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domingo, 11 de setembro de 2011

Repertório do concerto da Sinfônica da UFRN hoje

Orquestra da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
André Muniz, regente
Solista: Diego Paixão, violoncelo
Igreja da Madre de Deus (Recife), às 18h30

***

Dimitri Cervo (1968-)
Brasil Amazônico
(Confira comentário sobre a obra, feito pelo próprio compositor)

Joseph Haydn (1732-1809)
Concerto n° 2 para violoncelo e orquestra em ré maior

Camargo Guarnieri (1907-1993)
Suíte Vila Rica
* Entrada
* Andantino
* Misterioso
* Scherzando
* Agitado
* Alegre
* Valsa
* Saudoso
* Humorístico
* Baião

Confira um breve comentário sobre as obras nesta mini-matéria com o regente André Muniz.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Maestro André Muniz destaca espaço dado a orquestras na MIMO

A Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que se apresenta na MIMO pelo segundo ano seguido no próximo domingo (às 18h30, na Igreja da Madre de Deus, no Recife Antigo), completou três anos de existência mantendo o foco na consolidação do publico de música sinfônica em Natal, em especial através da execução de obras nacionais modernas e contemporâneas - fato ainda raro e audacioso no país.

O maestro pernambucano André Luiz Muniz, titular da OSUFRN, enfatizou em depoimento exclusivo ao Blog da MIMO a boa recepção da orquestra na capital potiguar e ressaltou que, em nível nacional, o espaço destinado às sinfônicas tem sido amplo: "Nos grandes festivais do Brasil as orquestras têm presença assegurada, vide as dezenas delas que se apresentam por ano no Festival de Inverno de Campos do Jordão. A MIMO também tem se pautado pela diversidade nesse item: neste ano, em uma semana, teremos cinco orquestras e isso é ótimo para o público e para os profissionais da área".

Descrevendo o jovem violoncelista Diego Paixão, convidado especial da OSUFRN, como "uma grata revelação no cenário musical do Nordeste", André Muniz comenta o repertório do concerto a ser apresentado na MIMO 2011, onde Paixão tocará Joseph Haydn e o compositor gaúcho Dimitri Cervo estará presente: "Brasil Amazônico de Dimitri Cervo é uma excelente obra desse compositor minimalista brasileiro; a escolha dela rende homenagem à presença de Philip Glass na MIMO. O Concerto em ré maior de Haydn é uma peça de referência no repertório violoncelístico, de grande dificuldade técnica e musical. E a Suíte Vila Rica é um conjuntos de pequenas peças extraídas da música incidental para o filme homônimo; a obra é de Camargo Guarnieri e se insere na lógica da OSUFRN, que busca entre alunos e público a valorização dos grande compositores do Seculo XX no Brasil".

A primeira participação da OSUFRN na MIMO aconteceu em 2010, quando - na Igreja da Sé, em Olinda - a orquestra executou a Primeira Sinfonia do compositor potiguar Danilo Guanais, para coro, quatro declamadores solistas e orquestra.

domingo, 21 de agosto de 2011

Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte



Regente André Muniz. Solista Diego Paixão, violoncelo

11 de setembro | 18h30 | Igreja da Madre de Deus (Recife/PE)

Formada por 75 alunos da Escola de Música da Universidade do Rio Grande do Norte, vem se afirmando como um dos principais ensembles orquestrais do Nordeste. A qualidade artística do grupo - que tem a regência e direção artística do maestro André Muniz - tem sido reconhecida pelas plateias de diferentes estados do Brasil. A orquestra volta a se apresentar na MIMO, depois do sucesso do concerto de 2010 em homenagem ao escritor Ariano Suassuna, desta vez com repertório formado por obras de Camargo Guarnieiri, J. Hadyn e Dimitri Cervo e a participação, como solista, do violoncelista Diego Paixão.


Diego Paixão - iniciou seus estudos de Violoncelo aos 13 anos de idade na classe do professor Ailson Saraiva Campos. Posteriormente no curso de extensão em música da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), passa a integrar a classe de violoncelo do professor Faisal Kamal Hussein. Ainda na referida instituição, é admitido na classe do professor Fábio Soren Presgrave para o curso Técnico em Música. Dando continuidade aos estudos ingressa no curso Bacharelado em Música também na classe do professor Fábio Presgrave. Em 2008 realizou solo frente à Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte do Concerto em Dó maior para violoncelo e orquestra de J. Haydn, sendo o mais jovem solista já convidado por essa orquestra. É integrante da OSUFRN (Orquestra Sinfônica da Univerdade Federal do Rio Grande do Norte) onde atua como chefe de naipe. Como camerista atua nos grupos UFRN Cellos e Essemble Devos Cello. Participou de diversos máster-class de professores como Antonio Del Claro, Watson Clis, Robert Suetholz (EUA-Brasil), Miguel Rocha (Portugal), Márcio Mallard, Matias de Oliveira Pinto (Brasil-Alemanha) Martin Ostertag (Alemanha). Recentemente participou como bolsista do festival de inverno de Campos do Jordão (2011).

domingo, 5 de setembro de 2010

A expulsão do paraíso

A Primeira sinfonia de Danilo Guanais (antes chamada Sinfonia em quatro movimentos) foi apresentada ontem pela primeira vez em Pernambuco e contou com a presença do escritor Ariano Suassuna. A obra - para tomar como parâmetro outra que já fora apresentada no estado - assemelha-se à Sinfonia dos Dois Mundos, de Pierre Kaelin e D. Hélder Câmara, pelas intervenções de textos falados, em lugar de cantados, e pelo poliestilismo que se amolda à dramaticidade dos textos, oscilando do serialismo vienense ao minimalismo goréckiano.

A diferença na origem e no emprego dos textos de ambas as sinfonias está na autoria (o texto da Sinfonia dos dois mundos é de D. Hélder, enquanto o da Sinfonia de Guanais foi retirado do Livro de Adão e Eva, um apócrifo protomedieval, e de poesias de Ariano) e na distribuição do texto entre mais de um declamador na obra de Guanais.

A distribuição em sequência foi feita da seguinte forma (onde os textos do coral são de Ariano e os demais do apócrifo):

1° movimento: Narrador - coral - Deus - coral
2° movimento: Adão - coral - Eva
3° movimento: Deus
4° movimento: Narrador - Deus + coral

sábado, 4 de setembro de 2010

A Sinfonia em quatro movimentos de Danilo Guanais, nas palavras do próprio compositor

Hoje na Igreja da Sé, às 16h30, a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte apresentará a Suíte Miniatura do compositor paranaense Alceo Bocchino, decano dos compositores de música clássica brasileiros, no alto de seus 92 anos de idade.

Em seguida, será apresentada a peça principal do programa, a Sinfonia em quatro movimento de Danilo Guanais, que requer não só um aparato orquestral como também cênico para sua execução. Convidamos o compositor potiguar para falar um pouco de sua obra especialmente para o Blog da Mimo.

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A Sinfonia em quatro movimentos (que chamo agora de Primeira Sinfonia) foi escrita entre 2000-2002 como obra final do meu mestrado em Composição na Unicamp. Sua estréia se deu em 2003 e ela foi novamente reapresentada integralmente em maio de 2004. Não existem gravações comerciais dessa obra.

A Sinfonia foi composta para um grupo grande de músicos, envolvendo os naipes normais da orquestra sinfônica e incluindo uma harpa e um piano, um grande aparato percussivo e um plano de luz específico, grafado em partitura. Um coro misto e quatro atores completam o conjunto da obra.

O texto foi construído com base no "Livro de adão e Eva", um apócrifo anterior à Idade Média. Dele foram retiradas as seções que tratam da expulsão de Adão e Eva do Jardim e dos sentimentos envolvidos na expulsão. Quatro personagens integram a dramaturgia do texto: O Narrador, que fala no primeiro e último movimentos; Deus, que fala no segundo e terceiro movimentos; Adão e Eva, que falam no segundo movimento.

Para a construção definitiva do texto, escolhi alguns poemas de Ariano Suassuna, de forte conotação simbólica, que se associam ao texto apócrifo de uma maneira surpreendente. Os poemas de Suassuna são sempre cantados pelo coro.

Musicalmente, a Sinfonia envolve procedimentos de composição aparentemente inconciliáveis, como Serialismo, Minimalismo e Cultura Popular. Esses elementos aparecem superpostos em toda a partitura. Da Cultura Popular norte-rio-grandense foram trazidos os Cabocolinhos e as Incelenças (como temas incidentais para Adão e Eva).

Essa conciliação entre diferentes linguagens na composição é o tema do meu doutorado, que desenvolvo atualmente no Rio de Janeiro, na Unirio, e que concluirá com a composição de uma Paixão de Cristo, com textos meus, do Evangelho de Marcos e de José Saramago.

Danilo Guanais