quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Compasso quatro... Um, dois, três e...

Concertos podem ser uma experiência sempre renovadora para o público em geral, mas pouca atenção se dá aos ensaios*, nos quais são acertados exaustivamente os pontos necessários para se chegar a uma apresentação tida como desejável por maestros - ou executantes, no caso da música de câmara.

No Curso de Regência da Mimo, realizado pelo quarto ano seguido e ministrado por Isaac Karabtchevsky, é possível conhecer perfeitamente a dinâmica de trabalho de bastidores de uma orquestra sinfônica, com o diferencial de se tratar de um evento didático, onde tudo é passado a limpo: do gestual ao conhecimento de repertório, passando pelo tratamento com os músicos.

Até o próximo domingo, o Teatro de Santa Isabel abrigará durante as manhãs (nas lições práticas) e tardes (nas teóricas) as aulas com os 15 alunos executantes e 150 ouvintes, os quais contarão com a Orquestra Sinfônica de Barra Mansa como orquestra residente. As aulas práticas acontecem no palco principal e as teóricas, no Salão Nobre.

É sobretudo interessante notar como a orquestra reage diferente ao comando de cada um dos alunos executantes, os quais dispõem de exatos 15 minutos nas aulas práticas para ensaiar a peça/movimento que lhe foi determinada e são filmados por uma câmera colocada de frente para eles (portanto, por trás da orquestra) para depois terem a performance comentada nas aulas teóricas por Karabtchevsky.

E o renomado maestro não deixa passar nada batido, como em uma de suas intervenções ao microfone, sempre ouvidas com atenção total: "O Adágio de Barber é um adágio mahleriano. Você tem de ouvir Mahler: as três notas finais do Adágio [de Barber] são as mesmas do final da Nona [de Mahler]"

***

* Em tempo, uma sugestiva recomendação cinematográfica: Ensaio de orquestra, de Fellini.

Fotos: Renato Spencer

Sorteio de convite 1 - Tempo encerrado

Resposta correta: Hector Berlioz (1803-1869) e Nikolai Rimsky-Korsakov* (1844-1908).

* Hoje, escrito Rímski-Korsakov na nova convenção da transliteração do russo para o português.

Era dos Festivais

Quem for ao festival de cinema da MIMO hoje à noite vai poder conferir um dos momentos mais cruciais da música brasileira. “Uma noite em 67” faz uma viagem ao passado, na época dos grandes festivais de canções brasileiras, onde o público também era personagem: ora coadjuvante, ora protagonista. Vaias, tomates, ovos e outros objetos poderiam cair sobre o artista, caso não agradasse àquela platéia tão exigente e fervorosa.

Artistas hoje mais que consagrados, naquela noite eram jovens rapazes inseguros em busca do reconhecimento. Episódios inusitados e emocionantes aconteceram no decorrer do espetáculo: um violão é quebrado e lançado contra a platéia. “Alegria Alegria” consegue reverter o público a seu favor. A vibrante “Ponteio” arranca lágrimas; sem contar com as divertidas entrevistas de bastidores ao longo da noite.

Sem dúvidas uma bela homenagem à uma época que presenteou nosso cenário cultural com artistas que dotam de grande capacidade de criação e competência musical, deixando legados até hoje apreciados e que influenciam gerações. “Uma noite em 67” nos remete ao embrião daquilo que foi e ainda é a verdadeira e autêntica música popular brasileira.

Sorteio de convites 1

Valendo o primeiro convite, para o Concerto de Abertura da MIMO 2010, na Igreja da Sé, com a Sinfônica de Barra Mansa e o maestro Isaac Karabtchevsky.

Serão executadas no concerto de hoje uma obra de Bizet e outra de Tchaikovsky, respectivamente um francês e um russo, bastante apreciados pelo domínio e bom gosto de orquestração. Que outros dois compositores, conterrâneos e contemporâneos menos conhecidos de Bizet e Tchaikovsky, foram conhecidos pelos famosos tratados de orquestração que escreveram, até hoje tomados como referência no mundo inteiro?

A primeira pessoa a responder corretamente nos comentários receberá a confirmação via e-mail e deverá ligar para o número informado, levando ainda um documento de identidade com foto na ocasião do recebimento do convite.

PS.: Não poderão participar pessoas que tenham contato pessoal ou profissional com os integrantes do Blog da Mimo ou com qualquer integrante da produção e da assessoria de imprensa da MIMO 2010.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Conheça os instrumentos da orquestra

O site a seguir está em inglês, por isso veja primeiro aqui uma gravura com os nomes dos instrumentos em português. Aprendidos os nomes, clique aqui e vá para o site infantil da Orquestra Sinfônica de Dallas, onde você pode ouvir cada instrumento em ação, solo ou dentro do conjunto orquestral.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Olinda concede Medalha Aloísio Magalhães a Lu Araújo

Por unanimidade, a Câmara dos Vereadores de Olinda aprovou a concessão da Medalha Aloísio Magalhães à Produtora Executiva e idealizadora da Mimo, Lu Araújo. A proposta foi apresentada pelo Vereador Marcelo Santa Cruz (PT) e a solenidade de entrega acontecerá no dia 09 de setembro.

Sorteio de convites

Fique atento: o Blog da Mimo irá sortear cinco convites (que dá direito a entrada para duas pessoas) para os concertos das 20h30 de quinta (02) a segunda (06), na Igreja da Sé, ou seja, será feito o sorteio de convite por dia.

Ricardo e Karolayne

Caso você veja este casal de irmãos de bobeira pela Mimo, não deixe de pedir um autógrafo a eles, que são dois jovens talentos dentre os estudantes de instrumentos de cordas em Pernambuco e já receberam diversos convites para estudar no exterior desde a Mimo 2009.

Bizet e Tchaikóvski

Os dois compositores que a Orquestra Sinfônica de Barra Mansa irá tocar no concerto de abertura da Mimo, quinta (02) à noite, têm em comum um intenso histórico de dramas pessoais, mas, na música, Piotr Tchaikóvski e Georges Bizet compuseram obras-primas que caíram no gosto popular de uma forma que eles mesmos não imaginaram antes de morrerem prematuramente: a ópera Carmen (cuja abertura integra o programa do concerto da próxima quinta-feira) e o balé O quebra-nozes (mas a peça do compositor russo a ser executada pela OSBM será a Quinta Sinfonia).

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

De volta à ativa

Ao longo dos primeiros sete dias de setembro, tudo o que rolar nas igrejas e ruas do Sítio Histórico de Olinda, dos fatos mais casuais aos momentos mais marcantes, você encontrará aqui neste espaço virtual, sob olhares jovens e diferenciados, sem nunca abrir mão da inteligência e da sensibilidade.

Depoimentos do público; entrevistas, vídeos ou áudios dos artistas convidados; ensaios fotográficos; curiosidades; mini-resenhas; cenas de bastidores e lances fortuitos dos concertos... Enfim, o Blog da Mimo volta a ser, ao mesmo tempo, o diário aberto e o espaço de jornalismo experimental da Mostra Internacional de Música em Olinda.

Confira no topo menu da direita todos os integrantes da equipe --------------------------------------->>

Fique ligado também nos outros canais de comunicação online da Mimo (Twitter, Flickr, Orkut e Facebook), que serão alimentados pelas assessoras de imprensa Socorro Mendes, Renata Costa e Aline Feitosa.

E lembre-se: no dia 01 de setembro o Blog da Mimo volta ao ar.

domingo, 1 de agosto de 2010

terça-feira, 8 de setembro de 2009

The end

Agradecemos a todos vocês que prestigiaram a Mimo 2009 - indo a um só concerto ou a todos os possíveis - e a fizeram brilhar mais do que nunca ao longo das últimas cinco noites em Olinda, sem falar nas três tardes recifenses e na abertura em João Pessoa.

Sempre que estiverem com saudades, passem a vista nas poucas linhas que registramos por aqui. Nos vemos em 2010, com mais música e mais novidades.

Um "muito obrigado" de toda a equipe da Mostra Internacional de Música em Olinda.

Ih, acabou?



Um vídeo da noite de quinta-feira, pra gente ficar com um gostinho de começo!

Happy hour final

A despedida da Mimo aconteceu na Casa de Noca, que fica perto da Ladeira da Misericórdia, com direito a muita cerveja e macaxeira mais queijo coalho e carne de sol.

Marcaram presença toda a equipe de produção e de imprensa da Mimo (exceto os outros quatro integrantes deste blog), a equipe da Rec Produções (que cuidou da filmagem da Mostra), alguns jornalistas e mais:

- O Quarteto de Cordas de São Petersburgo (sempre em todas).
- A Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades.
- Hermeto Pascoal e sua banda.
- Maestro Duda, seu filho Marcos e sua neta Thaís.
- A pianista Joana Boechat.
- Maestro Forró.

Honrada cerveja

Na hora de sair da Casa de Noca (vide post acima), chamamos* Hermeto Pascoal para brindar conosco e ele disse que o faria com prazer, mas não tomaria a cerveja pois tinha de dormir direito e voltar pro Rio hoje.

Respondi de bate pronto que não teria problema algum e eu assumiria o copo dele. Assim, bebi uma honrada cerveja e ganhei uma pitoresca história pra contar, mais preciosa que muitos autógrafos que eu pedisse.

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* Chamamos eu e dois amigos que estávamos lá. O resto da equipe do blog estava em suas casas, postando e preparando-se para voltar à vida normal.

História de bastidores


Foto: Beto Figueiroa

Clóvis Pereira contou uma curiosidade sobre como Hermeto Pascoal adquiriu desenvoltura no manejo de tantos instrumentos: um cunhado de Clóvis (marido de uma irmã sua) era o responsável pela guarda dos instrumentos da orquestra da Rádio Jornal, na década de 50.

Como esse cunhado gostava de Hermeto, e o "Zanoio"* por sua vez tinha muito tempo livre (já que só fazia bicos como sanfoneiro), ele liberava a chave e o deixava ficar treinando o quanto quisesse.

Clóvis lembra ainda que Hermeto e um irmão, os quais faziam trio com Sivuca, eram apelidados de "Los Hermanos Sivuca".

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Zanoio é a alcunha que o próprio Hermeto utiliza pra si mesmo, inclusive nos autógrafos.

Aplausos ao Guerra


Foto: Internet - Reprodução

Muito merecida e muito inesperada a homenagem de Hermeto Pascoal não só ao maestro Clóvis Pereira, mas também a César Guerra-Peixe (1914-1993), professor de Clóvis no início da década de 1950.

Hermeto não foi aluno do "Guerra" (alcunha com quem os chegados tratavam o maestro e compositor fluminense), mas sabe da importância que ele teve pra música pernambucana, especialmente pelo livro Maracatus do Recife (1955) - raro até mesmo em sebos - e pelos alunos brilhantes que deixou em Pernambuco: Clóvis, Jarbas Maciel, Sivuca, Capiba e, poucos sabem, o Padre Jaime Diniz.

Guerra-Peixe foi de fato o primeiro compositor erudito a fazer anotações de campo, como se fosse um etnomusicólogo, e a usar suas notas como material para composições, diferentes de contemporâneos seus, que se valiam de registros feitos por etnomusicólogos.

Num morro do Recife, um português de outrora

O bairro onde nasceu a orquestra do Maestro Forró, um morro da Zona Norte do Recife, deve seu nome a um senhor português que ali viverá noutros tempos - Seu Hemetério - e instalou uma bomba d'água em sua casa, permitindo que os vizinhos também pudessem usufruir da benesse.

Variações sobre o tema de Vassourinhas

A Orquestra Popular da Bomba do Hemetério fez o público vibrar com suas variações em ritmo de maracatu nação, valsa e swing (swing à la Glenn Miller) sobre o tema de Vassourinhas, no show de encerramento da Mimo.

A sintonia entre o Maestro Forró e sua orquestra prova a "telepatia" entre regente e músicos, da qual falou o maestro Isaac Karabtchevsky, no concerto de domingo no Recife.

O maestro Clóvis Pereira, por sinal, escreveu uma obra sinfônica sobre Vassourinhas, que consta no CD 100 anos do frevo, da Biscoito Fino.

Meise quietinha

Maestro Duda, em mais uma de suas "tirações de onda", disse que sua filha Meise, a quem dedicou Meise no frevo, foi a única de sua prole a quem nunca viu dançar: "Ela não merecia esse frevo, não", disse, aos risos.

Padre Jaime Diniz

Maestro Duda, no concerto da Igreja de Guadalupe, explicou que fez o arranjo de Canção piazzollada, de Sivuca a pedido da viúva do sanfoneiro, Glorinha Gadelha.

O Maestro lembrou também que Sivuca e ele foram alunos do Padre Jaime Diniz (falecido em 1989) na Igreja do Carmo - professor de música dos mais cultos e estimados em Pernambuco.

Estive na Mimo

"Falar da Mimo é um prazer e uma grande emoção. Prazer porque o clima que paira em Olinda nesses dias é de muita alegria, um vai-e-vem de pessoas de todas as idades, falando, rindo, comentando, enfim, desfrutando do local e do alto astral que se instala. Uma emoção, às vezes, sem palavras para descrever : a noite de abertura na Sé, com aqueles dois violinistas magníficos, foi pura magia; o concerto da OSBM com o exímio pianista Luiz de Moura Castro foi deslumbrante; o Quarteto de São Petersburgo esbanjou competência nas duas apresentações em Olinda e no Recife e a pianista Joana Boechat com uma simpatia e naturalidade tocando com maestria e leveza, encantou a todos. Só lamento mesmo não poder ver tudo, pois algumas apresentações quase coincidem o horário e para pegar ingressos tenho que abrir mão de alguma. Mesmo o esforço para pegar ingresso (filas longas e em pé), o resultado final vale a pena. Bom, passou rápido e agora, resta aguardar a próxima edição, se Deus quiser, lá estarei".

Wilma Basto, biomédica

Mistério sempre há de pintar por aí

E não faltou mistério na apresentação Cíclopes que ocorreu na praça do Carmo hoje à tarde. Como o grupo é itinerante, surge a chance de adaptar a peça ao local onde vai ser encenada. Não deu outra: logo fizeram dos arredores da igreja do Carmo um anexo de seu cenário. Em termos de arte, a encenação caberia certinho no conceito de happening. E para quem quiser saber do que se trata, é só clicar aqui.

"Quem quer cantar?"

É, em meio a tanta descontração, Hermeto ainda perguntou se tinham alguém no público querendo cantar. Engraçado, com tantos cantores presentes, ninguém se encorajou a acompanhar o gênio. O jeito foi improvisar um coro, regido pelo próprio Hermeto e acompanhado pela Orquestra Popular da Bomba do Hemetério. E não é que ficou bonito!

Maiores informações

Para os que gostam de uma informação a mais, vale ressaltar que a peça Cíclopes encenada pelo Cia. de Mystérios e Novidades é uma adaptação da sátira homônima de autoria do poeta grego Eurípedes. Famoso por escrever tragédias, o autor só conseguiu concluir uma sátira, que sobreviveu e chegou a nossos tempos.

Abaixo, o vídeo promocional da apresentação:

Também merece, né?

No meio de composições e arranjos do Maestro Duda, pintou uma outra homenagem anacrônica, porque nem mesmo o arranjo era dele. A música era Billie Jean, de Michael Jackson, e o trompetista Marquinhos Carneiro se apresentou de chapéu, óculos e luva branca, tudo como manda o figurino. Até que o Rei do Pop merecia uma homenagenzinha na Mimo, né?

Um show de homenagens

Foto: Beto Figueiroa

Muito simpático, o "doido", como foi chamado por Maestro Forró, prestou homenagem ao maestro Clóvis Pereira, pelo qual declarou ter sido muito influenciado. E não economizou elogios ao chamá-lo para o "palco".

Homenagem mesmo ele prestou ao frevo. Do início ao fim do seu show, o ritmo pernambucano foi citado, seja na voz de Hermeto, nas notas do saxofone ou na batida do caixa da bateria. Homenagem mais bonita ainda quando com a presença da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério e o Maestro Forró.

Ao professor

O pernambucano Moacir Santos foi homenageado, na noite de 7 de setembro, por seu aluno César Camargo Mariano, que, depois de contar brevemente a história de seu professor, tocou a obra April Child.

Moacir Santos nasceu em Serra Talhada, mas foi bater no Rio de Janeiro através da música. Multinstrumentista, ele batalhou muito em prol da educação e da evolução da música brasileira, mas foi pouco reconhecido no Brasil.

"Então ele resolveu ir para os Estados Unidos tentar a vida e, enquanto não era descoberto pelos americanos como excelente músico que era, viu a esposa e os sete filhos venderem cocada e pé-de-moleque pelo Central Park", contou Mariano. O tempo passou e Moacyr Santos ficou foi descoberto na terra do Tio Sam, compôs várias trilhas de filmes e tornou-se professor da Universidade da Califórnia. "Ele virou um deus em Nova Iorque", contou Mariano. Dos dias difíceis em na ilha de Manhattan, restou uma música, a April Child, que Moacir dedicou aos seus filhos.

Diante do silêncio da plateia, Mariano brincou: "Mas não é para ficar triste não! É uma história bonita de superação, de força de vontade".

Confiram a obra tocada por César Camargo Mariano e Romero Lubambo:

"O show foi sensacional"

Melhor definição não há para o show de encerramento da sexta edição da Mimo. As palavras foram do jovem guitarrista Gabriel Izidoro, da Banda de Joseph Tourton, mas representam a opinião de todos ali presentes. E não era pouca gente. Já no final da tarde, a fila que se formava para pegar o ingresso era de assustar. Na hora do show, parecia que estavamos em pleno sábado de Zé Pereira.

Nem o calor (para quem tava dentro da igreja), nem a chuva (para os que não conseguiram ingresso) foi capaz de dispersar o grande público, que pôde conferir um show para ficar na memória. Hermeto foi simplesmente sensacional!

O "velho mago" tocou todos os instrumentos imagináveis (e os inimagináveis também, vide solo de chaleira), conversou com o público e ainda recebeu a participação especial da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério. Ao final ainda desafiou o saxofonista Vinicius Dorin para um duelo entre sax e sanfona de oito baixos: "Tá com medo de mim é ?"

Maestro Duda, o contador de histórias!

Como estava achando muito enrolada a apresentação que seu filho, o trompetista Marcos Carneiro, estava fazendo das músicas que iam ser executados. Maestro Duda resolveu assumir esse papel. Dispensando a modéstia e reconhecendo o próprio talento, ele contou, uma por uma, a história de suas composições.

Thaís, por exemplo, é uma música que ele fez para sua neta (que estava na apresentação!). Ele explicou que fez aquela canção com uma pegada de bossa nova, porque os pais da menina gostavam muito de barzinho, "aquela coisa banquinho e violão", segundo ele. Já Espera ele compôs para sua mulher, que adoeceu quando ele estava às vésperas de viajar para se apresentar e não podia cancelar o compromisso. Segundo ele, para todas as pessoas da família existe uma música. Já que dinheiro ele não tem pra dar, ele compõe.

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Ao apresentar a música Maxixe pra Quinteto, o Maestro contou que era a primeira vez que via aquela música sendo executada. Antes disso, só tinha escutado no computador, no programa que usa para compôr.