Rímski-Kórsakov (integrante do famoso Grupo dos Cinco, precursor dos modernos coletivos de artistas); outra, é uma peça de música ligeira escrita por um polaco residente nos Estados Unidos, Krzesimir Dębski, e, por isso, de espírito totalmente norte-americano, Country em mi maior (Country in E). A composição de Dębski em especial, a qual se diferencia do ethos polonês buscado no concerto de hoje, marca presença anualmente nos recitais de Jerzy e Aleida graças à sua animação contagiante e ao fato de ser uma partitura querida ao casal (vale o aviso para ficar atento à convidativa batida de palmas em ritmo de country), mas a escolha para encerrar a apresentação - dentre os demais autores a serem tocados (Mlynarski, Paderewski, Wieniawski e Chopin sob arranjo de Marek Żebrowski*) - recai na frenética Oberek, de Grażyna Bacewicz (1909-1969), importante compositora e violinista ex-professora de Jerzy.

Logo mais na Igreja de São Francisco, às 18h, em Olinda.

Aprenda a pronunciar o nome dos compositores poloneses.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

No Orkut ou no meio da rua

Você já pensou se pudesse adicionar Mozart e Beethoven no Orkut e no Facebook ou topar com eles em um parque? Realmente, essa pergunta não passa de um exercício de imaginação, mas serve para lembrar que a música clássica é tão vívida quanto nos tempos em que era possível conversar e tomar um vinho com os gênios que habitavam Viena. O Trio Puelli parece nos despertar para o fato de ser formado apenas por mulheres, ou para o charme de suas integrantes, mas nasceu justamente com o intuito de divulgar obras de compositores brasileiros ativos e premiados, independente de correntes estéticas. Marlos Nobre, Ricardo Tacuchian, Ronaldo Miranda, Edson Zampronha, Edmundo Villani-Côrtes e Mário Ficarelli são apenas seis desses compositores que todos os anos recebem encomendas de vários países e ainda por cima são despojados do complexo da torre de marfim. Você pode até dizer que nunca ouviu falar desses nomes, mas nada lhe impede de encontrá-los na rua ou pelo perfil de um amigo em comum no Orkut.

Carlos Eduardo Amaral
Da equipe do Blog da Mimo
www.blogmimo.blogspot.com

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Texto original do programa do concerto de hoje com o Trio Puelli.

Mudança no repertório

O programa do Concerto de abertura da MIMO 2010, com Isaac Karabtchevsky e a Sinfônica de Barra Mansa, constou somente da Sinfonia n° 5 de Tchaikovsky, tendo como bis a Abertura da ópera Carmen de Bizet. Mas como o visitante do Blog da Mimo tinha lido há mais de 24h, a Abertura estava escalada no repertório inicialmente previsto. Assim, o texto do programa original seria esse abaixo.

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Outra sinfonia fatídica


Os primeiros acordes do concerto de abertura da MIMO 2010, bastante familiares até mesmo a quem não conhece música clássica, parecerão prometer entusiasmo do início ao fim da apresentação. Mas os meros dois minutos e poucos segundos da galopante Abertura da ópera Carmen de Bizet (1838-1875) se refrearão, por certo, com a serena introdução da Sinfonia n° 5 de Tchaikóvski (1840-1893), de 1888. O tema inicial, de feições tártaras, tocado pela clarineta e retirado de uma breve passagem da ópera Uma vida para o Tsar de Glinka (1804-1857) que diz “que não se torne sofrimento”, induziu a uma frequente associação dessa obra com a Quinta de Beethoven pelo seu caráter fatídico. No entanto, esse tema, tratado como um leitmotiv (motivo condutor) que perpassa os demais três movimentos da sinfonia e neles vai assumindo novas expressões, culmina com uma mensagem triunfalista, sugerindo que sempre podemos lutar contra nosso suposto destino.

Carlos Eduardo Amaral
Da equipe do Blog da Mimo
www.blogmimo.blogspot.com

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Por motivos técnicos, o texto saiu sem título e assinatura, mas o lapso foi percebido e está sendo observado nos demais textos, de autoria de todos os membros do Blog da Mimo e publicados com antecedência a partir de hoje por aqui.