terça-feira, 8 de setembro de 2009
The end
Sempre que estiverem com saudades, passem a vista nas poucas linhas que registramos por aqui. Nos vemos em 2010, com mais música e mais novidades.
Um "muito obrigado" de toda a equipe da Mostra Internacional de Música em Olinda.
Ih, acabou?
Um vídeo da noite de quinta-feira, pra gente ficar com um gostinho de começo!
Happy hour final
Marcaram presença toda a equipe de produção e de imprensa da Mimo (exceto os outros quatro integrantes deste blog), a equipe da Rec Produções (que cuidou da filmagem da Mostra), alguns jornalistas e mais:
- O Quarteto de Cordas de São Petersburgo (sempre em todas).
- A Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades.
- Hermeto Pascoal e sua banda.
- Maestro Duda, seu filho Marcos e sua neta Thaís.
- A pianista Joana Boechat.
- Maestro Forró.
Honrada cerveja
Respondi de bate pronto que não teria problema algum e eu assumiria o copo dele. Assim, bebi uma honrada cerveja e ganhei uma pitoresca história pra contar, mais preciosa que muitos autógrafos que eu pedisse.
***
* Chamamos eu e dois amigos que estávamos lá. O resto da equipe do blog estava em suas casas, postando e preparando-se para voltar à vida normal.
História de bastidores

Foto: Beto Figueiroa
Clóvis Pereira contou uma curiosidade sobre como Hermeto Pascoal adquiriu desenvoltura no manejo de tantos instrumentos: um cunhado de Clóvis (marido de uma irmã sua) era o responsável pela guarda dos instrumentos da orquestra da Rádio Jornal, na década de 50.
Como esse cunhado gostava de Hermeto, e o "Zanoio"* por sua vez tinha muito tempo livre (já que só fazia bicos como sanfoneiro), ele liberava a chave e o deixava ficar treinando o quanto quisesse.
Clóvis lembra ainda que Hermeto e um irmão, os quais faziam trio com Sivuca, eram apelidados de "Los Hermanos Sivuca".
***
Zanoio é a alcunha que o próprio Hermeto utiliza pra si mesmo, inclusive nos autógrafos.
Aplausos ao Guerra

Foto: Internet - Reprodução
Muito merecida e muito inesperada a homenagem de Hermeto Pascoal não só ao maestro Clóvis Pereira, mas também a César Guerra-Peixe (1914-1993), professor de Clóvis no início da década de 1950.
Hermeto não foi aluno do "Guerra" (alcunha com quem os chegados tratavam o maestro e compositor fluminense), mas sabe da importância que ele teve pra música pernambucana, especialmente pelo livro Maracatus do Recife (1955) - raro até mesmo em sebos - e pelos alunos brilhantes que deixou em Pernambuco: Clóvis, Jarbas Maciel, Sivuca, Capiba e, poucos sabem, o Padre Jaime Diniz.
Guerra-Peixe foi de fato o primeiro compositor erudito a fazer anotações de campo, como se fosse um etnomusicólogo, e a usar suas notas como material para composições, diferentes de contemporâneos seus, que se valiam de registros feitos por etnomusicólogos.
Num morro do Recife, um português de outrora
Variações sobre o tema de Vassourinhas
A sintonia entre o Maestro Forró e sua orquestra prova a "telepatia" entre regente e músicos, da qual falou o maestro Isaac Karabtchevsky, no concerto de domingo no Recife.
O maestro Clóvis Pereira, por sinal, escreveu uma obra sinfônica sobre Vassourinhas, que consta no CD 100 anos do frevo, da Biscoito Fino.
Meise quietinha
Padre Jaime Diniz
O Maestro lembrou também que Sivuca e ele foram alunos do Padre Jaime Diniz (falecido em 1989) na Igreja do Carmo - professor de música dos mais cultos e estimados em Pernambuco.
Estive na Mimo
Wilma Basto, biomédica
Mistério sempre há de pintar por aí
"Quem quer cantar?"
Maiores informações
Abaixo, o vídeo promocional da apresentação:
Também merece, né?
Um show de homenagens

Ao professor
Moacir Santos nasceu em Serra Talhada, mas foi bater no Rio de Janeiro através da música. Multinstrumentista, ele batalhou muito em prol da educação e da evolução da música brasileira, mas foi pouco reconhecido no Brasil.
"Então ele resolveu ir para os Estados Unidos tentar a vida e, enquanto não era descoberto pelos americanos como excelente músico que era, viu a esposa e os sete filhos venderem cocada e pé-de-moleque pelo Central Park", contou Mariano. O tempo passou e Moacyr Santos ficou foi descoberto na terra do Tio Sam, compôs várias trilhas de filmes e tornou-se professor da Universidade da Califórnia. "Ele virou um deus em Nova Iorque", contou Mariano. Dos dias difíceis em na ilha de Manhattan, restou uma música, a April Child, que Moacir dedicou aos seus filhos.
Diante do silêncio da plateia, Mariano brincou: "Mas não é para ficar triste não! É uma história bonita de superação, de força de vontade".
Confiram a obra tocada por César Camargo Mariano e Romero Lubambo:
"O show foi sensacional"
Nem o calor (para quem tava dentro da igreja), nem a chuva (para os que não conseguiram ingresso) foi capaz de dispersar o grande público, que pôde conferir um show para ficar na memória. Hermeto foi simplesmente sensacional!
O "velho mago" tocou todos os instrumentos imagináveis (e os inimagináveis também, vide solo de chaleira), conversou com o público e ainda recebeu a participação especial da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério. Ao final ainda desafiou o saxofonista Vinicius Dorin para um duelo entre sax e sanfona de oito baixos: "Tá com medo de mim é ?"
Maestro Duda, o contador de histórias!
Thaís, por exemplo, é uma música que ele fez para sua neta (que estava na apresentação!). Ele explicou que fez aquela canção com uma pegada de bossa nova, porque os pais da menina gostavam muito de barzinho, "aquela coisa banquinho e violão", segundo ele. Já Espera ele compôs para sua mulher, que adoeceu quando ele estava às vésperas de viajar para se apresentar e não podia cancelar o compromisso. Segundo ele, para todas as pessoas da família existe uma música. Já que dinheiro ele não tem pra dar, ele compõe.
Ao apresentar a música Maxixe pra Quinteto, o Maestro contou que era a primeira vez que via aquela música sendo executada. Antes disso, só tinha escutado no computador, no programa que usa para compôr.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Guadalupe
A distância entre Igreja de Guadalupe e a maioria das outras igrejas onde aconteciam as apresentações da Mimo não intimidou as pessoas que queriam ver a homenagem do Quinteto de Metais do Nordeste ao Maestro Duda. O concerto das 18h30 do último dia da Mimo foi marcado por um clima de informalidade e o público pode dar muitas risadas com um "mestre de cerimônia" bastante conversador: o próprio homenageado.
O Quinteto trouxe um repertório com várias composições dele como Saudade e Nino, o Pernambuquinho e também executou músicas de outros compositores consagrados como Tom Jobim, Sivuca e Villa-Lobos com os arranjos do Maestro Duda.
Graças a Doutor João!
Apesar de não ter participado do encontro de músicos marcado para este domingo, o pianista melhorou de ontem para hoje e marcou presença na Mimo. Mariano creditou sua melhora rápida ao médico pernambucano João Veiga. "Eu estava que não me levantava da cama, então o doutor João Veiga chegou no hotel e levou tudo embora. Quando ele saiu eu já estava levantando da cama", contou o músico. "Ele é o cara", brincou.
Curumim
As releituras especiais de Mariano

No repertório do músico, que também é produtor, releituras de Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barros, e de Setembro, de Ivan Lins e Vitor Martins. "Setembro é na minha opinião uma das mais bonitas obras que existem", defendeu. O bis ficou por conta da bossa nova, com o clássico Wave, de Tom Jobim.
Mariano também revelou que tocar na Mimo estava sendo uma experiência fantástica, pois há muito tempo que venho namorando o festival. "Estou muito feliz de estar aqui e muito feliz de estar pela primeira vez tocando em uma igreja. É incrível o clima de serinidade que reina aqui", completou.
Nacionalismo no 7 de setembro
E nem o calor que, aparentemente, fazia no altar da Igreja de São Pedro foi capaz de apagar o brilho da apresentação. Muitos simpáticos, os músicos agradeceram à presença de todos e foram retribuídos com longos aplausos.
Resultado: ao final do concerto, uma pequena multidão se aglomerou para comprar o CD do grupo, que estava sendo vendido na saída da igreja.
Parafernália

Quem esteve na praça do Carmo, a partir das 16h, pôde se encantar com os sortilégios da mitologia grega que os atores em pernas-de-pau entoaram e representaram. O sol, que no momento se punha, fez pairar de vez a atmosfera mítica do espetáculo - que por sinal lembrou em vários pontos as bacanais do teatro de oficina de Zé Celso Martinez, que você pode ver aqui:
Logo mais
Mostra de cinema

Um pouco de Hermeto
Enquanto a hora não chega, vale a pena conferir algumas experiências do "mago dos sons":
Transporte
Um chorinho chamado Odeon
"Se for pra tocar Beethoven, que seja bem tocado"

Muita gente se perguntava como um senhor de andar tão adagio como o pianista Luiz de Moura Castro tinha um espírito tão vivace ao tocar - eu também.
Então, lembrei-me de uma conversa com Prof. Eli-Eri Moura - em sua casa, em João Pessoa - quando comentei que o concerto da Petrobras Sinfônica na Mimo 2007, só com Chopin e Wagner, foi o melhor daquele ano no Grande Recife, "apesar do repertório conversador", disse eu.
E Eli-Eri (por sinal, genro do Maestro Duda) complementou: "Pois é, se for pra tocar Beethoven etc., que seja bem tocado". Essa observação voltou à minha cabeça ao ouvir Luiz de Moura Castro atuar com a Sinfônica de Barra Mansa e o Quarteto de Cordas de São Petersburgo, respectivamente sexta e sábado.
As duas execuções foram das mais belas de Mozart e Beethoven que se pôde ouvir em Pernambuco nos últimos tempos: fluida, de memória, sem erros, longe de toda banalidade e livre de qualquer equívoco interpretativo.
Pena que se todos esses predicativos fossem pressupostos para toda execução de compositores canônicos, perderíamos a noção do que é excelente e do que é mediano.
Calunga no choro

Falando no 1x0 de Pixinguinha, que Gianni observou alguns posts abaixo, David Linx (o qual ganhou minha simpatia ao cantar a Melodia Sentimental) talvez quisesse dançar samba, mas rolou "de boa" um passo de maracatu nação.
Falta de educação
Ele explicava que o conjunto de cordas dedilhadas funciona exatamente como o de cordas friccionadas e que pode tocar sem transposição qualquer peça feita para esta, ou seja, lendo nas claves originais. Eis a formação:
Bandolins = violinos
Bandolas = violas
Bandoloncelos = cellos
Violachos = contrabaixos
Marco César também contou que, numa viagem a França, descobriu que existem bandoloncelos altos, tenores e baixos, se minha memória não falha (não deu pra anotar).
Naturalmente, devo minhas desculpas pela bisbilhotagem (risos)
Peçam bis porque tem bis
1. Antônio Henrique Seixas de Oliveira
2. Ciro José Tabet
3. Henrique Villas Boas de Alencar
4. Marcos Antônio Silva Santos
5. César Timóteo dos Santos
6. Eder Paulozzi Nunes
7. Leandro Schaefer
8. Alexei Nokonov
9. Laércio Sinhorelli Diniz
10. Flávio Fernandes de Lima
É que tem a Abertura de Carmen e o Miudinho da quarta Bachianas. Mas só se vocês pedirem bis.
"O músico é a fonte da música"
“Até esta entrevista que estou dando para mim é música. Ouço música o tempo inteiro nas coisas que estão em volta de mim, por isto nunca ouço discos. Quando vou aí ao Nordeste fico ansioso para ouvir os sons tão ricos daí, mas me decepciono. É só funk, rock, não tem nada do Recife, um frevo, um forró. Agora a culpa não é de gravadora, nem de rádio que não toca. A culpa é do músico, porque eu não gravo nada ruim. Se você pega água de uma fonte e ela é ruim, o problema está na fonte. O músico é a fonte da música. Se ela é ruim, a culpa é dele”.
***
Em tempo, pergunto-me se Teles está vaticinando, no fim da matéria: "E preparem-se porque, de repente, Hermeto Pascoal pode cismar e dar o bis descendo a ladeira da Sé".
A batuta mortal

Foto: Divulgação
Pra terminar de falar de Isaac Karabtchevsky, apenas deixo por extenso a historinha que ele contou sobre o cajado de Jean Baptiste Lully - arquiconhecida (para usar uma palavra típica do filósofo Olavo de Carvalho) de maestros, compositores e amantes da música clássica.
A batuta surgiu apenas no início do século XIX. Antes, os regentes usavam as mãos, o arco do violino (quando o spalla orientava o grupo) ou, mais antigamente, um cajado - com o qual marcavam o compasso batendo-o no chão.
Desde que Lully (o mais representativo compositor barroco francês) morreu de gangrena, uma semana após acertar seu próprio pé com o cajado, acidentalmente, seu finale tragicômico tem sido usado como história pitoresca - ou como alegoria do autoritarismo a ser evitado pelos regentes, já que o compositor (membro da Corte de Luís XIV, o Rei Sol) era irritadiço e caprichoso.
Respeitáááável públicoooo!
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Não falamos nela aqui no blog porque, até mesmo para toda a equipe da Mimo, ela é um grande mistério e uma grande novidade.
Zero flashes!
Pedagogia com simpatia

Além do maestro Isaac Karabtchevsky, outra grande simpatia das atrações de música clássica da Mimo 2009 foi a [bela e] promissora pianista Joana Boechat, que, sempre sorrindo, falou sobre cada uma das peças do repertório e dos não aplausos entre movimentos.
Versatilidade
Eles estão em todas!
Foto: Marcelo Lyra
Apresentaram-se em Olinda, no Recife, passaram na festa da Mimo e, na noite de domingo, foram conferir a apresentação de Rubalcaba, David Linx e Sergio Krakowski na Igreja da Sé. O pessoal do St. Petersburg String Quartet não tá querendo perder nada da programação da Mimo 2009.
Surpresa das boas
Fogos para a Mimo, afagos para a Sinfônica
Acrescento: nunca presenciei, até o momento, uma preleção de concerto tão rica para o público quanto aquela. Numa empatia sem igual com a plateia, o maestro correspondeu aos aplausos de pé em sua entrada - manifestação a qual, acredito, somente Cussy de Almeida recebeu nos últimos tempos* - e dispensou a maior parte do tempo ao inusitado happening.
***
Toda vez que era interrompido pelos fogos de artifício de uma procissão que circulava pelos Bairros de Santo Antônio e São José, Karabtchevsky dizia que eles eram pra comemorar o sucesso da Mimo, pois coincidiu duas ou três vezes de espoucar quando ele falava no nome da Mostra.
Antes de sua informal aula de condução orquestral, o maestro também ressaltou a satisfação de vir ao Brasil ministrar seu Curso de Regência na Mimo, "num país que tem somente 11 orquestras sinfônicas", e levantou o moral da Sinfônica do Recife, diante do Secretário de Cultura da cidade, Renato L: "Digo aos políticos e ao público que zelem pela sua orquestra".
***
* Pelo trabalho com a Orquestra Criança Cidadã dos Meninos do Coque, que se apresentou na Mimo 2008 com o Duo Milewski.
Estive na Mimo
Claudio Santana, percussionista
domingo, 6 de setembro de 2009
Cinema
"Vim a todas as edições da Mimo e acredito que essa iniciativa de trazer filmes para a mostra é ótima, pois eles são uma grande alternativa para quem não está lá dentro das igrejas assistindo aos concertos. Achei o filme de hoje maravilhoso, esclarecedor e justo. Não sabemos o que realmente aconteceu na história do nosso País, mas sei que a ditadura foi realmente um período muito difícil e acho que Simonal foi injustiçado."
Andréa Luna, arte educadora.
Eu faço a Mimo
"A apresentação de hoje foi linda, linda mesmo. Quanto a nossa participação na Mimo, foi o seguinte: no ano passado, alguns músicos da nossa orquestra vieram participar das oficinas da mostra e aí nós já ficamos com vontade de voltar. Então no início deste ano, nossos músicos tiveram a oportunidade de serem regidos por Isaac Karabtchevsky, que se empolgou e nos convidou para tocar na Mimo deste ano. É um trabalho difícil, pois trata-se de uma orquestra jovem, composta de alunos. Mas ninguém recusa um convite de Karabtchevsky! (...) A Mimo, além de ser uma vitrine para apresentar nosso trabalho a um público tão grande e diverso, tem um projeto educacional intenso. Nós da Orquestra Barra Mansa somos parte de um projeto educacional que é distribuído durante o ano inteiro, mas precisamos de experiências assim, de uma semana de atvidades concentradas para aprender e trocar experiências."
Fazendo um link
Para quem não pôde assistir, basta acessar o myspace do artista ou assistir o vídeo abaixo.
O erudito de Boechat

Chegando no Convento de São Francisco, às 18h, tive a sorte de encontrar Joana Boechat ensaiando para o concerto que ocorreria em meia hora. Concentrada, a pianista dedicava-se aos acordes, enquanto a equipe da Mimo testava a iluminação, distribuía cadeiras e regulava o som, nos últimos ajustes. A chance de inquiri-la, sobre suas expectativas para o show e sobre sua opinião quanto ao festival, logo apareceu. "Estou muito feliz e muito honrada por tocar junto a pessoas nacionais e internacionais." Joana é calmíssima e foi solícita quando a abordei.
Ao começo do concerto, a pianista executou duas sonatas do barroco Domenico Scarlatti (1685-1757), compostas especialmente para um aluno excepcional na época em que o músico lecionava na Corte portuguesa. Após terminar as duas peças, Joana explicou o repertório que iria reproduzir ao piano, contextualizando os autores das obras de acordo com os períodos da música erudita aos quais cada um pertencia.
Assim, a platéia pôde apreciar tanto o romântico Brahms como os contemporâneos brasileiros Ronaldo Miranda (1948-) e Camargo Guarnieri (1907-1993) e o argentino Alberto Ginastera (1916-1983), além de conferir a maestria de Odeon de Ernesto Nazareth, no bis. E no final? "Não podia ter sido melhor, o público foi muito caloroso!", palavras da própria Joana.
Pão ou pães, é questão de opiniães
Na apresentação da pianista Joana Boechat não foi de outro jeito. Inclusive, a bacharel em piano pela UFMG declarou estar ciente disso e, portanto, fez de tal um critério para selecionar as músicas a serem executadas: "Como percebi que a Mimo é um festival que mistura a música erudita e a popular, diversifiquei o repertório, afinal o público tem um perfil diverso."
O operador de produção Elvis Alves e a professora de piano Marielza de Moura - formada pelo Centro de Educação Musical de Olinda (Cemo) - comprovam a afirmação de Boechat. "Sou leigo, é a primeira vez que ouço Joana e esse repertório. Uso a emoção para apreciar música erudita", relata Elvis.
Já Marielza, como dito acima, tem uma formação musical mais consolidada; é soprano do Coral Madrigal de Olinda e dá aulas particulares de piano: "Há seis anos que venho para a Mimo. Fui aos shows de Fernando Sodré e de Art Metal Quinteto na quinta, e do [Quarteto de Cordas de] São Petersburgo na Basílica [do Carmo, no Recife]. Não fui à missa para assistir ao show, afinal só acontece uma vez ao ano!"
Marielza se diz "cabeça aberta", que apesar de gostar de música erudita, é receptiva a ritmos populares e a propostas inovadoras como a do Manguebeat, a de Hermeto Pascoal e ainda a de Vitor Araújo. Já Elvis se diz contra a mise-en-scène desenvolvida pelo jovem pianista, como se ele quisesse "ser mais estrela que a música. Acho que o bom artista se basta da música como expressão."
Se só pela riqueza musical o show já é válido, a diversidade de opiniões torna-se um item a mais. Interessantíssimo.
Percussão e música eletrônica na Mimo 2009

Com músicas muito dançantes, samples e projeções na parede, Jam da Silva conseguiu criar o clima perfeito para a sua proposta de trabalho. Dia Santo (nome do CD de Jam e também de uma de suas músicas) contou com a participação da sua co-autora Isaar. A música ainda foi repetida ao final do show, como uma espécie de bis.
"Quem se candidata a reger?"
Eu faço a Mimo
Maestro Isaac Karabtchevsky, que regeu a Orquestra Sinfônica do Recife na tarde de hoje, na Basílica do Carmo.
Basílica do Carmo lotada

Solta o som!
Estive na Mimo
Contraponto

Encontros na Praça do Carmo

Em meio a um bucólico pôr-do-sol na tarde de domingo da praça do Carmo, o Quinteto de Metais em Cinco e o Coral de Metais com regência do maestro Antônio Augusto - ambos os conjuntos compostos por alunos das oficinas da Mimo - se apresentaram no coreto da praça por aproximadamente 40 minutos. A platéia pôde também conferir o solo de trompete de João Luiz Areias, integrante do Coral.
"[As jam sessions] são importantes para divulgar grupos locais e mostrar ao público os resultados das oficinas da Mimo, revelando o que se produz nesses ambientes fechados", disse o maestro logo antes de entrar no coreto para reger o Coral.
A festa continuou
Mistura Fina
Foto: Beto Figueiroa
Dois dos que se apresentam hoje à noite, o Sergio Krakowski e o David Linx, ministraram worshops, ontem, dentro da programação da MIMO. Foi uma oportunidade para os que queriam aprimorar técnica de pandeiro ou de vocal de jazz.
Surpresas no Seminário de Olinda
No altar, eram projetados dois círculos, que, ao se posicionarem em cima da escultura de um Jesus crucificado, formavam um coração.
Bossa nova segundo Cuba
No fim da música, Idania saudou Elis Regina e Tom Jobim.
Para quem não lembra de "Corcovado", segue um vídeo de Elis e Tom se apresentando em 1974:
Cadê a cerveja?
Corra pra tocar em Olinda
A ideia
Em 2007 e 2008, os integrantes da assessoria de imprensa encarregados de realizar a cobertura das apresentações tinham de redigir matérias para alimentar o site, como uma pequena agência de notícias.
Agora em 2009, a Aline Feitosa, estabeleceu que o site deveria conter as matérias que saem sobre a Mimo na imprensa e na internet, ou seja, um espaço de clipping.
Assim, seria preciso canalizar o trabalho da equipe de cobertura para outro veículo. Foi então que soube por Lu Araújo da ideia deste blog, dada por Aline.
***
Uma mão na roda, porque tornou-se um espaço onde podemos ser informativos e ao mesmo tempo experimentais.
sábado, 5 de setembro de 2009
Argentina um, Sport dois, Brasil três, Buena Vista dez
DVD do Buena Vista?
Agitação cubana na praça do Carmo!

E por sinal, apesar das vitórias do Sport e do Brasil no futebol, a praça estava lotada de uma platéia empolgadíssima. Os gingados e batuques vindos da ilha de Fidel embalavam os passos ritmados não só do público, como do grupo também.
Idania Valdés marcou presença com seus vocais de diva cubana.
Mesmo que a formação atual da banda não contasse com diversos integrantes da formação original, Buena Vista provou que se mantém na trilha da fineza, fiel à proposta de promover os ritmos cubanos tradicionais.
A Olinda que Seu Antônio gostaria de ver
Ele não se preocupa somente com a questão turística e cultural da cidade, mas também com a educativa. Falou que a Biblioteca Pública de Olinda é um Ponto de Cultura (coisa que eu não sabia) e está desenvolvendo um projeto de estímulo à leitura chamado Olinda Ler Olinda.
Nesse projeto, os alunos das escolas públicas municipais - uma por dia - vêm até a biblioteca e são envolvidas em várias atividades, como leitura orientada e mini-seminários sobre livros.
Também haverá um ônibus do Sesc que vai rodar pelos bairros olindenses, numa ação de mão dupla que vai beneficiar as escolas que não têm salas de leitura.
***
Muito gentil, Seu Antônio acabou de me entregar um convite para o lançamento do projeto, dia 11 que vem, ás 10h.
***
Outro funcionário bastante atencioso é Seu Luiz Pereira, que fica tomando conta do portão. Depois vejo se rola uma boa conversa com ele também.
"Isso aqui pra gente é uma novidade"

Homenagem ao passo
Naturalmente...
Nóbrega excplicou que o nome do espetáculo também foi resultado da amizade com Ariano, que o levou para uma palestra do escritor Garcia Lorca cujo o título era parecido. “Com um nome desses é de estranhar que o povo saísse de casa para ir assistir, mas lá em São Paulo o pessoal está indo ver", brincou.
Duda e Ariano prestigiam

Ariano, por outro lado, não poupou elogios ao colega. "Gostei muito, gostei muito mesmo do concerto. Surpreendente essa orquestra!", declarou. E para não perder a tradição, o escritor voltou a defender de maneira enfática a valorização da cultura popular. "Em qualquer lugar que smostrássemos isso, todos iam aplaudir de pé. Com essa música e essa dança que nós temos, não precisamos ficar imitando essas besteiras que aparecem por aí", concluiu.
O pastiche de Nóbrega

Simpatia!
Entretenimento e educação caminham juntos
Além de apresentar um excelente concerto, o Quinteto de Sopro Brasil ainda desempenhou um importante papel: a educação musical.
Muito à vontade, a flautista Conceição Casado apresentou os músicos do quinteto e ainda deu uma breve explicação sobre cada instrumento.
No inicio da apresentação e ao final de cada peça, a seguinte era contextualizada. A aula mostrou-se eficaz e deu bons frutos ainda durante o concerto. O público, que antes aplaudia a cada intervalo, passou a se manifestar apenas com o encerramento da peça. Pode parecer uma mudança pequena, mas, na reação dos músicos, ficou visível a satisfação.
***
“O mais interessante do concerto do Quinteto Sopro Brasil foi o caráter didático com que foi tratado. Ao explicar cada detalhe das peças, Conceição conseguiu que elas ficassem mais acessíveis às pessoas que tinham ali uma primeira experiência”
Victor Hugo, estudante de Ciências da Computação e aluno de Conceição Casado no curso de extensão da UFPE.
Vai começar...

Na praça do Carmo, a multidão espera para assistir ao show de Buena Vista Social Club Stars. Ontem, em entrevista coletiva, o grupo insinuou que incluiria músicas brasileiras no repertório do concerto. Será que vem surpresa por aí?
Sopro Brasil na Igreja do Rosário

Educação para o aplauso
Quando o público aplaudiu certinho, ao final das cinco peças de Schulhoff e do Nottuno de Borodin, parecia que nesse aspecto aquele concerto seria diferente. Mas na peça de Mozart, talvez pela emoção causada com entrada do pianista Luiz de Moura Castro, as pessoas aplaudiram entre um movimento e outro, o que deixou os músicos visivelmente desconcertados.
Na última peça, de Shubert, André foi categórico: disse quem era o compositor, explicou que a peça tinha quatro movimentos e, educadamente, pediu que todos aplaudissem apenas no final. É a MIMO mostrando e ensinando a música erudita!
Pizzicato
Bravo!

Com um repertório composto por Schubert, Mozart, Borodin e Schulhoff (este último pouco tocado no Brasil), o Quarteto foi muito aplaudido e não faltou quem gritasse “Bravo!”.
Música popular erudita

Já dá para sentir
Tributo aos mendigos do Maranhão
Originalmente, esse caminhar marcado nos blocos deveria ser tocado no tambu-tambi, um instrumento idealizado por Villa-Lobos que consiste em duas tabocas ocas de bambu - de tamanhos diferentes e fechadas em uma das entremidades - que devem ser percutidas batendo sua extremidade aberta contra uma base de madeira.
O tambu-tambi reproduz o bater das cumbucas de madeira dos pedintes cegos de São Luís do Maranhão* - e o próprio nome do instrumento é o mesmo utilizado pelos mendigos que Villa-Lobos viu ao passar pelo Meio-Norte do país.
Para não tornar inviável a execução do Choros n° 6 tão-somente pela falta de um tambu-tambi, adotou-se a prática de substituí-lo pelos wood blocks.
Fonte: Os instrumentos típicos brasileiros na obra de Heitor Villa-Lobos, de Luiz D'Anunciação (percussionista de longa carreira na Orquestra Sinfônica Brasileira).
***
* Não as cumbucas de botar o dinheiro - essa ficava de lado. O tambu-tambi servia para chamar a atenção dos pedestres, já que os mendigos eram cegos.
Músico também é gente (e se cansa) - 2
Master classes, oficinas, ensaio e concerto com o Trio de Câmara Brasileiro... Espero que Caio tenha dormido o sono que merece.
Músico também é gente (e se cansa)

Foto: Marcelo Lyra
A Sinfônica de Barra Mansa estava exausta mas atendeu aos apelos do público e deu três bis ontem à noite na Sé. Na verdade, um só, em três pedaços: a abertura, o intermezzo e o prelúdio e aragonesa da suíte de Carmen.
A spalla dos contrabaixos entregou os pontos quando viu que ia ser dado o terceiro bis e pediu pro companheiro de estante segurar as rédeas sozinho.
Essa quantidade de bis foi sintomática do quanto é preciso dinamizar a música sinfônica no Grande Recife. Se for oferecida boa música, e tocada com gosto, tem público garantido.
***
A Sinfônica de Barra Mansa, por sinal, atingiu nível como orquestra profissional - isso porque ela é uma orquestra jovem. Comparando com a performance dela na Mimo 2008, a evolução é sensível.
A vanguarda que hoje é cânone
No entanto, é de se ficar surpreso se pensarmos que ele era o compositor mais vanguardista da década de 20 e sofreu grande resistência no Brasil antes de ter carta branca do governo de Getúlio Vargas - sem falar no preconceito que mesmo assim sofria por parte de vários professores de conservatório, cujo repertório tinha parado no tempo ao ponto de não ultrapassar o impressionismo de Debussy.
Bolsas nas master classes
O samba de Vanzolini
Uma aula casual e em carne viva
Última quinta, na aula de Crítica Musical*, falamos de Movimento Armorial, Mangue Beat e Tropicalismo. Pois ontem estavam no mesmo concerto Cussy de Almeida - maestro da Orquestra Armorial na década de 70, e no revival dela na década de 90 - e Fred 04, do Mundo Livre S/A.
Só faltou o tropicalista Jomard Muniz de Britto, que certamente deve ser visto em algum concerto daqui até segunda.
***
Fred 04 chegou atrasado e sentou-se do meu lado, mas como não o conhecia de feição, não me dei conta de quem era. Quem me abriu os olhos foi Laura, depois do concerto.
***
* Os outros quatro integrantes deste blog são meus alunos nessa disciplina, na UFPE.
Quase uma maravilha. Aliás, sempre uma maravilha

Foto: Beto Figueiroa
O Convento de São Francisco, em Olinda, e sua igreja anexa, onde se apresentou o Trio de Câmara Brasileiro ontem, foram candidatos na campanha para eleger as Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no mundo.
A outra candidata pernambucana foi a Capela Dourada, no centro do Recife. No entanto, essa campanha não foi divulgada no Estado por causa do comprometimento do governo com a das Sete Maravilhas Naturais, na qual estava Fernando de Noronha.
O resultado é que Pernambuco acabou não levando nem numa, nem outra. Mas nem por isso, as igrejas e paisagens do Estado deixam de ser maravilhas para aqueles que têm bons olhos.
***
Quando entrarem novamente na Igreja do Convento de São Francisco, amanhã no concerto da pianista mineira Joana Boechat, prestem atenção nas paredes laterais, onde se encontra um dos mais belos e ricos registros em azulejo português no mundo, retratando a Via Sacra.
Buena Vista Social Club Stars por Win Wenders
Foi de chorar

Por ideia de Alla Aranovskaya, o Quarteto n° 8 de Dmitri Chostakóvitch* foi colocado no meio do programa, apresentado no Mosteiro de São Bento, em vez de encerrá-lo.
Ela imaginou que o dramático quarteto, carregado dos conflitos sofridos pelo compositor russo durante o regime soviético, iria resvalar sua carga emocional nos ouvintes. E acertou. A própria Alla confessou ter se emocionado durante a execução.
André Oliveira, consultor artístico da Mimo, que fez as vezes de mestre de cerimônias e realizou uma preleção antes da peça, foi outro que "Pagou mico" - conforme disse brincando.
Na opinião da biomédica Wilma Basto, que assistiu ao concerto com a mãe, D. Terezinha, e também se impressionou com a peça, todo mundo iria sair triste do concerto, se Chostakóvitch fosse o último a ser tocado.
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* Aderindo à nova convenção de transliteração de nomes russos para o português.
Toninho, o audaz!
Ontem, no Seminário de Olinda, a última música apresentada pelo ex-Clube da Esquina, Toninho Horta, foi "Manuel, o audaz". A composição, feita na década de 70 com a parceria de Fernando Brant, fala de liberdade, mas foi inspirada em algo bem mais simples: um jipe modelo 1951.
Hoje é dia de Buena Vista!

Foto: Beto Figueiroa
O CD não veio
É Bizet, viu, Seu Cabral?

Foto: Marcelo Lyra.
Após passar pela experiência de estar do lado de dentro de uma orquestra, o aposentado José Augusto Cabral, foi interpolado pelo maestro Guilherme Bernstein sobre o que sentiu. Ele respondeu: "Uma orquestra linda e maravilhosa tocando Tchaikovsky".
Só que ele tinha ouvido a abertura da Carmen. Errou porque estava emocionado, talvez.
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Mas o senhor assobia que é uma maravilha, viu, seu Cabral?
Ao entoar o tema do toureador pra provar que sabia que era Bizet, o maestro Guilherme Bernstein quis mandá-lo de volta pra orquestra, para se sentar do lado da flauta, porém Seu Cabral ficou acanhado e voltou pro seu lugar.
Pega aqui em casa
Das mãos do diretor, Georges Gachot, pras de Lu Araújo - numa conversa regada a bastante Pixinguinha num típico café francês.
Estive na Mimo
Fred Lyra, guitarrista e estudante de música da UFPE
Krzesimir Dębski na Mimo?

Foi o que Jerzy Milewski comentou com o público em seu concerto de ontem, na Igreja da Ordem Terceira. Houve conversas entre ambos, mas compromissos maiores impediram que se concretizasse a presença do compositor polonês residente nos Estados Unidos - que é maestro, violinista de jazz e compositor de trilhas sonoras.
Só não procede a informação de que ele seria ganhador de três Oscars.
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As duas peças de Dębski (copiar e colar esse "e cedilha" cansa) no repertório foram Yiddish fiddle e Country in mi, esta executada ano passado no concerto de Jerzy e Aleida com a Orquestra Criança Cidadã dos Meninos do Coque e o maestro Cussy de Almeida, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
Country in mi tem um trecho em que o pianista acompanhador bate palmas no ritmo da música. Quando Aleida, ontem, o fez, a plateia aderiu no maior entusiasmo - pra surpresa do casal.
Glossário de pronúncia de nomes de compositores poloneses
Já que mencionei Krzesimir Dębski, que se diz "Chêrchimir Dêmski", aí vai um gabarito pra você fazer bonito na hora de conversar com quem entende.
- Henryk Wieniawski (Hênrique Vieniávisqui)
- Emil Mlynarski (Emil Milinársqui)
- Ignacy Jan Paderewski (Ignátsi Ian Paderévisqui)
- Karol Szymanowski (Cárol Chimanóvisqui)
- Grażyna Bacewicz (Grajina Batsévitchi)
Outro violino andarilho
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* Plural de ethos. Quis dizer variedade de espíritos musicais, porque "de estilos" musicais ia lidar somente com o sentido estético.
Do lado de dentro
Ao escutar o maestro da orquestra de Barra Mansa convidar um voluntário para “entrar” na formação do conjunto, o professor logo se ofereceu. “Não conhecia a Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, mas admiro muito as orquestras jovens e como sou tímido, me ofereci”, brincou José. “Foi uma maravilha escutar todos aqueles sons estando dentro da orquestra”, concluiu.
SUITE – Termo bastante presente nos repertórios das orquestras, a suite se refere a uma espécie de pout-pourri da obra inteira, que normalmente é bastante longa, pois são balés ou óperas na maioria das vezes. Nesse caso, a execução é apenas instrumental e é dividida em partes como abertura, intermezzo, prelúdio, etc.
A orquestra quer sambar
“Villa-Lobos costumava dizer que compôs o Choro Nº 6 inspirado nos cheiros e sabores do Brasil”, contou o maestro. Na obra, podemos identificar sons que aludem ao barulho de florestas, além do samba e de melodias que se aproximam à seresta e à marcha-rancho.