sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Programação Mimo 2011 + Festival Mimo de Cinema 2011 - Dia a dia

SEGUNDA, 05/09 e TERÇA, 06/09

ETAPA EDUCATIVA


QUARTA, 7/09

Concertos

18h - Delia Fischer | Igreja do Rosário dos Homens Pretos (Olinda)

18h - Parahyba Art Ensemble |Igreja de São João Batista dos Militares (Olinda)

18h30 - Guinga e Orquestra Sinfônica do Recife. Osman Gioia, regente. Solista: Guinga, violão | Parque Dona Lindu (Recife)

19h - Trio 3-63 (Andrea Ernest Dias, Paulo Braga e Marcos Suzano) | Seminário de Olinda (Olinda)

20h30 - Ballaké Sissoko e Vincent Segal (Mali | França) |Igreja da Sé (Olinda)


Filmes

18h - (Panorama Brasil/ Curtas) Concerto para Heloisa 20 min / Mar de Lia 13 min | Pátio do Seminário de Olinda (Olinda)

19h - (Panorama Brasil/ Longa-Metragem) Filhos de João – O Admirável Mundo Novo Baiano 76 min | Pátio da Igreja da Sé (Olinda)


QUINTA, 8/09

Concertos

18h - Duo Milewski |Convento de São Francisco (Olinda)

18h30 - Arrigo Barnabé | Igreja N. S. do Rosário dos Homens Pretos (Recife)

19h - Azymuth| Seminário de Olinda (Olinda)

20h - Orquestra Sinfônica de Barra Mansa. Vantoil de Souza, regente | Basílica de N. S. das Neves (João Pessoa)

20h30 - Arthur Verocai. Part. Especial Clarisse Grova, Carlos Dafé e Projeto Coisa Fina | Igreja da Sé (Olinda)

22h - Gotan Project (França | Argentina) | Praça do Carmo (Olinda)


Filmes

18h - (Panorama Brasil/ Curtas) O Silêncio do Mundo 10 min | Luthier do PVC 15 min |Bob Lester 13 min | Pátio do Seminário de Olinda (Olinda)

19h - (Panorama Brasil/ Longa-Metragem) Sex Beatles Memorabília 72 min | Pátio da Igreja da Sé (Olinda)


SEXTA, 9/09

Concertos

18h - Projeto Coisa Fina | Mosteiro de São Bento (Olinda)

18h30 - Daniel Gortler (Israel) | Capela Dourada (Recife)

19h - Sonoris Fábrica | Seminário de Olinda (Olinda)

20h - Ballaké Sissoko e Vincent Segal (Mali | França) | Igreja de São Francisco (João Pessoa)

20h30 - Alex Tassel (França) | Igreja da Sé (Olinda)


Filmes

18h - (Panorama Brasil / Média) Profissão: Músico 46 min | Pátio do Seminário de Olinda (Olinda)

18h30 - (Panorama Brasil/ Longa-Metragem) Daquele Instante em Diante 108 min | Pátio da Igreja da Sé (Olinda)


SÁBADO, 10/09

Concertos

11h - Orquestra de Câmara da Cidade de João Pessoa. Carlos Anísio, regente | Igreja da Sé (Olinda)

16h - MIMO in Concert (encerramento das Oficinas de Formação de Orquestra) | Igreja do Monte (Olinda)

18h30 - Orquestra de Câmara de Toulouse (França) | Basílica de N. S. do Carmo (Recife)

19h - Egberto Gismonti e Alexandre Gismonti. Part. especial Ana de Oliveira | Seminário de Olinda (Olinda)

20h - Alex Tassel | Igreja de São Frei Pedro Gonçalves (João Pessoa)

20h30 - Philip Glass (EUA)| Igreja da Sé (Olinda)


Filmes

18h - (Panorama Brasil/ Curtas) É Muita Areia pro meu Caminhãozinho 15min / A sua Imagem e Semelhança 18 min | Pátio do Seminário de Olinda (Olinda)

19h - (Panorama Brasil/ Média) Clementina de Jesus: Rainha Quelé 56min| Pátio da Igreja da Sé (Olinda)


DOMINGO, 11/09

Concertos

11h - Orquestra Sinfônica de Barra Mansa (encerramento do Curso de Regência). Maestros Convidados | Seminário de Olinda (Olinda)

18h30 - Orquestra da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. André Muniz, regente. Solista: Diego Paixão, violoncelo| Igreja da Madre de Deus (Recife)

19h - Pagode Jazz Sardinha’s Club | Seminário de Olinda (Olinda)

20h30 - Hamilton de Holanda e André Mehmari | Igreja da Sé (Olinda)


Filmes

18h - (Panorama Brasil/ Curtas) Orquestra do Som Cego 13 min / Vanja, Mulher Rendeira 20 min | Pátio do Seminário de Olinda (Olinda)

19h - (Panorama Brasil/ Longa-Metragem) Canções do Exílio 90 min| Pátio da Igreja da Sé (Olinda)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Informações para a imprensa

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Assessoria PERNAMBUCO e MÍDIAS SOCIAIS

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FOTOS: http://www.flickr.com/photos/mimofestival
Imagens da MIMO 2010: www.youtube.com/watch?v=4ecUR92AyqE&feature=player_embedded

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Programação do Festival Mimo de Cinema 2011

CONCERTO PARA HELOISA, 20min

de Pedro Moscalcoff

7 de setembro | 18h | Pátio do Seminário de Olinda

Gabriel é músico e ensaia em casa há mais de dez anos. Durante todo esse tempo, a vizinha Heloisa convive com o barulho que, aos poucos, se torna insuportável. Ele decide, então, solucionar o problema, fazendo um festival com as bandas que ensaiam na casa, a fim de arrecadar dinheiro para instalar o isolamento acústico. Dois produtores sérios são encarregados de todo o festival.


MAR DE LIA, 13min

de Hanna Godoy

7 de setembro | 18h | Pátio do Seminário de Olinda

Um mergulho encantado no universo da ciranda de Lia de Itamaracá. O amor se apresenta na música e na trajetória de vida dos personagens desse documentário musical.


FILHOS DE JOÃO, O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO BAIANO, 76min

de Henrique Dantas

7 de setembro | 19h | Igreja da Sé

O documentário Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano conta a história do grupo Novos Baianos. O filme se concentra num dos períodos mais férteis da produção musical brasileira – final da década de 1960 – época em que o grupo eclodiu. Foi neste período que João Gilberto, recém-chegado dos Estados Unidos, começou a conviver com os Novos Baianos, tornando-se uma espécie de guru. Com extrema sensibilidade e absoluta despretensão, transformou a mentalidade daqueles jovens irreverentes e mudou o rumo da MPB.


O SILÊNCIO DO MUNDO, 10min

de Bárbara Cariry

8 de setembro | 18h | Pátio do Seminário de Olinda

A sinfonia do mundo percebida no “outro”, revelando novas formas de percepção e de comunicação entre os homens.


LUTHIER DO PVC, 15min

de Marcos Homem

8 de setembro | 18h | Pátio do Seminário de Olinda

Num distrito periférico duma periférica cidade do Brasil, um artista da terra utiliza materiais inusitados, para fazer música de qualidade. Gravado em Tamoios, distrito de Cabo Frio (RJ), conta a história de Johnny, um luthier de canos de PVC - adquiridos em obras de construção ou lixos da cidade – que, através de seu talento manual e aguçada percepção auditiva, planta sementes através dessa luteria inédita no país.


BOB LESTER, 13min

de Mariana Penedo e Hanna Godoy

8 de setembro | 18h | Pátio do Seminário de Olinda

Edgar de Almeida, o Bob Lester: sapateador, cantor, músico e showman. Numa mistura de gêneros e linguagens, o conto do artista esquecido que deseja ser lembrado. Quanto é memória ou quanto é invenção já não interessa, o importante é não esquecer.


SEX BEATLES MEMORABÍLIA, 72min

de Marcelo Martins

8 de setembro | 19h | Igreja da Sé

Documentário sobre a lendária banda carioca Sex Beatles. Conta a trajetória do grupo liderado por Alvin L. (autor de sucessos de Marina Lima, Leila Pinheiro e Capital Inicial), que na década de 90, conquistou o público e um elenco de admiradores. Entre eles, Dado Villa-Lobos (ex-Legião Urbana, co-fundador e produtor musical dos dois álbuns da banda), Renato Russo (que participou de uma das canções do primeiro disco, Automobília), Paula Toller e Marina Lima. Sex Beatles foi uma daquelas bandas que surgem, nos conquistam e somem.


PROFISSÃO: MÚSICO, 46min

de Daniel Vargas e Luciano Balen

9 de setembro | 18h | Pátio do Seminário de Olinda

No mundo pós-MP3, em que o download liquida as enferrujadas estruturas das grandes gravadoras, músicos conseguem levar a sua arte a lugares onde era impossível chegar. Produzido pelo Projeto CCOMA e o cineasta colombiano Daniel Vargas, o filme tem imagens do Brasil, Uruguai, Colômbia, Alemanha e Grécia. Reúne depoimentos de músicos de rua da França e Inglaterra, dos DJs Anderson Noise e Ravin e dos brasileiros Edgar Scandurra, Fernando Catatau, Naná Vasconcelos e Pedra Branca. O filme mostra como músicos, DJs e produtores conduzem sua profissão, que mudou muito com a internet.


DAQUELE INSTANTE EM DIANTE, 108min

de Rogério Velloso

9 de setembro | 18h30 | Igreja da Sé

O Nego Dito Itamar Assumpção em um documentário que percorre sua trajetória musical, desde os anos da vanguarda paulista na década de 1980 até a sua morte aos 53 anos. Com depoimentos daqueles que conviveram com o artista, o filme reúne uma seleção de imagens raras, garimpadas em acervos e arquivos particulares, mostrando sua presença antológica nos palcos e os momentos de intimidade entre os amigos e familiares.


É MUITA AREIA PRO MEU CAMINHÃOZINHO, 15min

de Ana Paula Guimarães e Eduvier Fuentes Fernández

10 de setembro | 18h | Pátio do Seminário de Olinda (Olinda/PE)

A obra recria a apaixonante região dos Lençóis Maranhense. Enfatiza os encantos, devaneios e desafios dos habitantes. No documentário, o primitivo, o nascimento e as paisagens atípicas criam um universo singular, nos levando a rever as relações cotidianas e nos remetendo aos próprios sonhos e esperanças.


À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, 18min

de Thiago Lira

10 de setembro | 18h | Pátio do Seminário de Olinda

Documentário musical que parte do conceito de "cover" para discutir a imagem e semelhança deste universo, a partir da perspectiva das próprias bandas. Para isso, conta com a participação da Beatles 4Ever (SP), primeira banda cover do Brasil, Seu Chico (PE), Del Rey (PE), entre outras.


CLEMENTINA DE JESUS: RAINHA QUELÉ, 56min

de Werinton Kermes

10 de setembro | 19h | Igreja da Sé

Clementina de Jesus: Rainha Quelé é uma obra composta coletivamente pelo direito à memória e perpetuação do patrimônio cultural brasileiro chamado Clementina de Jesus e pelo dever de exaltação à cultura negra. O filme teve sua locação no quilombo São José da Serra, em Valença (RJ), onde nasceu a cantora e traz depoimentos de Paulinho da Viola, João Bosco, Lecy Brandão, Carlinhos Vergueiro, Paula Lima, Martinho da Vila, Monica Salmaso, Fundo de Quintal, Cristina Buarque de Hollanda, entre outros.


ORQUESTRA DO SOM CEGO, 13min

de Lucas Gervilla

11 de setembro | 18h | Pátio do Seminário de Olinda

Dois sanfoneiros cegos, um filme mudo e um de-compositor musical.


VANJA, MULHER RENDEIRA, 20min

de Juliana Major

11 de setembro | 18h | Pátio do Seminário de Olinda

A partir de depoimentos pessoais e de personalidades como Hernani Heffner e o crítico de música popular brasileira Ricardo Cravo Albin, o documentário refaz a trajetória da artista Vanja Orico. Uma homenagem à eterna cangaceira e grande intérprete do sucesso Mulher Rendeira, o vídeo é uma contribuição para manter viva a sua memória.


CANÇÕES DO EXÍLIO: A LABAREDA QUE LAMBEU TUDO, 90min

de Geneton Moraes Neto

11 de setembro | 19h | Igreja da Sé

Canções do Exílio: a Labareda que Lambeu Tudo reúne depoimentos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Mautner e Jards Macalé sobre um período conturbado da vida brasileira: a onda de prisões que se seguiu à decretação do AI-5, em 1968. Presos em São Paulo e transferidos para o Rio, Caetano e Gil deixaram o Brasil e seguiram para o exílio em Londres. Os depoimentos revelam episódios desconhecidos do público, como o show que Gil, preso, fez para a tropa no quartel. Caetano descreve os diálogos com o cineasta Glauber Rocha sobre o papel dos militares na vida política brasileira.

Festival MIMO de Cinema

Atrações como “Canções do Exílio: a Labareda que Lambeu Tudo” serão exibidos gratuitamente em telões espalhados pela cidade

Paralelo aos shows e concertos, acontece o Festival MIMO de Cinema, com direção de Lu Araujo e da cineasta Rejane Zilles. Com uma seleção de 15 filmes com referências musicais, o Festival acontece entre 6 e 11 de setembro, também em Olinda. A programação é definida pela recente safra nacional e apresenta filmes inéditos em Pernambuco. Os filmes são projetados em telas de grandes dimensões ao ar livre, nos pátios das igrejas da Sé e Seminário de Olinda, com estrutura para acomodar confortavelmente a platéia. A expectativa é que tenham um público de aproximadamente 20 mil pessoas.

Etapa Educativa – Cursos Gratuitos, como o de regência com o Maestro Isaac Karabtchevsky, incrementam ainda mais a Mostra

Uma semana inteira, de 5 a 11 de setembro, será dedicada à Etapa Educativa, que ocorre entre as cidades de Olinda, Recife e João Pessoa nas seguintes categorias: oficina de formação de orquestra, curso de regência, master classes, workshops e projeto MIMO para Iniciantes, este último nas escolas da rede pública. A inscrição para a participação dessa primeira etapa é feita pela internet e é uma chance dos interessados em música terem aulas ministradas por nomes como Isaac Karabtchevsky e outras atrações do evento. Philip Glass, Hamilton de Holanda, Marcos Suzano e Arrigo Barnabé são mais alguns músicos que vão enriquecer a bagagem cultural dos participantes da mostra.

“A Etapa Educativa é um dos momentos mais gratificantes da MIMO, onde grandes músicos podem compartilhar suas técnicas, ideias e reflexões sobre a música e todo o ambiente que a circunda. Nosso interesse é contribuir para além do desenvolvimento técnico, buscando a formação plena do cidadão, da sua sensibilidade e criatividade por meio do contato com a linguagem artístico-musical”, diz Lu Araújo, idealizadora da Mimo.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Orquestra de Câmara de Toulouse


10 de setembro | 18h30 | Basílica de Nossa Senhora do Carmo (Recife/PE)

Sob a direção do violinista suíço Gilles Colliard, é uma das mais tradicionais orquestras de câmara do mundo. Fundada em 1953, é reconhecida por executar qualquer tipo de obra para esta formação, indo do barroco às criações contemporâneas. Na MIMO, apresenta no repertório a Sinfonia n. 38 “Praga”, de Mozart, seguido pela “Sinfonia de Câmara op 110a”, de Shostakovich e a “Sinfonia Simples”, de Britten.

Mimo chega à oitava edição e se firma como um dos mais expressivos eventos do gênero no país

Gotan Project e Philip Glass estão entre as atrações internacionais. Nomes como Egberto Gismonti, Guinga e Arrigo Barnabé também marcarão presença

Um dos mais expressivos eventos no Brasil que trabalha de forma abrangente com o limite entre o popular e o erudito e sem a cobrança de ingressos, a MIMO – Mostra Internacional de Música em Olinda chega à sua oitava edição entre os dias 5 e 11 de setembro de 2011. O festival é idealizado por Lu Araújo, que divide com André Oliveira a direção artística. A produção é da Lume Arte Projetos Culturais e patrocínio do Ministério da Cultura, BNDES, Empetur, Chesf, Funarte e Prefeituras de Recife e de Olinda. O cenário não poderia ser mais aconchegante e paradisíaco, a acolhedora cidade de Olinda, que incrementa ainda mais o seu potencial turístico com o evento que recebe pessoas de todo o mundo dispostas a assistir verdadeiros concertos nas igrejas históricas.

A MIMO reúne cerca de 50 atrações, com nomes nacionais e internacionais. Artistas, como o grupo Gotan Project e Philip Glass vão iniciar a turnê sul-americana pela Mostra. Além das apresentações em espaços como a Igreja da Sé, Seminário de Olinda e Igreja do Monte, entre outros patrimônios, a MIMO ainda oferece workshops com artistas renomados e de forma democrática: o acesso é gratuito. A cidade de Olinda vai abrigar a maior parte das atrações, que se estendem por igrejas centenárias de Recife e João Pessoa.

Os números impressionam: participam nessa oitava edição cinco orquestras sinfônicas. A MIMO multiplica o seu público a cada ano. A primeira edição teve a participação de cerca de 12 mil pessoas enquanto a última reuniu mais de 100 mil. Segundo a Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Olinda, a MIMO faz com que o faturamento na cidade durante os sete dias de evento chegue a R$ 6 milhões. Nos centros urbanos da região Nordeste e, em especial em Pernambuco, a economia atravessa um novo ciclo de expansão. Foi o estado com maior crescimento econômico, com taxa acumulada de 9,4% no ano passado, em análise apresentada pelos economistas da Ceplan (Consultoria Econômica e Planejamento).

As igrejas tornam-se o cenário de uma oportunidade ímpar para assistir a performance de nomes como os internacionais Alex Tassel, Orquestra de Câmera de Toulouse e Daniel Gortler. Guinga, Arrigo Barnabé e Egberto Gismonti, entre muitas outras atrações também marcarão presença nessa oitava edição. Não podemos deixar de destacar a riqueza gastronômica de Olinda com seus charmosos restaurantes, como Trattoria Don Francesco, Maison do Bonfim e Oficina do Sabor que encantam a todos, somando mais alguns motivos para tornar esse evento inesquecível. O Grupo Gotan Project será o grande destaque do Palco do Carmo, que junta uma multidão para conferir o show ao ar livre.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Encerramento de nossas transmissões ou "O que virá em 2011?"

Quem será o compositor residente da MIMO 2011?
Quantos concertos conseguirei ver no ano que vem?
As tapioqueiras estarão de volta ao Alto da Sé?
Será que receberei convites para a Festa da Mimo?

Por mais um ano, a Mostra Internacional de Música em Olinda dinamizou o Sítio Histórico da antiga capital pernambucana trazendo animação, cultura e bem-estar para os habitantes e visitantes da cidade.

E, chegando ao primeiro dia após o encerramento de sua última edição, a MIMO já começa a despertar expectativas e saudades por tudo que ela proporciona. Mas ao mesmo tempo em que dizemos isso, achamos melhor não fazer balanços ou promessas.

Simplesmente, convidamos vocês a montarem a própria retrospectiva da MIMO 2010 visitando os posts antigos deste blog e as outras redes sociais nas quais a Mostra investiu: o Orkut, o Twitter e o Flickr.

O Blog da Mimo, em seu segundo ano de funcionamento, continuou sobretudo a apresentar o que faz da Mostra Internacional de Música em Olinda uma vivência e uma fonte de lembranças a todos que dela participam.

Por essa razão, agradecemos pela estima e esperamos que em 2011 possamos estar juntos novamente, apreciando música, filmes, gastronomia, história... Enfim, tudo que só a MIMO oferece a vocês.

Cordialmente,

Equipe do Blog da Mimo

Ps.: A equipe de produção e de imprensa, além de Lu Araújo, também mandam um obrigado bem grande a todos vocês.

A música certa, na igreja certa

Poucas vezes na história da MIMO um casamento entre música e arquitetura foi tão bem pensado do ponto de vista estilístico quanto o da execução de A arte da fuga na Igreja da Misericórdia, situada a menos de 500 metros da Igreja da Sé.

Comentar uma performance dessa obra de Bach, nesse caso, talvez seja menos oportuno do que apontar a decisão feliz de fazer com que Marcelo Fagerlande e Ana Cecília Tavares se apresentassem em uma igreja rica em amostras do barroco tardio e do rococó [estilos coexistentes na época em que A arte da fuga foi escrita] em seu interior.

Aqui vai uma pequena amostra da peça, em vídeo retirado do YouTube. Escute-a observando os detalhes das fotos das igrejas de Olinda disponíveis no Flickr da MIMO (vide menu à direita).

Spalla de muito futuro

Foto: Rafael Andrade

Quem viu a Orquestra Mimo tocar a suíte Cenas brasileiras de Wagner Tiso no concerto de segunda à noite, na Igreja da Sé, percebeu que o solo de violino inicial da peça não foi feito pela spalla Ana de Oliveira, mas pela jovem Karolayne Santos.

Karol vem participando da Etapa Educativa da MIMO desde 2007 e hoje, sem ainda ter completado 15 anos, desponta como um dos grandes talentos jovens de Pernambuco, ao lado do Irmão Ricardo Cavalcante, violista.

Por esta razão, não somente o solo de Cenas brasileiras foi confiado a ela como também a posição de spalla das cordas friccionadas no concerto de encerramento das Oficinas de Instrumento da MIMO 2010, nesta terça à tarde na Igreja do Monte.

Karol mostrou nas duas ocasiões, além de total segurança (vale lembrar que a Sé estava lotada na segunda), domínio técnico e afinação perfeita, correspondendo à expectativa dos professores com um raro zelo entre jovens de sua faixa etária.

Por isso, não será surpresa se Karolayne tornar-se spalla nas orquestras jovens por onde passar.

***

Cinco pontos de destaque do concerto na Igreja do Monte: 

1. as duas belíssimas transcrições de Vivaldi para conjunto de cordas dedilhadas, que soaram bastante despojadas, mas respeitando fielmente as partituras; 

2. uma execução de Dvorák sem erros pelas madeiras; 

3. a dificílima peça As baquetas, de Edgard Nunes Rocca, que exigiu coordenação contínua dos percussionistas;

4. a iniciativa das cordas fricionadas em apresentar obras do americano John Cacavas e do alemão Harald Genzmer, pouco ouvidas no Brasil, e

5. o empolgante finale com um arranjo reduzido da abertura de Os mestres cantores de Nurembergue para metais.

Argumento literário é mote de apresentação da OSR na Madre de Deus


Concerto da Sinfônica do Recife em 07/09/2010
(Foto: Davi Lira / Blog da MIMO)


Música Popular Literária

A Orquestra Sinfônica do Recife era a aniversariante octogenária; o regente Guilherme Bernstein, diretor musical da Sinfônica de Barra Mansa (RJ) era o maestro convidado; e o pianista carioca Jean-Louis Steuerman, o participante ilustre. Para o palco, a bela e restaurada Igreja da Madre de Deus, localizada no bairro antigo do Recife; e como plateia, o grande público presente no santuário dourado, confortavelmente silencioso.

Foi buscando promover a aproximação entre expressões eruditas e populares que os 50 membros da OSR (apenas oito componentes eram mulheres; a maioria no violino) prezou por uma apresentação didática, Seu objetivo continuou sendo mesmo o de formar novos amantes da música erudita no Estado. Como método utilizado, a literatura.

Apropriando-se do reconhecido camerista e solista de primeira categoria, Steuerman, o concerto da Madre de Deus buscou em obras românticas pós-Beethoven, a devida dose de contemplação propícia para um dia de encerramentos. No repertório do último dia da MIMO 2010, no Recife, não faltou Schumann nem Mendelssohn. Tanto Byron quanto Shakespeare, fontes inspiradoras para os respectivos músicos, serviram como ponte para imprimir aproximação literária que lhe são peculiares à erudição das peças.

Trechos da apresentação da OSR regida por Bernestein
(Vídeo produzido pelo Blog da MIMO)

Maíra e Moema

Fotos: Rafael Andrade

Quem curte cordas dedilhadas no Recife já deve ter visto as bandolinistas gêmeas Maíra e Moema Macedo em ação, seja na orquestra Retratos do Nordeste, seja participando como convidada de outros grupos instrumentais em Olinda e Recife. Ontem, ambas estavam lado a lado no concerto de encerramento das Oficinas da Etapa Educativa da MIMO 2010, na Igreja do Monte. Uma delas, a de vestido azul, inclusive foi solista na transcrição do concerto para violino em lá menor de Vivaldi. Adivinhe qual.

VÍDEO: "Marcha Nupcial" de Felix Mendelssohn aproxima OSR da plateia da Madre de Deus


Orquestra Sinfônica do Recife regida por Guilherme Bernestein executa Sonho de uma Noite de Verão
(Vídeo produzido pelo Blog da MIMO)

Fotos do concerto de encerramento das Oficinas de Instrumentos da MIMO 2010



Fotos: Rafael Andrade

Imagens do último dia da MIMO 2010 em João Pessoa, no Recife e em Olinda


Foto: Tiago Calazans/Usefoto


Epílogo

Em 1970, Miles Davis lançou um disco que mudou a história do jazz: o Bitches Brew. Com esse registro, Miles conseguiu agregar e estabilizar a linguagem jazzística ao rock, criando dessa miscelânea algo revolucionário. Nascia o jazz fusion. A partir de então, a eletronização do instrumental se tornou a grande novidade e os músicos passaram a experimentar timbres e sonoridades antes impossíveis. Nesse contexto, a guitarra também percorreu novos caminhos com o uso de pedais e amplificadores. Algo claramente trazido do rock.

Inteiramente vinculado a essa escola, Mike Stern (que tocou com Miles, vale ressaltar) subiu no palco montado na Praça do Carmo para encerrar a 7ª edição da MIMO 2010. Acompanhado pelo impressionante baixista Tom Kennedy e pelo preciso baterista Obed Calvaire, Stern mostrou toda sua capacidade improvisativa num concerto que privilegiou a exuberância técnica dos músicos.

A comunicação telepática demonstrada pelos instrumentistas, dava ao trio uma coesão fascinante e Mike a aproveitou para expor todo seu lado guitar hero. Com temas repletos de convenções, dinâmicas e frases sinuosas tão características do fusion, os músicos fizeram o público vibrar. No bis, houve até participação de Léo Gandelman, mostrando que todos são bem-vindos quando o assunto é improvisação.

De fato, um show grandioso que certamente ainda está ecoando na memória de quem esteve presente para vê-lo e ouvi-lo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Durante os intervalos da MIMO, ateliês da Cidade Alta abrem as portas aos visitantes


Nos ateliês, divulgação da Arte fica em primeiro plano
(Imagens do Espaço Cultural Phenix - Vídeo produzido pelo Blog da MIMO)

Alma artística de Olinda

Não existe quem não se encante com o sítio histórico. E possivelmente a Cidade Alta não seria o que é sem seus inúmeros ateliês, seja no Amparo, no Carmo, em Guadalupe ou no Varadouro. Tudo é arte, daquelas do tipo acessível, que não precisa de licença para sentir.

O Espaço Cultural Phenix de Olinda, comandado pela designer e artista plástica Simone Simonek é um desse ambientes de promoção e divulgação de arte espalhadas pelas ladeiras olindenses. Tanto nele quanto em tantos outros espaços, o que é mais interessante é perceber que o lado comercial desses locais fica, definitivamente, em segundo plano. O convite ao diálogo, à troca de idéias e comentários sobre o que quer que seja, sempre é bem vindo. Faz bem para o artesanato, é bom para Arte, e encantam os mais desavisados.

Feirinha de artesanato da Ribeira atrai participantes da MIMO


Confira preços das peças; máscaras vão de R$ 8 a R$ 60
(Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Ribeira, a ´Casa da Cultura´ de Olinda

Há 15 anos a artesã de nome meio italiano meio olindense, Odinivalda Chiarelli, oferece arte para turistas locais e extrangeiros. Dona da banca de codinome "Julião das Máscaras" (antigo proprietário e reconhecido artesão), ela tem as atividades bem delimitadas. "Eu mesmo fico com a talha e a pintura, meu marido, Zezinho, é que produz de fato as máscaras, que são nosso carro-chefe", informa sorridente a mais simpática de todas as artesãs do Mercado da Ribeira, localizado na Cidade Alta de Olinda.

Orquestra Contemporânea de Olinda em show apoteótico no Carmo

Foto: Renato Spencer/Usefoto (Canon EOS REBEL T2i)

Novo baile das Olindas

Foram muitos solos, vários instrumentos, movimentos que não paravam, e um convidado ilustre, o multi-instrumentista Carlos Malta. A vasta tradição das orquestras do Brasil passa agora a tomar corpo nesse novo formato de arranjos coletivos de metais e percussão.

A apresentação da Orquestra Contemporânea de Olinda (OCO), nesta segunda (6), na Praça do Carmo, na Cidade Alta, representou um verdadeiro show-baile que envolveu de fato muita gente. Foi do jeito que Gilú (idealizador da banda) gosta. Dez músicos em conjunto com uma platéia de milhares de outros componentes.

A galera do sopro do Grêmio Henrique Dias foi responsável por uma verdadeira reinvenção da mescla. Foi na mistura do jazz, ska, samba, da música jamaicana e do afrobeat, que os ritmos mais regionalizados se universalizaram e contagiaram uma multidão atenta ao novo. Nenhum outro grupo representa hoje algo tão contemporaneamente legítimo quanto a OCO. Nada melhor que o palco da MIMO para essa reverência à Música promovida pelos filhos dessas Olindas multifacetadas.


Turistas vivem uma "quase lua de mel" em Olinda e aproveitam a MIMO para esquentar o clima


Casal de Volta Renda em busca de definição no relacionamento
(Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

"Essa é minha quase noiva e quase esposa", diz turista fluminense

As promessas sempre foram muitas, e parecia que com a viagem programada para Olinda a coisa iria mudar. Mas pelo visto a situação conjugal do casal de Volta Redonda, localizada a 130 km do Rio, tem tudo para continuar na indefinição. "Ele me prometeu uma lua de mel. Só que até agora só tô vendo mesmo a lua, o mel que é bom... nada!", fala graciosamente Sidnéia Alves, 30.

"Quase noiva e quase casada há mais de 5 anos" com o técnico naval Rafael Augustra, 25 (que está prestes a trabalhar para um das empresas que compõe a cadeia de fornecedores do Estaleiro Atlântico Sul, em Suape), eles já decidiram esticar sua estadia na Cidade Alta, em função da programação da MIMO. "Nós não esperávamos encontrar a mostra, mas que bom que está acontecendo, vamos aproveitar e ficaremos até o próximo domingo", afirma Sidnéia, já em busca de vivenciar uma verdadeira e merecida lua de mel, adiada há um bom tempo, mas desejada desde sempre.

Visitantes da MIMO sentem falta das tapioqueiras da Sé


Tapioqueira prepara o quitute (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Olinda sem tampioca, um sacrilégio

Uma Sé branca e esvaziada. Mesmo com a reforma dada quase por concluída, não foi possível instalar os novos espaços reservados às mestres da culinária regional da Cidade Alta. As tapioqueiras, deslocadas do seu reduto habitual, tiveram que preparar seus quitutes em plena Praça do Carmo, improvisada. Se para uns a comodidade veio em boa hora, para tantos outros a imagem panorâmica do Recife, observada no topo da Sé já não tem o mesmo brilho. Falta o acompanhamento. Talvez da tapioca doce, talvez do acarajé com tempero pernambucano.

Mas nem só de Sé vivem as belas paisagens do casaril olindense. A tapioqueira Severina Batista, mestre da mandioca há 3 anos, foi a única a se instalar em plena sacada do Mercado da Ribeira. Aproveitando os visitantes do Festival Mimo de Cinema, a simpática Severina não parou um minuto só. "O povo de fora ama a de coco, é a que mais sai; e a novidade desse ano é a de presunto, que o pessoal tá conhecendo agora", afirma. Também não podia ser diferente. Em plena MIMO, do topo da Ribeira, um preço mais que acessível (R$ 2) para uma tapioca daquelas do tipo Sé, recheada de vista panorâmica. O deleite realmente é assegurado!

O que você achou?

Mariléa Gomes, do Conservatório Pernambucano de Música, falou para o Blog da Mimo sobre sua participação no Curso de regência como ouvinte:

Foi muito bom participar do Curso de Regência da Mimo pela quarta vez como ouvinte.

O maestro Isaac Karabtchevsky consegui transmitir muito bem as técnicas de regência com uma tranqüilidade e clareza que até para os ouvintes fica muito fácil entender. A cada explicação ou correção dos maestros que executavam as peças ganhávamos em conhecimento e experiência musical.

Foram seis dias de muito trabalho tanto para a orquestra como para os regentes participantes que a cada dia de estudo melhoravam cada vez mais as suas qualidades técnicas. A cada explicação de Isaac todos ficavam em silêncio e concentração para conseguir absolver o máximo dos seus conhecimentos.

O repertório escolhido foi bom, mas eu sentir falta de uma abertura e também de uma música brasileira. Porém, este fato não tirou o mérito do curso e com certeza no próximo ano estarei no curso aprendendo mais com esse grande maestro e músico Isaac Karabtchevsky.

Mistério bachiano

Envolta em uma nuvem de mistério, A Arte da Fuga, de Johann Sebastian Bach, desperta curiosidade dos estudiosos e amantes da música erudita desde a sua criação. Com uma sequência inacabada de 14 fugas e 4 cânones, muitas questões são levantadas a respeito da composição. Para qual instrumento teria sido composta a obra? Alguns acreditam que seria para teclado (órgão e cravo eram os preferidos de Bach). Seria a soma das letras que formam o nome do compositor, segunda a notação alemã, uma referência exata à quantidade de fugas da peça (B+A+C+H = 2+1+3+8 = 14), ou mera coincidência? Estes questionamentos não têm resposta definitiva, mas uma coisa é certa: A Arte da Fuga é, sem dúvida, uma das maiores e mais complexas composições da música clássica ocidental e aponta para uma culminância do estilo polifônico na obra do compositor alemão.

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Ana Cecília Tavares e Marcelo Fagerlande se apresentam hoje, às 18:00, na Igreja da Misericórdia, em Olinda.

Bernardo Vieira de Melo declarou independência republicana muito antes de Deodoro, lá em 1710

Ruínas do que sobrou da Câmara de Vereadores de Olinda, simbolizada pela estrela (em frente ao Mercado da Ribeira)
"Aqui em 10 de novembro de 1710 Bernardo Vieira de Melo deu o primeiro grito em favor da fundação da república entre nós"
(Foto: Davi Lira / Blog da Mimo)

Olinda, República da Música

No século 17, Olinda era outra. A cidade era o centro de Pernambuco, e com a voz altiva e imponente que sempre lhe foi peculiar, resolve se debelar contra a Coroa Portuguesa. Na figura do sargento-mor e vereador, Bernardo Vieira de Melo, (conhecido nome de inúmeras ruas e avenidas do Estado) inicia-se o primeiro movimento pela independência do Brasil.

Isso. A historicamente conhecida proclamação da Independência (1822) em 7 de setembro e a da República (1889) em 11 de novembro é bem posterior ao grito lançado pelos senhores de engenho de então em 10 de novembro de 1710, data considerada até hoje feriado local em Olinda.

Mesmo não sendo aprovada pela Câmera de Vereadores (hoje em ruínas, diante do Mercado de Ribeira, foto acima), o fato é que da lembrança dos pernambucanos esse levante jamais pode ser esquecido. Até porque vai ser difícil mesmo. Toda a movimentação conseguiu ser resumida através da letra do Hino do Estado.

Se não se lembra, o Blog da Mimo reproduz o trecho aqui:

A República é filha de Olinda / Áurea estrela que fulge e não finda / De esplendor com os seus raios de luz. / Liberdade um teu filho proclama!

» E ninguém melhor que Alceu Valença para cantar o Hino da Independência Pernambucana:

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Homenagem Póstuma


O concerto apresentado pelo conjunto de trombones ontem na Igreja do Monte poderia ter soado como algo melancólico, já que o seu fundador Radegunds Feitosa faleceu há cerca de 3 meses no interior da Paraíba. Mas ao invés disso, pudemos apreciar um conjunto de 14 trombones tocando com vigor e entusiasmo músicas que foram da renascença ao romântico, passando depois para o contemporâneo, fundindo o erudito com o popular. Destaque para a execução de Se Eu Quiser Falar Com Deus de Gilberto Gil que emocionou o público com seu lirismo. Ao fnal do show ainda deu tempo do Bis com Odeon e Que nem Jiló.

VÍDEO: "Teatro dos Vampiros" (completa) por Dado Villa-Lobos no Seminário de Olinda


Dado: ame-o ou o considere, ao menos (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

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Apoteose Improvisativa

21h30 – Mike Stern Trio | Praça do Carmo (Olinda)

Detentor de uma sólida formação musical, Mike Stern é considerado um dos mais importantes guitarristas do jazz contemporâneo. Foi pupilo de Pat Metheny na famosa “Berklee College of Music”, colaborou com o lendário Miles Davis em seu retorno aos palcos e participou da conceituada banda “Word of Mouth” comandada pelo baixista Jaco Pastorius. Sua música leva o ouvinte a várias paisagens sonoras, num leque de estilos amalgamados pela improvisação individual dos músicos. Seu fraseado é ouvido e milimetricamente estudado por instrumentistas ao redor do mundo. O resultado é um caleidoscópio musical extremamente bem construído. No show de encerramento da MIMO 2010, o guitarrista vem acompanhado por Tom Kennedy (baixo) e Obed Calvaire (bateria). Imperdível!

Rapsódia brasileira

Escrever sobre música é uma tarefa difícil. Ela fala por si mesma e as palavras não conseguem abarcar a grandeza de sua presença. O texto busca, ao menos, fornecer um relato aproximado de seu acontecimento, um vislumbre de seu brilho. Nesse sentido, o escritor é um ingênuo que se vê obrigado a se dedicar inteiramente ao ofício do delinear. E o faz sem temer...

Como era de se esperar, o concerto do compositor residente da MIMO 2010 foi de parar o tempo. Na abertura, Tiso mais o quarteto de cellos Brasil Ensemble executaram uma das mais sublimes composições de Tom Jobim, Luíza, conferindo-lhe um ar camerístico. Em Embolada e Prelúdio, os músicos exploraram as nuances contrapontísticas do Villa-Lobos numa interpretação que transbordava sentimento. Brasileirinho ganhou um tratamento interessante, numa inusitada mistura de ragtime e choro.

Para o momento mais improvisativo da noite, o pianista convidou o guitarrista Victor Biglione e o violoncelista Márcio Malard. Aquarela do Brasil de Ary Barroso foi revisitada numa interpretação que primou pela riqueza de dinâmicas e pelo fraseado alucinado de Biglione que esbanjava domínio técnico do instrumento. Já no standard Autumn Leaves, Tiso e Victor se refestelaram em seu famoso ciclo de quintas numa interação telepática.

Por fim, o pianista mostrou ao público pernambucano sua vertente composicional sinfônica. Junto com a excelente Orquestra MIMO regida por Guilherme Bernstein, Tiso executou sua suíte em cinco movimentos Cenas Brasileiras. Indo das mais abstratas harmonizações e fragmentados compassos ao frevo mais rasgado, a música do pianista exalou uma brasilidade inebriante, sem espaço para esteriótipos.

Uma noite memorável onde a música divagou sobre si mesma absoluta e altiva.

O Pasto Incendiado

Foto: Tiago Calazans

O compositor Danial Guanais, que teve sua Primeira Sinfonia executada pela Sinfônica da UFRN no último sábado, durante a MIMO 2010, gentilmente enviou todos os textos utilizados na obra: os do livro apócrifo de Adão e Eva e os poemas selecionados de Ariano Suassuna. Escolhemos um dos poemas do escritor paraibano especialmente pra você.

***

O castigo do Corpo e seu mistério,
o queixume do sangue e seu Fascínio.
Que sentido há na Carne rebelada,
que Nobreza de sangue e Confusão?


Os Arcanjos alados, que esvoaçam
seu silêncio de Brasa e sua espada,
choram talvez, na Sede apaziguada,
a ausência de meu Corpo enfurecido:
pois a Carne contém culpas Sagradas,
ecos de amor, de Sono e algum olvido,
e guarda, sob a Relva e o monte fulvo,
o desejo do Tempo e o Odor da morte.


mas não procures nela o que não tem.
Ali só há Colina e sangue espesso,
palpitação do Pássaro, agonia
o desejo do Tempo, o Sol sem preço,
a Relva que no Dardo se incendeia, [e a relva que no Fruto se incendeia]
o sonho que é do Fim e do Começo.


As águas não habitam nenhum ventre:
sangue possuído, ou sangue derramado
e tenha embora as Margens e o murmúrio,
não procures as águas noutro Sangue.
Sejas mulher, ou guardador de cabras,
o Ventre aberto, e o sangue descerrado
devolverão na treva o teu Gemido
e o Negro Gavião da soledade
é tudo o que no Ventre hás de alcançar.

O Pasto Incendiado, de A Fêmea e o Macho (Terceira parte do poema O Cego e o Mundo)

Ariano Suassuna

Cartas íntimas

Foto: retirado da Internet

Se considerarmos a importância da fonte inspiradora na criação de uma obra-prima, o grande quarteto de cordas apresentado pelo Hugo Wolf Quartett ontem, no Mosteiro de São Bento, não foi o 14° de Mozart ou o 7° de Beethoven, mas o n° 2 do tcheco Leoš Janáček.

Luminoso e transfigurador em todos os seus quatro movimentos, onde se destaca por diversas vezes o amplo uso de harmônicos em passagens de arcadas rápidas e as partes da viola no primeiro movimento, o quarteto de Janáček foi intitulado por ele mesmo de Cartas íntimas em razão da mensagem de amor intenso e até transcendental (pois nunca se concretizou carnalmente) à jovem Kamila Stösslová.

Tornou-se conhecida a relação platônica entre Janáček e Stösslová, sobretudo, porque tenha sido um caso único na História da Música onde uma mulher inspirou tão profundamente um músico ainda sem reconhecimento que o motivou a produzir obras que o transformaram em um aclamado nome quando ele já estava na terceira idade.

Ambos, casados, conheceram-se em 1917 e relacionaram-se através de uma longa troca de cartas até a morte do compositor, em 1928. E o Quarteto n° 2 não foi a única obra que nasceu das centelhas de amor de Janáček. Stösslová rendeu também a criação da ópera O diário de alguém que desapareceu, da Missa Glagolítica e da Sinfonieta.
Foto: André Sampaio

Merece um elogio a parte no concerto a explicação preliminar dada pelo violoncelista Florian Berner, que surpreendeu os ouvintes com um português muito claro.