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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Argumento literário é mote de apresentação da OSR na Madre de Deus


Concerto da Sinfônica do Recife em 07/09/2010
(Foto: Davi Lira / Blog da MIMO)


Música Popular Literária

A Orquestra Sinfônica do Recife era a aniversariante octogenária; o regente Guilherme Bernstein, diretor musical da Sinfônica de Barra Mansa (RJ) era o maestro convidado; e o pianista carioca Jean-Louis Steuerman, o participante ilustre. Para o palco, a bela e restaurada Igreja da Madre de Deus, localizada no bairro antigo do Recife; e como plateia, o grande público presente no santuário dourado, confortavelmente silencioso.

Foi buscando promover a aproximação entre expressões eruditas e populares que os 50 membros da OSR (apenas oito componentes eram mulheres; a maioria no violino) prezou por uma apresentação didática, Seu objetivo continuou sendo mesmo o de formar novos amantes da música erudita no Estado. Como método utilizado, a literatura.

Apropriando-se do reconhecido camerista e solista de primeira categoria, Steuerman, o concerto da Madre de Deus buscou em obras românticas pós-Beethoven, a devida dose de contemplação propícia para um dia de encerramentos. No repertório do último dia da MIMO 2010, no Recife, não faltou Schumann nem Mendelssohn. Tanto Byron quanto Shakespeare, fontes inspiradoras para os respectivos músicos, serviram como ponte para imprimir aproximação literária que lhe são peculiares à erudição das peças.

Trechos da apresentação da OSR regida por Bernestein
(Vídeo produzido pelo Blog da MIMO)

VÍDEO: "Marcha Nupcial" de Felix Mendelssohn aproxima OSR da plateia da Madre de Deus


Orquestra Sinfônica do Recife regida por Guilherme Bernestein executa Sonho de uma Noite de Verão
(Vídeo produzido pelo Blog da MIMO)

Imagens do último dia da MIMO 2010 em João Pessoa, no Recife e em Olinda


Foto: Tiago Calazans/Usefoto


Epílogo

Em 1970, Miles Davis lançou um disco que mudou a história do jazz: o Bitches Brew. Com esse registro, Miles conseguiu agregar e estabilizar a linguagem jazzística ao rock, criando dessa miscelânea algo revolucionário. Nascia o jazz fusion. A partir de então, a eletronização do instrumental se tornou a grande novidade e os músicos passaram a experimentar timbres e sonoridades antes impossíveis. Nesse contexto, a guitarra também percorreu novos caminhos com o uso de pedais e amplificadores. Algo claramente trazido do rock.

Inteiramente vinculado a essa escola, Mike Stern (que tocou com Miles, vale ressaltar) subiu no palco montado na Praça do Carmo para encerrar a 7ª edição da MIMO 2010. Acompanhado pelo impressionante baixista Tom Kennedy e pelo preciso baterista Obed Calvaire, Stern mostrou toda sua capacidade improvisativa num concerto que privilegiou a exuberância técnica dos músicos.

A comunicação telepática demonstrada pelos instrumentistas, dava ao trio uma coesão fascinante e Mike a aproveitou para expor todo seu lado guitar hero. Com temas repletos de convenções, dinâmicas e frases sinuosas tão características do fusion, os músicos fizeram o público vibrar. No bis, houve até participação de Léo Gandelman, mostrando que todos são bem-vindos quando o assunto é improvisação.

De fato, um show grandioso que certamente ainda está ecoando na memória de quem esteve presente para vê-lo e ouvi-lo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Durante os intervalos da MIMO, ateliês da Cidade Alta abrem as portas aos visitantes


Nos ateliês, divulgação da Arte fica em primeiro plano
(Imagens do Espaço Cultural Phenix - Vídeo produzido pelo Blog da MIMO)

Alma artística de Olinda

Não existe quem não se encante com o sítio histórico. E possivelmente a Cidade Alta não seria o que é sem seus inúmeros ateliês, seja no Amparo, no Carmo, em Guadalupe ou no Varadouro. Tudo é arte, daquelas do tipo acessível, que não precisa de licença para sentir.

O Espaço Cultural Phenix de Olinda, comandado pela designer e artista plástica Simone Simonek é um desse ambientes de promoção e divulgação de arte espalhadas pelas ladeiras olindenses. Tanto nele quanto em tantos outros espaços, o que é mais interessante é perceber que o lado comercial desses locais fica, definitivamente, em segundo plano. O convite ao diálogo, à troca de idéias e comentários sobre o que quer que seja, sempre é bem vindo. Faz bem para o artesanato, é bom para Arte, e encantam os mais desavisados.

Orquestra Contemporânea de Olinda em show apoteótico no Carmo

Foto: Renato Spencer/Usefoto (Canon EOS REBEL T2i)

Novo baile das Olindas

Foram muitos solos, vários instrumentos, movimentos que não paravam, e um convidado ilustre, o multi-instrumentista Carlos Malta. A vasta tradição das orquestras do Brasil passa agora a tomar corpo nesse novo formato de arranjos coletivos de metais e percussão.

A apresentação da Orquestra Contemporânea de Olinda (OCO), nesta segunda (6), na Praça do Carmo, na Cidade Alta, representou um verdadeiro show-baile que envolveu de fato muita gente. Foi do jeito que Gilú (idealizador da banda) gosta. Dez músicos em conjunto com uma platéia de milhares de outros componentes.

A galera do sopro do Grêmio Henrique Dias foi responsável por uma verdadeira reinvenção da mescla. Foi na mistura do jazz, ska, samba, da música jamaicana e do afrobeat, que os ritmos mais regionalizados se universalizaram e contagiaram uma multidão atenta ao novo. Nenhum outro grupo representa hoje algo tão contemporaneamente legítimo quanto a OCO. Nada melhor que o palco da MIMO para essa reverência à Música promovida pelos filhos dessas Olindas multifacetadas.


Turistas vivem uma "quase lua de mel" em Olinda e aproveitam a MIMO para esquentar o clima


Casal de Volta Renda em busca de definição no relacionamento
(Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

"Essa é minha quase noiva e quase esposa", diz turista fluminense

As promessas sempre foram muitas, e parecia que com a viagem programada para Olinda a coisa iria mudar. Mas pelo visto a situação conjugal do casal de Volta Redonda, localizada a 130 km do Rio, tem tudo para continuar na indefinição. "Ele me prometeu uma lua de mel. Só que até agora só tô vendo mesmo a lua, o mel que é bom... nada!", fala graciosamente Sidnéia Alves, 30.

"Quase noiva e quase casada há mais de 5 anos" com o técnico naval Rafael Augustra, 25 (que está prestes a trabalhar para um das empresas que compõe a cadeia de fornecedores do Estaleiro Atlântico Sul, em Suape), eles já decidiram esticar sua estadia na Cidade Alta, em função da programação da MIMO. "Nós não esperávamos encontrar a mostra, mas que bom que está acontecendo, vamos aproveitar e ficaremos até o próximo domingo", afirma Sidnéia, já em busca de vivenciar uma verdadeira e merecida lua de mel, adiada há um bom tempo, mas desejada desde sempre.

Visitantes da MIMO sentem falta das tapioqueiras da Sé


Tapioqueira prepara o quitute (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Olinda sem tampioca, um sacrilégio

Uma Sé branca e esvaziada. Mesmo com a reforma dada quase por concluída, não foi possível instalar os novos espaços reservados às mestres da culinária regional da Cidade Alta. As tapioqueiras, deslocadas do seu reduto habitual, tiveram que preparar seus quitutes em plena Praça do Carmo, improvisada. Se para uns a comodidade veio em boa hora, para tantos outros a imagem panorâmica do Recife, observada no topo da Sé já não tem o mesmo brilho. Falta o acompanhamento. Talvez da tapioca doce, talvez do acarajé com tempero pernambucano.

Mas nem só de Sé vivem as belas paisagens do casaril olindense. A tapioqueira Severina Batista, mestre da mandioca há 3 anos, foi a única a se instalar em plena sacada do Mercado da Ribeira. Aproveitando os visitantes do Festival Mimo de Cinema, a simpática Severina não parou um minuto só. "O povo de fora ama a de coco, é a que mais sai; e a novidade desse ano é a de presunto, que o pessoal tá conhecendo agora", afirma. Também não podia ser diferente. Em plena MIMO, do topo da Ribeira, um preço mais que acessível (R$ 2) para uma tapioca daquelas do tipo Sé, recheada de vista panorâmica. O deleite realmente é assegurado!

Mistério bachiano

Envolta em uma nuvem de mistério, A Arte da Fuga, de Johann Sebastian Bach, desperta curiosidade dos estudiosos e amantes da música erudita desde a sua criação. Com uma sequência inacabada de 14 fugas e 4 cânones, muitas questões são levantadas a respeito da composição. Para qual instrumento teria sido composta a obra? Alguns acreditam que seria para teclado (órgão e cravo eram os preferidos de Bach). Seria a soma das letras que formam o nome do compositor, segunda a notação alemã, uma referência exata à quantidade de fugas da peça (B+A+C+H = 2+1+3+8 = 14), ou mera coincidência? Estes questionamentos não têm resposta definitiva, mas uma coisa é certa: A Arte da Fuga é, sem dúvida, uma das maiores e mais complexas composições da música clássica ocidental e aponta para uma culminância do estilo polifônico na obra do compositor alemão.

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Ana Cecília Tavares e Marcelo Fagerlande se apresentam hoje, às 18:00, na Igreja da Misericórdia, em Olinda.

VÍDEO: "Teatro dos Vampiros" (completa) por Dado Villa-Lobos no Seminário de Olinda


Dado: ame-o ou o considere, ao menos (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Mais

Apoteose Improvisativa

21h30 – Mike Stern Trio | Praça do Carmo (Olinda)

Detentor de uma sólida formação musical, Mike Stern é considerado um dos mais importantes guitarristas do jazz contemporâneo. Foi pupilo de Pat Metheny na famosa “Berklee College of Music”, colaborou com o lendário Miles Davis em seu retorno aos palcos e participou da conceituada banda “Word of Mouth” comandada pelo baixista Jaco Pastorius. Sua música leva o ouvinte a várias paisagens sonoras, num leque de estilos amalgamados pela improvisação individual dos músicos. Seu fraseado é ouvido e milimetricamente estudado por instrumentistas ao redor do mundo. O resultado é um caleidoscópio musical extremamente bem construído. No show de encerramento da MIMO 2010, o guitarrista vem acompanhado por Tom Kennedy (baixo) e Obed Calvaire (bateria). Imperdível!

Quintal olindense é ladeira, música é alimento


Som da ladeira é assobio da noite (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Olinda, única

Da bruma leve chega o vento
Acompanhado do sopro da Música
Radiante como o varar do Sol
Refletindo na ladeira do quintal


Em Olinda, tanto quanto a Arte, Música está em toda parte


Jovens da Banda Disco de Vitrola soltam um som no Carmo
(Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Ladeiras cantantes

A Cidade Alta se ferve de cultura. A música acaba surgindo assim, do nada, faz parte da alma pernambucana. A cada geração, uma nova forma de se fazer e viver a música. Da Olinda dos grêmios, surge a cada santo dia, uma nova trupe, um novo conjunto, uma nova banda. Nada melhor então, que uma MIMO, para turbinar essa efervescência.

Imperdível: Oficina do Sabor a preços convidativos nesta terça, último dia da MIMO 2010


Conheça o ambiente e o assistente do Chef (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Restaurante completa 18 anos de Olinda

Não é propaganda enganosa. O cardápio da oficina do chef César Santos realmente está convidando os visitantes da MIMO 2010 para uma imersão total na cozinha regional contemporânea deste que é o restaurante mais condecorado da Cidade Alta. E como por trás de um grande chefe, existe um grande assistente, a equipe do Blog da Mimo adentrou no espaço exclusivo do local, juntamente com o auxiliar braço-direito de César, há mais de 9 anos, Sebastião Vicente, em busca desse tão propalado convite ao deleite.

É que, acompanhando a programação e o fluxo intenso de visitantes para os concertos e mostras de cinema da MIMO, a Oficina do Sabor resolveu implantar o menu individual temático para o festival, a R$ 48, incluindo entrada, principal e sobremesa.

Confira o menu
ENTRADA Queijo coalho Mara-Manga
(queijo assado em cubos ao molho de maracujá e manga)
PRINCIPAL Frango no Quiabo
(frango em cubos refogados com alho, cebola e quiabo)
SOBREMESA Goiaba recheada
(goiaba mergulhada no vinho tinto e recheada com creme de queijo e sorvete de baunilha)

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Toda a delicadeza da harpa de Cristina Braga no Seminário de Olinda


Momento sem Dado Villa Lobos (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Antes da apresentação, já se prenunciava que o encontro seria inusitado. Harpa e guitarra juntas numa mesma Igreja, em pleno domingo (5). Da parceria (que não é tão novidade assim), a mistura do samba e da bossa nova com o rock. No palco, a primeira Harpista da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio e o ex-Legião Urbana. Fãs enchem o santuário e o pátio se empolga com os hits de Renato Russo. Pena a inconveniência da acústica. Mas o manto preto que recobria todos os integrantes do conjunto deram o tom neutralidade da dupla. No entanto, muitos sentiram falta de algo mais (...), talvez alguma imagem no santuário vazio, emoldurado de madeira e fixado sem revestimento. Faltou aderência, sobrou charme e glamour estilizante.

Plateia estava em busca da Legião Urbana (Foto: Davi Lira / Do Blog da Mimo)

Mais

Fotos do penúltimo dia da MIMO 2010


Foto: Beto Figueiroa/UseFoto
Mais fotos

Imagens do show!

Slideshow com fotos do concerto de Leo Gandelman e do Novo Quinteto.




Fotos: Rafael Moura

Aula-show sobre Gnatalli

Foto: Rafael Moura

Sob os olhares e ouvires atentos do Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, que sentado a primeira fila da Igreja do Seminário de Olinda se sentia em casa, iniciou-se a aula-concerto do saxofonista Leo Gandelman e do grupo Novo Quinteto. Acompanhado por uma formação idêntica à criada pelo maestro e compositor Radamés Gnatalli, Leo Gandelman comandou uma belíssima apresentação. O público, que lotava a igreja e também a área externa, teve a oportunidade de conhecer melhor o trabalho de Gnatalli graças às explicações dadas por Gandelman e por Henrique Cazes, violonista do Novo Quinteto.

O concerto foi iniciado com a execução da obra Bate Papo e finalizado pela música Valsa Triste (homenagem a Paulo Moura), ambas de Gnatalli. Ao fim, os aplausos e sorrisos do Maestro Isaac Karabtchevsky, que estava ao lado de Dom Fernando, igualmente satisfeito, refletia a beleza da apresentação e o sentimento do público como um todo.

Mais uma vez a MIMO consegue cumprir seu objetivo de trazer música de qualidade aliada ao aspecto educativo. Para os que tiveram a oportunidade de assistir, o concerto foi, sem dúvida, um momento único de aprendizado.

Área externa da Igreja do Seminário de Olinda
Foto: Rafael Moura

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Macalé e o Lexotan

Uma das várias histórias sobre Macalé contadas por Marco Abujamra chamou atenção especial. Mostrando o bom humor e a forte personalidade do cantor, Abujamra revelou um dos momentos considerados por ele como mais "tensos" da gravação do documentário.

Segundo ele, após uma discussão (incluida no documentário) entre Marco e Jards, os dois passaram um longo tempo sem se falar. Durante este período o documentário continuou a ser produzido e, quando finalizada a edição, Abujamra decidiu ligar para Macalé para mostrá-lo o resultado final.

Marcaram de assistir na casa do cantor, sozinhos, às 18:00. Pontual e apreensivo, o diretor chegou à casa do seu personagem com a fita debaixo do braço e logo descobriu que Macalé havia convidado um "bando de gente" (sic) para assistir ao documentário com eles. E o pior: às 20:00. Segundo o diretor, estas duas horas demoraram uma eternidade. Enquanto esperavam, os dois circulavam calados pela sala, tensos e pensativos. Eis que de repente Macalé interrompe o silêncio dizendo: "Ô Marco, (tira um comprimido do bolso) você tá afim de devidir esse comprimido de Lexotan comigo pra gente poder relaxar"?

Os dois riram, dividiram o remédio, acalmaram-se e tudo acabou bem. Os convidados chegaram, assistiram e adoraram o filme.

Hoje, Marco e Macalé são muito amigos.

Sobre Macalé e outras bossas


Foto: Rafael Moura

Apesar do não comparecimento de Jards Macalé na palestra que daria em parceria com o diretor Marco Abujamra, a conversa, mediada pelo também diretor Pedro Severiano, rendeu muita discussão e boas histórias. Convidado para falar sobre a relação entre música e cinema, o processo de produção do documentário JARDS MACALÉ: Um morcego na porta principal e sobre suas impressões extraídas da relação com o compositor, Abujamra aproveitou para discutir vários temas que iam desde as relações de Macalé com as gravadores até o polêmico sistema de arrecadação de direitos autorais no Brasil. Mas o fio condutor da conversa foi mesmo o processo de produção e a relação conflituosa entre diretor e personagem.

Para além da trilha-sonora

Um dos destaques da palestra desta tarde fica por conta do foco escolhido pelo diretor. Ao decidir falar sobre cinema e música por um viés não tão abordado, Marco Abujamra possibilitou o debate sobre vários temas além de trazer novas e engraçadas informações sobre o compositor outrora taxado de "maldito".