sábado, 8 de setembro de 2012

Olinda conhece o "Future Jazz"

Foto: Facebook

O Seminário de Olinda foi pequeno para o público que compareceu à apresentação do Projeto Ccoma, que mistura elementos do jazz e da música eletrônica, gênero que vem sendo chamado Future Jazz. O duo de Caxias do Sul (RS) formado por Roberto Scopel (trompete) e Swami Sagara (percussão) fez o show de estreia do seu álbum mais recente, Peregrino (2012).

Visivelmente nervoso e emocionado, Sagara, que conversou bastante com o público ao longo da apresentação, falou da importância de poder estrear o álbum dentro de um local como o Seminário. "É uma honra pra gente poder trazer um álbum como o Peregrino, que fala exatamente de viagem, da música em diferentes partes do mundo, para um local de tanta tradição musical", comentou.

Em seu repertório constaram canções como Milonga para los Perros, e Xangô é Rei, música feita em parceria com o recifense Di Melo. "Estivemos no Festival de Inverno de Garanhuns para levar um documentário que realizamos chamado 'Profissão: Músico' e tivemos o prazer de conhecer essa figura 'pernambucanolisticamente' incrível que é o Di Melo", revelou Sagara.

Apesar de mais contido com as palavras, Scopel não economizou talento para manejar o trompete, o theremin e o clarinete. Já Sagara ficou responsável pelas bases eletrônicas, pela bateria eletrônica e pela hang drum. Durante a execução de cada música, diferentes projeções eram exibidas nas paredes da igreja, o que enriqueceu bastante a apresentação do duo. Ao final do show, o público pediu bis, sendo prontamente atendidos com a canção Milonga para los Perros.

Mostra MIMO de Cinema - Curtas


A Mostra MIMO de Cinema chega ao seu penúltimo dia com muitas opções de curtas a serem conferidos logo mais às 18:00 hs na igreja seminário de Olinda.

Jazz by Giz, de Renato Cabral
Uma pincelada de Jazz em três minutos. A história de um dos quadros de um tatuador que toca com o giz de cera.
Doc | 3min | 2012 | Uberlândia/MG | Livre 
Tom Zé em A lavagem das calcinhas voadoras, de Huila Gomes e André Hime
Depois da chuva de calcinhas voadoras no Rio de Janeiro, Tom Zé volta para casa e faz a cerimônia de consagração!
Doc | 10min | 2011 | São Paulo/SP | 18 anos 

Kaosnavial, de Marcelo Pedroso e Antonio Oliveira

Fruto de experiência única vivida em um de seus shows apresentados na zona da mata de Pernambuco, quando o Maracatu Estrela de Ouro invadiu o palco na apresentação, Kaosnavial retrata o encontro do compositor Jorge Mautner com o grupo de maracatu original de Aliança.

Ainda maravilhado com aquela invasão no seu show, Jorge logo recebeu uma proposta juntamente com seu parceiro de longa data Nelson Jacobina (falecido recentemente) para montar uma turnê com o Estrela de Ouro intitulada Kaosnavial, fazendo referência à área de canavial onde habita o grupo  de maracatu. O projeto foi imediatamente aceito e transformado em uma trilogia, com álbum, turnê-espetáculo e agora o curta-metragem.

Com direção de Afonso e Pedroso, o curta leva Jorge Mautner à zona da mata e juntamente com o mestre Zé Duda, líder do “Estrela Dourada”, o músico se traveste com vestimentas características do maracatu e logo torna-se “Jorge Mata”, batizado assim pelo próprio Zé.

Doc | 22min | 2012 | Recife/PE | Livre 


Para matar a saudade, Orquestra Contemporânea de Olinda

foto: divulgação

Olinda está em ritmo de carnaval desde ontem, quando na cidade já rolou a primeira prévia na Pitombeira. E hoje a banda que é a cara da cidade, promete não deixar ninguém parado. Dois anos depois, a Orquestra Contemporânea de Olinda, volta à MIMO para show de seu segundo disco, Pra Ficar - disponível no site da banda em troca de apenas um tweet de divulgação - lançado mês passado. 

Recomendada pela crítica mundial por sua mistura de vários ritmos porém com uma identidade bem definida, a OCO contou nesse novo trabalho com a produção do músico americano Arto Lindsay, que tem trabalhos com renomados nomes da música nacional, entre elas Caetano Veloso e Marisa Monte, e vai dividir o palco com a banda esta noite.

As expectativas são as melhores possíveis e pra dar um gostinho do que espera todos às 22h na Praça do Carmo:

O eterno lóki faz concerto memorável

Ao entrar no palco do teatro Santa Isabel ontem, Arnaldo não precisou fazer muito esforço para agradar o público. As centenas de pessoas que conseguiram uma vaga no local sabiam muito bem quem estavam indo ver e demonstravam-se ávidos por qualquer canção dos Mutantes ou da própria carreira solo do compositor.

Sempre muito aplaudido entre uma música e outra, o ex-mutante fez um show intimista acompanhado de seu piado de cauda, variando bastante o repertório do que estava previsto, executando hits como “Heat the Road Jack”; as de sua autoria ”será que eu vou virar bolor”,“uma pessoa só” e algumas dos Mutantes  como “posso perder minha mulher, minha mãe, desde que eu tenha o meu rock n’ roll” e “desculpe baby”. Todas executadas e cantadas com Arnaldo sempre improvisando e dando nova roupagem.

As mais de 500 pessoas presentes no teatro demonstraram durante toda apresentação muita excitação em estar ali, de poder ver o Arnaldo Baptista. Diversas vezes ouviam-se gritos de “Corta jaca” ou então “toca Arnaldo Baptista”. Atitude que não agradou em nada o restante do público presente que preferia continuar imerso na áurea daquele concerto memorável e com pinceladas de melancolia que rodeava o teatro. Mas o músico sempre muito carismático saciou o desejo de alguns ao finalmente executar “Corta jaca” e quase fazer o teatro vir abaixo.

Não há muito o que se falar de um show como esse. É um daqueles espetáculos que você vai sem muita exigência ou receio de não gostar, pois trata-se de um artista muito bem fincado no status de um dos maiores gênios da música brasileira, com um legado invejável, que já cumpriu e muito bem o seu papel dentro do cenário nacional e universal, influenciando artistas como Sean Lennon e Kurt Cobain. A maioria dos que estavam lá certamente queriam ver um ídolo, um cara que arrancou do maestro Rogério Duprat a seguinte afirmação: “Arnaldo Baptista foi o músico mais importante que o rock brasileiro já teve”.

Show épico, pra ficar pra posteridade.  

Foto: Beto Figueiroa

Um concerto de alma latina

Foto: Beto Figueiroa/O Santo

Ao contrário dos programas de concertos sinfônicos, onde compositores latino-americanos são pouco frequentes (e quase nunca ocupam exclusivamente o espaço inteiro de uma apresentação), nos concertos violonísticos eles são uma constante. E não foi diferente com o Duo Assad, que inclusive priorizou autores  brasileiros na sessão de ontem à noite na Igreja da Sé.

Piazzolla, Leo Brouwer, Radamés Gnattali, Ernesto Nazareth, Egberto Gismonti, Garoto, o próprio Sergio Assad e, claro, Villa-Lobos marcaram presença na relação. Além deles, João Pernambuco, que serviu para enfatizar a ligação dos irmãos Assad com nosso Estado. Segundo lembrou Sergio, ambos conhecem o Recife desde os anos 1970, quando gravaram um disco com a Orquestra Armorial.

Odair fez uma participação solo na Sonata del Caminante, do cubano Leo Brouwer, com temas inspirados na Amazônia e no Nordeste. Antes e depois da interpretação, ele não deixou de comentar: "Não sei como consegui memorizar tantas notas".

O encerramento coube a Tahhiyya li ossoulina, de Sergio Assad, uma peça de influência árabe escrita em homenagem ao pai do violonistas e que foi agraciada com o Grammy de Melhor Composição Contemporânea em 2008.

Colonial brasileiro no Mosteiro de São Bento

Foto: Tiago Calazans/O Santo
Arnaldo Baptista, sem dúvida, foi um dos nomes mais badalados da programação da MIMO 2012. Colocar, portanto, um concerto de música colonial brasileira quase simultaneamente à sua apresentação, seria um tiro no pé, com risco de casa vazia.

Não seria preciso chamar os Caçadores de Mitos para se constatar o contrário: a superlotação do Mosteiro de São Bento disse tudo. E não estamos levando em consideração o início das prévias carnavalescas de Olinda, cujo agito pelas ruas em nada comprometeu a frequência de diversos jovens à apresentação do grupo Calíope na noite dessa sexta.

O repertório, formado por obras programadas pelo grupo em diversas temporadas passadas, teve basicamente três momentos: 1. o colonial brasileiro, com peças de José Maurício Nunes Garcia, Marcos Portugal e um anônimo mineiro; 2. o renascentista, com madrigais do italiano Claudio Monteverdi; e 3. o popular luso-brasileiro, com modinhas brasileiras e vilancicos de natal portugueses.

O bis escolhido foi justo um dos vilancicos, Pois sois mãe da flor do campo, mas poderia ter sido qualquer outra peça, tamanha a qualidade de execução, de cantores e de instrumentistas.

Neste sábado tem mais música clássica na MIMO

Se ontem foi o dia da música sacra e de câmara em Olinda, hoje será o das orquestras no Recife. E as apresentações MIMO 2012 neste sábado começam às onze da manhã. Confira a programação:

- A segunda apresentação da MIMO in Concert, agora com os alunos das oficinas de instrumentos da Etapa Educativa da MIMO, acontece no Teatro de Santa Isabel, às 11h. O esquema do concerto será o mesmo de todos os anos, com os alunos de cada naipe tocando de duas a quatro peças que foram ensaiadas ao longo da semana. Os naipes são: cordas dedilhadas, cordas friccionadas, madeiras, metais e percussão.

- Às 17h, também no Santa Isabel, será a vez da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa no concero de encerramento do Curso de Regência da MIMO (mais detalhes, no post abaixo).

- Por fim, às 18h, Basílica do Carmo, a música de câmara voltar a se destacar com o Quarteto Borromeo (vide outro post abaixo).

***

Atenção, quem estiver em Olinda: às 18h, haverá concerto da Banda Sinfônica do CEMO (Centro de Ensino Musical de Olinda), na Igreja de São João dos Militares, bairro do Amparo.

O bom humor de sempre para a plateia cativa


Com a presença de Edino Krieger, compositor residente da MIMO 2012, e Lu Araújo, Diretora Executiva da Mostra, o Duo Milewski trouxe seu habitual repertório para a Igreja da Misericórdia, na tarde dessa sexta. Começando com a Ungarisch do romântico norueguês Johan Halvorsen, Jerzy Milewski e Aleida Schweitzer apresentaram peças de Chopin, Gershwin e Debski, fora os choros de sempre: Tico tico no fubá e Brasileirinho.

Mas o programa do concerto teve também boas novidades: uma breve seleção do espanhol Manuel de Falla; Pretty Trix, de Joe Venuti, o pai do violino jazzístico; e, principalmente, três peças de Flausino Vale, maior compositor brasileiro para o instrumento. Do mineiro, foram tocadas Serenata onírica, Saudades da minha mãe e Ao pé da fogueira.

Jerzy aproveitou a oportunidade de ter Edino Krieger na plateia para brincar com ele: "Edino foi violinista mas compôs tão pouco para o instrumento", porém emendou: "Pior foi Chopin, que não compôs nada para violino". E depois de tocar uma transcrição de uma mazurca ainda retomou:

- Maestro, o que o senhor achou de Chopin.
- Não faria melhor - respondeu Krieger
- Tão vendo: ele ainda por cima é modesto. (risos)

Ao final, os agradecimentos ao público foram obrigatórios, segundo Jerzy, porque os ouvintes correram "um risco muito grande em sair de casa para assistir a um recital de violino solo, pois violino mal tocado é capaz de matar".

E para já despertar as saudades do Duo Milewski, deixamos aqui a melodia inesquecível de Country in E, de Krzesimir Debski, em um vídeo amador que encontramos do casal no YouTube.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

MIMO no Instagram

Para quem ainda não estava sabendo que a MIMO também está no Instagram, é só clicar aqui e nos seguir.

Eu estive na MIMO

Foto: Facebook
Fred Lyra, guitarrista e integrante do Duo Mojav, acompanha o Blog da MIMO desde a sua criação, em 2009. Nesta edição da Mostra, ele compareceu ao show de Cyro Baptista e ao workshop que o percussionista promoveu. A nosso convite, Fred preparou um resumo do que achou de ambas as ocasiões:

"No concerto de ontem (06/09) Cyro Baptista apresentou uma recriação muito livre de vários temas - presentes em composições de Villa-Lobos, compostos por ele ou extraídos do folclore brasileiro. Contando com uma banda de sete músicos, todos tocando ao menos dois instrumentos durante o concerto e com destaque para o violonista (que também tocou cavaquinho e samplers) Romero Lubambo, Cyro se utilizou de elementos do rock, jazz, da música balinesa, da música brasileira e de muita interação para que o som se concretizasse. Ao final ainda regeu os músicos criando uma improvisação coletiva contrapontistica muito interessante.

"No workshop de hoje, fugindo do usual, ele apresentou todos os músicos da banda: 3 brasileiros, 2 americanos, um israelense e um argentino e deixou que cada um falasse da sua história, seus trabalhos e tocasse um pouco os seus instrumentos. Foi muito interessante perceber como diferentes universos podem convergir e criar uma música muito orgânica tendo como célula fundamental os conceitos de Cyro Baptista, porém com liberdade total para cada um dos componentes colorir esses conceitos da sua forma pessoal. Foi um grande exemplo de generosidade e universalidade da música, creio que todos que estavam presentes saíram com boas ideias e oxigenados para suas próprias jornadas".

Clássicos e modernos na tarde deste sábado

Às 17h deste sábado, no Teatro de Santa Isabel, Centro do Recife, os alunos selecionados na sexta edição do Curso de Regência irão dirigir a Sinfônica de Barra Mansa no concerto de encerramento das aulas que tiveram com o maestro Isaac Karabtchevsky ao longo da semana.

O repertório terá quatro peças, cuja sequência coincide com a ordem cronológica em que foram escritas:

1. A abertura da ópera A flauta mágica, de Mozart (1791)
2. A Sinfonia n° 3 "Heroica", de Beethoven (1803)
3. A suíte do balé O pássaro de fogo, de Stravinski (1910 - estreia do balé completo)
4. Terra Brasilis, do compositor residente da MIMO 2012, Edino Krieger (1999)

Como as três primeiras peças são bastante conhecidas do público de música clássica, confira aqui o primeiro movimento de Terra Brasilis, que será ouvida pela primeira vez em Pernambuco:

Batidas eletrônicas no Seminário de Olinda

Divulgação

"Tambores retumbam em bits. O trompete sopra dimensões ímpares. Conexões musicais que solapam o mapa da mesmice travestida de hype." Hoje, a partir das 19h, o Seminário de Olinda vai receber o que provavelmente será uma das apresentações mais inusitadas de tudo que vem sendo apresentado até então na MIMO 2012. O Projeto CCOMA é um duo de Caxias do Sul (RS) formado por Roberto Scopel (trompete) e Swami Sagara (percussão), que transita pelo jazz e pela música eletrônica.

O estilo inovador da dupla já rendeu indicação ao Prêmio da Música Brasileira em 2010, na categoria "Melhor Álbum Eletrônico" pelo álbum Incoming Jazz, de 2010. A dupla traz para o Sítio Histórico de Olinda o show de estreia de seu mais recente álbum, Peregrino (2012), que, assim como o próprio nome, se apropria das linguagens rítmicas e melódicas de diversas partes do planeta. 

O disco é composto de 10 faixas, com várias participações especiais como a do nosso recifense Di Melo nos vocais da afrobeat "Xangô é Rei", Zeca Baleiro, Luciano Sallun e a do DJ e produtor Moises Matzenbacher, atualmente radicado em Londres. Para realizar suas aproximações musicais, gênero que vem sendo chamado future jazz, a dupla utiliza instrumentos como percussão, hang drum, trompete, "berimbaixo" (mix de berimbau e baixo), theremin e o "claricano", uma espécie de clarinete elaborado com canos de PVC, criação de Scopel.


CONCERTO | Projeto CCOMA
DATA | 07/09
HORÁRIO | 19h
LOCAL | Seminário de Olinda

Arnaldo Baptista fala com exclusividade para o Blog da MIMO

O Blog da MIMO conseguiu com exclusividade ontem a honra de poder entrevistar um dos maiores ídolos da música que revolucionou o rock n' roll nacional a partir do final dos anos 60: Arnaldo Dias Baptista, ex-líder da banda Os Mutantes e que apresenta seu concerto solo "Sarau o Benedito?" logo mais às 18:30 no Teatro Santa Isabel. O áudio da entrevista foi captado pelo microfone interno da câmera e por isso ficou difícil retirar os ruídos externos. Sejam compreensivos!

Arnaldo falou um pouco sobre seus projetos atuais do mesmo modo espontâneo e sincero com o qual costuma ser reconhecido.

Gostaria de agradecer em especial a sua assessora direta, Sônia Maia, bastante gentil e atenciosa, tornado-se peça fundamental para que a entrevista acontecesse, além também da Lucinha, esposa do Arnaldo.

Sem mais, assistam e confiram o depoimento de Arnaldo Baptista na tarde do dia 06/09 no hotel 7 colinas diretamente para o nosso blog.




Nos balés do sucesso

Com coragem e apoio de amigos como Fernando Catatau, Siba Veloso deixa de lado sua companheira por longos anos nos trabalhos com Mestre Ambrósio e a Fuloresta, e no seu disco solo lança mão da guitarra ao invés da rabeca. Com letras intensas e de uma literatura muito bonita e própria, é perceptível que o músico se dedicou à preparação desse recente trabalho com muita sinceridade. O resultado disso são shows lotados por onde tem passado desde o lançamento de Avante, e elogios da platéia e dos críticos.

Para documentar toda esta trajetória, Siba - Nos balés da tormenta, o documentário em longa-metragem exibido hoje às 19hs no Pátio da Igreja da Sé, mostra um pouco da história do cantor e do disco novo, desde a concepção até sua gravação finalizando com a primeira apresentação ao vivo do trabalho final.

Para conferir um pouco do que se trata, os diretores Caio Jobim e Pablo Francischelli prepararam uma versão curta do documentário:



"Siba - Nos Balés da Tormenta" from DobleChapa on Vimeo.

Lembrando que quem perder a exibição hoje, tem nova chance de assistir amanhã às 18hs no Mercado da Ribeira. 

***

Outro longa-metragem também faz parte da Mostra MIMO de Cinema de hoje e será exibido no Mercado da Ribeira às 20h30: 

O liberdade, de Cíntia Langie e Rafael Andreazza


foto: divulgação
A história do bar e restaurante Liberdade, reduto do choro no Sul do Brasil, onde o compositor e cavaquinista Avendano Junior se apresentou por mais de 30 anos. O filme tem participações de Vitor Ramil e Yamandu Costa.


Doc | 71min | 2011 | Pelotas / RS | Livre 
Direção: Cíntia Langie e Rafael Andreazza / Produção: Alexandre Mattos / Roteiro: Cíntia Langie e Rafael Andreazza / Fotografia: Alberto Alda / Montagem: Cíntia Langie / Trilha sonora: Avendano Jr.
Doc | 71min | 2011 | Pelotas / RS | Livre 

Feriado é dia de Arnaldo Baptista!


Gênio inegável da música brasileira, Arnaldo foi a espinha dorsal dos Mutantes permanecendo no conjunto até “O a e o Z” (apesar do álbum ter saído apenas em 1992, as gravações reais datam de 1973). Logo na sequência, encara um período difícil na sua carreira e vida pessoal, mergulhando em um mundo profundo, obscuro e só dele - lugar onde quase ninguém era capaz de chegar -. Eis que em 74’ um “boom” na vida do músico ecoava, ao lançar uma das maiores obras-primas do legado musical, o Lóki, disco que consagrou o músico após a saída dos Mutantes, arrancando muitos elogios da crítica, principalmente pela maneira verdadeiramente nua e despida de qualquer vaidade que esse álbum foi feito. Tornando-se um retrato visceral de tudo aquilo que havia vivenciado até o momento.

Quatro décadas depois, o eterno mutante volta aos palcos em seu concerto intimista “Sarau, o Benedito?”.  A apresentação promete arrebatar os corações dos fãs recifenses que esperaram 5 anos desde a última estadia do músico na cidade, em 2007 no festival Abril pro Rock, ainda ao lado dos Mutantes.

Para essa turnê, Arnaldo realizou um desejo próprio de somar o trabalho musical ao de artista plástico que há muitos anos faz parte do seu cotidiano. Serão projetados em telões alguns dos quadros que o compositor pintou ao longo de sua vida, oportunidade para o público conhecer também uma outra vertente artística que pulsa dentro deste talentoso músico. No repertório estão alguns clássicos dos Mutantes como “Balada do louco”; várias do lóki, a exemplo de “cê tá pensando que eu sou lóki” e “Não estou nem aí”; alguns covers como Beatles, The Mamas and the Papas, Elton John e também inéditas que estão para ser lançadas em disco novo como “I don’t care”. Tudo isso acompanhado apenas de um piano de cauda, instrumento que se dedica além do contrabaixo (Gibson, é claro!)

Hoje o dia é dele, o feriado no Recife chegou para receber seu mais ilustre visitante: Arnaldo Dias Baptista, nosso eterno mutante. 

CONCERTO | Arnaldo Dias Baptista em Sarau o Benedito?
DATA | 07/09
HORÁRIO | 18:30 hs
LOCAL | Teatro Santa Isabel

Mostra MIMO de Cinema - Curtas do dia

A Mostra MIMO de Cinema segue hoje no seu terceiro dia. Quem chegar no Seminário de Olinda, irá assistir a partir das 18hs os seguintes curtas metragem:

Celeste, de Rodrigo Grota 

"Uma confissão e uma canção."
Fic | 3min | 2012 | Londrina/PR | Livre
Direção: Rodrigo Grota / Produção: Kinoarte - Filmes do Leste / Roteiro: Rodrigo Grota / Fotografia: Guilherme Gerais / Trilha sonora: Gisele Almeida
Fic | 3min | 2012 | Londrina/PR | Livre
Zero, de Sacha Bali
"Um taxista se olha no espelho e não se reconhece, pois abandonou sua essência em algum lugar do passado. Sem falas, com trilha original à base de rabeca e piano, “Zero” é uma dança no tempo."
Fic | 14min | 2012 | Rio de Janeiro/RJ | 12 anos
Di Melo - O Imorrível, de Alan Oliveira e Rubens Pássaro
"A trajetória de Di Melo, cultuado músico da soul music brasileira. Tendo gravado um único disco em 1975 e sumido, Di Melo reaparece depois de mais de 30 anos para se declarar “Imorrível”."
Doc | 24min | 2011 | Recife/PE | 16 anos
Com vista para o céu, de Allan Ribeiro
"Homem e mulher tentam contato em uma grande metrópole, diante de tamanha incomunicabilidade, onde o som urbano invade os espaços."
Fic | 10min | 2011 | Rio de Janeiro/RJ | Livre
Direção: Allan Ribeiro / Produção: Ana Alice de Morais / Roteiro: Allan Ribeiro e Douglas Soares / Fotografia: Daniel Bustamante / Montagem:Allan Ribeiro / Trilha sonora: Adoniran Barbosa 
Fic | 10min | 2011 | Rio de Janeiro/RJ | Livre

Bom, este último me chamou atenção em particular pela foto apresentada como divulgação:

Fiquei encasquetada que na foto era a Adriana Calcanhoto, e pra mim ela era só cantora e não atriz. Procurei então um contato com o diretor Allan Ribeiro, que foi super gentil em ceder algumas informações para o Blog da MIMO

Inspirado em um fato real, ele contou que o amigo e professor de Cinema da UFF, Maurício de Bragança, cantou uma certa vez uma música do Adoniran Barbosa - que também é a trilha do filme - com uma vizinha que jamais chegou a conhecer. Junto a isso, usou de inspiração os sons que invadiam seu próprio apartamento, usado como locação, para criar a história. Quando perguntei como foi essa experiência de dirigir a cantora, ele disse que "a Adriana Calcanhotto é apaixonada por cinema e curtiu muito esta primeira experiência como atriz. Ela está muito diferente no filme e algumas pessoas só se dão conta que é ela nos créditos finais." E essa parceria deles deu tão certo que rendeu dois videoclipes para o DVD Partimpim, trabalho da cantora voltado para crianças e que já vai em seu segundo volume. Os vídeos você pode conferir aqui e aqui.


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Lembrando que para a Mostra de Cinema não é necessário pegar senha e os curtas de hoje serão reexibidos amanhã no Mercado da Ribeira no mesmo horário, 18hs.


Eu estive na MIMO

foto: cedida pela entrevistada

No nosso espaço reservado para depoimentos de frequentadores da MIMO, hoje trago o depoimento de Viviane Pinto, que infelizmente não conseguiu vir para a edição desde ano mas, como sempre morou em Olinda, fala da importância do festival.

Qual a importância da MIMO na sua opinião para Olinda?
Acredito que a MIMO é um evento que representa perfeitamente a alma de Olinda. A cidade alta é bela no cartão postal mas também é habitada por pessoas, é uma cidade vibrante e com uma vocação cultural muito grande. 
E, tendo familiares que vivem na cidade alta, posso dizer com segurança que a MIMO é um evento com aprovação unânime entre os moradores de lá! Agrada a todos. Fora que é uma ótima oportunidade para pessoas de outras cidades e estados conhecerem as belezas de Olinda. Por incrível que pareça, tem gente que mora em Recife e nunca vai a Olinda, a não ser durante a MIMO.

Qual o show que mais te marcou na história da MIMO e esse ano o que você acha que será mais marcante?
Um dos melhores shows que já assisti na minha vida foi o de Tom Zé, em 2010, na praça do Carmo. Eu já era apaixonada pela música e genialidade de Tom Zé, e já tinha visto vários shows dele na televisão e na internet mas ao vivo foi absolutamente emocionante! Ele é um showman! Carismático e divertido, conseguiu fazer todo mundo dançar e cantar. Jovens e velhos, universitários e vendedores de espetinho, quando eu olhava pros lados via todo mundo curtindo aquele momento. Sabe aqueles shows que no final tem muito mais gente na platéia do que no começo? Foi isso! Quem tava lá longe via como tava divertido e vinha correndo pra pertinho do palco.
Infelizmente, este ano não poderei ir pra MIMO porque estou morando em outro estado, mas se estivesse em Pernambuco certamente já estaria na fila pro show de Arnaldo Baptista! Acho que vai ser mágico vê-lo tocando piano no palco do Teatro de Santa Isabel (que já é um lugar mágico por si só).

Quarteto hi-tech, hoje e amanhã na MIMO

Se você nunca tinha visto um conjunto musical substituir partituras impressas por digitalizadas, não perca os concertos do Quarteto Borromeo hoje e amanhã na MIMO.

O uso de laptops e projeções em tela deve-se à opção dos músicos do grupo por acompanhar a partitura integral (a grade) da obra em lugar da parte isolada para cada instrumento, permitindo-se uma visão de conjunto maior durante a execução.

Os recitais com o conjunto norte-americano acontecerão nesta sexta em João Pessoa - na Basilica de N. S. das Neves, às 20h - e no sábado, no Recife - na Basílica do Carmo às 18h30.

Confira uma entrevista do Quarteto Borromeo ao Estado de São Paulo, onde eles falam sobre a proposta de integração tecnológica que desenvolveram.

Sexta é dia de música clássica

Com o concerto dos professores da Etapa Educativa da MIMO 2012, ontem, foi aberta a programação de música clássica da mostra, que continua em dose tripla nesta sexta, no Sítio Histórico de Olinda, e pode ser acompanhada pelo público em sequência, sem a menor pressa entre uma apresentação e outra:

- Desta vez na Igreja da Misericórdia (não na do Convento de São Francisco, como nos anos anteriores), em Olinda, o Duo Milewski traz seu repertório de peças para violino e piano que mesclam música popular brasileira, folk norte-americano e europeu e compositores de música clássica polonesa. O início é às 16h.

- Já no Mosteiro de São Bento, às 18h, o repertório será de música antiga, com o grupo vocal-instrumental Calíope, que apresenta uma ampla e versátil formação. Confira um pouco da atuação do Calíope no vídeo a seguir.



- Por fim, a atração principal da noite ficará por conta do mais importante duo violonístico da atualidade, o Duo Assad, que atua desde os anos 1970 e gravou, naquela época, um disco junto com a Orquestra Armorial. A apresentação na Igreja da Sé, às 20h30, promete trazer composições da própria dupla e de compositores contemporâneos, além de transcrições duo de violões.

Quem não PUDER sair de casa (pois QUERER nós sabemos que vocês querem), é só acompanhar os concertos por este link.

Orquestra Experimental e James Strauss: um bom começo

foto: Beto Figueiroa

No primeiro concerto deste ano na tímida porém belíssima Igreja da Misericórdia, a platéia já ocupava quase todos os lugares quando a Orquestra Experimental de Câmara começou sua apresentação às 16hs. Regidos pelo maestro Israel de França, os doze músicos com as suas cordas faziam o fundo para o solista James Strauss mostrar toda sua habilidade na flauta transversa que, demonstrando muita tranquilidade, ao final de cada música arrancava aplausos da platéia.  Após a participação de Strauss, que contou com um bis duplo, a apresentação seguiu e até mesmo o maestro executou duas músicas ao violino, solando ao lado de uma das moças do grupo. Voltando à posição original, Israel de França anunciou a execução dos 4 movimentos da sinfonia nº40 de Mozart para encerrar a apresentação de um pouco mais de uma hora de duração. 

Um show de muitas possibilidades


Foto: Tiago Calazans
No repertório funk, soul, samba, jazz e bossa. Desde o início até o fim, a banda carioca cheia de groove, mostrou saber bem passear pelos mais variados estilos, sem soar clichê ou obsoleto. Quando você estava convencido que a batida era um funk, eles vinham e mudavam a direção da canção para outra levada também cheia de swing,

Executando temas que vão desde trilha sonora de filmes, exemplo de “pantera”, - música inspirada nos filmes policiais - à novelas e séries TV, a pegada era sempre forte com os metais e percussão como carros-chefes da apresentação.

Com a participação do consagrado compositor e arranjador da bossa nova, Marcos Valle, a performance só fez crescer, somando o talento de duas gerações distintas, porém uma não menos talentosa que a outra. Marcos introduz logo de cara duas de algumas de suas composições bem-sucedidas que foram temas de novelas: “Azymuth” (nome que veio a ser adotada pela banda carioca) e “Selva de pedra”, já famosa do grande público.

Apesar disso, o público presente parecia em parte alheio à apresentação que via e pouco vibrava com o ritmo cheio de afrobeats com forte influência percussiva. Da metade pro final do show os músicos ousaram convidar a igreja a cantar junto o tema "Hey Salomão", porém sem sucesso. O clima morno permaneceu inerte até o final, quando ao voltarem para o BIS, a maioria desinteressada já tinha dispersado, ficando apenas parte dos que já tinham deixado a timidez de lado e se rendido à pegada latina.

Villa, sob múltiplos estilos

A banda do percussionista Cyro Baptista tinha uma instrumentação convencional até certo ponto: bateria, guitarra, contrabaixo e violão. Mas o bandoneom e, claro, a ampla percussão proporcionavam o incremento das possibilidades sonoras do grupo, que foram bem exploradas no concerto da Igreja da Sé na noite passada.

Mesclando peças do espetáculo Vira Loucos, do folclore brasileiro e do próprio Cyro Baptista, o repertório alternava leituras mais experimentais - em que eram explorados timbres ainda exóticos à maioria do público, como o da harpa de boca e o de um metalofone balinês, tocado a oito mãos - com arranjos que soavam mais familiares, nem por isso menos engenhosos.

Um exemplo foi o da Cantiga da Bachianas n° 4, que começou mais fiel à versão orquestral da peça, reproduzindo entre bandoneon e contrabaixo o belo contraponto do original, para depois se transformar em um forró, ao estilo de Geraldo Azevedo e Elba Ramalho, e finalizar com uma levada mais hard rock, tendo sido uma das músicas mais aplaudidas.

Falando com um perceptível resquício de sotaque norte-americano, Cyro afirmou que, apesar de ter sido seu primeiro show no Estado, a música pernambucana era muito importante em seu trabalho e deu mostra disso ao longo das peças seguintes, onde - de forma mais explícita ou não - estavam lá as células rítmicas do baião, mas também as do samba, da bossa nova e do jazz.

Duas primeiras vezes

O concerto da MIMO in Concert desta noite que passou teve dois marcos: foi a primeira apresentação da MIMO na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, em Olinda, e o primeiro exclusivamente protagonizado pelos professores da Etapa Educativa da MIMO, que antes participavam apenas quando integravam outros grupos musicais.

O repertório constou basicamente de transcrições e peças originais dos períodos barroco e romântico e de Pixinguinha, mas em formações pouco comuns - mesmo para a música de câmara de compositores standard, a exemplo do Trio para piano, violino e trompa op. 40 de Brahms.

Apresentaram-se a violinista Ana de Oliveira, a pianista Aleida Schweitzer, o fagotista Elione Medeiros (natural de Pernambuco e residente no estado do Rio), o trompista Antonio Augusto, o trombonista João Luiz Areias, o violonista Caio Cezar (também pernambucano radicado no Rio) e o bandolinista Marco César, conhecido professor do Conservatório Pernambucano de Música.

No geral, o público testemunhou uma apresentação calma, compenetrada, mas nem por isso deixou de prestar a devida calorosidade ao final das peças, reconhecendo a destreza de cada interpretação.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Como foi a palestra de Edino Krieger

O compositor residente da MIMO 2012, Edino Krieger, fez uma palestra de duas horas de duração, ontem, no Conservatório Pernambucano de Música, pela Etapa Educativa da Mostra. É a segunda vez que o músico catarinense, que já presidiu a Academia Brasileira de Música e o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, marca presença na MIMO, sendo a primeira em 2008.

O músico contou diversos episódios de sua vida pessoal e musical que estão no livro Edino Krieger - Crítico, produtor musical e compositor, organizado por Ermelinda Paz. Entre eles, o de quando ganhou seu primeiro violino e o botou para lavar no tanque e secar ao sol - para remover o pó de breu que o encobria -, tendo inutilizado o instrumento por conta dessa inocência.

Confira matéria completa sobre a palestra no site da revista Continente.

Yuka no caminho das pedras e das setas

Divulgação

Baterista e líder da banda carioca O Rappa, Marcelo Yuka estava no auge da carreira quando, em novembro de 2000, tomou nove tiros em uma tentativa de assalto na Tijuca, Rio de Janeiro. Ao contrário de outros exemplos, quando acidentes quase sempre representavam fortalecimento e união entre os grupos musicais, Yuka saiu da banda motivado por uma briga por dinheiro entre seus integrantes. 

Bastante ligado às causas sociais - pensamento que se refletia em suas excelentes composições -, o ex-baterista, hoje paraplégico, chegou a acreditar que estivesse acabado para a música. Onze anos depois, o músico, que se apresentou no Rock in Rio 2011 com as cantoras Cibelle, Karina Buhr e Amora Pêra como convidadas especiais, prepara seu primeiro disco em estúdio. Esse processo de redescoberta musical e o esforço para voltar a andar foi registrado no filme Marcelo Yuka no Caminho das Setas, segundo longa-metragem que será exibido no Festival MIMO de Cinema, hoje, às 19h, na Igreja da Sé. 

Com direção e produção de Daniela Broitman, o documentário retrata os anos de recuperação do músico, começando pelo início do tratamento nos Estados Unidos, e sua luta por maior realização de pesquisas em células-tronco. A partir daí, envereda por sua história pessoal e artística para expor o homem, o músico, e o ativista Marcelo Yuka, hoje uma das principais vozes por justiça no País. Além disso, a diretora entrevistou os integrantes do Rappa para tentar compreender o que motivou sua saída da banda.

Doc | 95min | 2011 | Rio de Janeiro/RJ | 12 anos

LONGA | Marcelo Yuka no Caminho das Setas
DATA | 06/09
LOCAL | Igreja da Sé
INÍCIO | 19:00




Mostra MIMO de Cinema - Curtas do dia

A banda Babi Jaques e os Sicilianos - que está gravando seu primeiro CD, com patrocínio da Prefeitura do Recife - estreia hoje no Festival MIMO de Cinema o curta Sabe lá o que é isso?, dirigido por Wilson Freire.

A pretexto de criar uma releitura do hino do bloco Batutas de São José, ao lado do Maestro Spok, o filme retoma as discussões sobre as influências que o frevo sofreu ao longo de seus 105 anos de existência, incluindo as mudanças urbanísticas no bairro de São José durante o regime militar, que prejudicou as atividades dos blocos carnavalescos.

Entre as locações do filme, estão o Recife Antigo e a rua Manoel Apolinário, no Alto José do Pinho (onde está o sofá verde com os integrantes da banda). Confira o trailer abaixo:

Doc | 20min | 2012 | Recife/PE | Livre


Sabe La O Que É Isso? TRAILLER from Thiago Lira on Vimeo.

Para marcar a estreia do curta, Babi Jaques e os Sicilianos farão um show às 22h na After Mimo. Aproveite e confirme presença no evento.

***

Os outros dois curtas exibidos hoje às 18h no Seminário de Olinda (e reprisados amanhã, no mesmo horário, no Mercado da Ribeira) são:

O Guitarrista no Telhado, de Guto Bozzetti

"Em 1969, os Beatles fizeram o último concerto ao vivo no terraço da gravadora Apple, em Londres. Mais de 40 anos depois, em Porto Alegre, o músico Cláudio André também quer ser famoso e, aconselhado pela vizinha Débi, monta um show no telhado do prédio onde mora."

Anim | 11min | 2011 | Porto Alegre/RS| Livre

Meia Boca Band, de Ruyter Curvello Duarte

"O filme conta como é a vida de um músico de rua que toca saxofone pelas avenidas da capital federal."

Doc | 13min | 2011 | Brasília/DF | Livre

De volta ao Recife, após 12 anos

Strauss tocando Mozart em Tóquio. Foto: Facebook
Hoje às 16h, na Igreja da Misericórdia, em Olinda, a Orquestra Experimental de Câmara faz seu segundo concerto na história da MIMO, com regência de Israel França. O primeiro havia sido em 2007, na igreja do Convento de São Francisco, sob direção do carioca Guilherme Bernstein Seixas.

Desta vez, a orquestra traz como convidado um solista pernambucano que há doze anos não atuava no Estado, o flautista James Strauss, que interpretará um dos concertos para flauta do italiano Saverio Mercadante (1795-1870). Em conversa por telefone com o Blog da MIMO, James - natural de Abreu e Lima - conta que ficou feliz pelo convite, mesmo que tenha sido surpreendido por ele há pouco mais de uma semana.

Após atuar este ano no México (ao lado do maestro recifense Lanfranco Marcelletti), na Galícia, na Andaluzia e na Lituânia, o flautista lamenta que faça poucos concertos no Brasil, mas que está se empenhando nesse sentido, e comemora o álbum que será lançado em outubro pela Orquestra Nacional da Lituânia.

No repertório constarão a suíte Saudades do Brasil, do francês Darius Milhaud, o Concerto para flauta do francês Florent Schmitt (cujos manuscritos das partes orquestrais foram encontrados por James no arquivo da editora Max Eschig) e a Bachianas Brasileiras n° 2 de Villa-Lobos.

Hoje é dia de Vira Loucos

Radicado nos Estados Unidos desde os anos 1980, o percussionista paulistano Cyro Baptista comanda a apresentação principal da segunda noite da MIMO 2012 no Recife - às 20h30, na Igreja da Sé - com um repertório formado por releituras de peças de Villa-Lobos.

O espetáculo Vira Loucos nasceu de uma parceria com o maestro Michael Tilson-Thomas e a Orquestra Sinfônica do Novo Mundo. O próprio Cyro conta, em seu site oficial, como surgiu a ideia:

"Quando encontrei Michael, ele estava sentado como que mergulhado numa piscina de folhas musicais e estava enrolado com uma complicada transcrição de violas para violinos [...] Minha imediata reação foi tocar o berimbau e cantar as melodias simples em que Villa-Lobos baseou suas composições. Daí tive a ideia de desenvolver um trabalho sobre as fontes que ele usou em sua música, explorando os vários elementos percussivos predominantes nela".

No vídeo abaixo, vocês conferem Cyro - que já atuou como percussionista convidado em mais de cem CDs, incluindo Obrigado, Brasil, de Yo-Yo Ma - tocando a cantiga da Bachianas Brasileiras n° 4.

Samba, bossa e baião

Foto: Tom Cabral

Como não poderia deixar de ser, o concerto que deu abertura às atividades da MIMO iniciou de maneira grandiosa, com direito a igreja completamente cheia e ansiosa para ver o primeiro show do festival.

Por sua vez, o trio tinha a missão de impressionar a plateia ávida por um grande espetáculo. Sylvain Luc ficou a cargo de dar os primeiros acordes no seu violão, logo seguido pelo contrabaixo de Richard Bona. O show começou bem intimista e com notas suaves, e foi crescendo ao longo do espetáculo, em especial, acompanhado pelo pandeiro de Marcos Suzano, que muitas vezes fazia a marcação e dava ritmo brasileiro às composições da  dupla francesa.

Logo na sequência, Richard finalmente solta a voz mansa e doce - sua principal característica - e parece agradar mais o público, que o observa com muita satisfação. Sempre sorridente e muito bem-humorado, Bona agradecia ao final de cada música e mostrava um pouco do vocabulário português que aprendeu por aqui.

O ponto alto do show ficou para a apresentação solo de Richard que cantou à capela uma belíssima e envolvente canção de sua terra nativa (Camarões) utilizando o dialeto local. A plateia estava extasiada com aquele momento e parecia nem piscar os olhos. Um silêncio quase absoluto pairava sobre a igreja que estava empenhada a ouvir o quase sussurrar do músico camaronês. Eis que num dado momento, ele se levanta e continua a cantar em pé e a partir daí começa a intervenção tecnológica na sua apresentação. Ao utilizar o looping para gravar a própria voz, ele faz do aparelho um artifício para arrancar risadas da plateia, já que muitas vezes parava de cantar e deixava o recurso tecnológico a cargo de reproduzir sua própria voz. A essa altura, o talentosíssimo artista já tinha caído nas graças do público presente.

Já chegando ao final do espetáculo, com os 3 músicos a postos novamente, chega a hora de homenagear algumas das mais populares canções brasileiras. No repertório estava “ A felicidade” de autoria de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, que como previsto, toda igreja cantava, ainda que de maneira tímida. “Assum Preto” e “Asa Branca” de Luiz Gonzaga foram as surpresas da noite para delírio da igreja lotada. Cheio de improvisos, muitas vezes Bona parecia se perder ao longo da execução, mas rapidamente olhava para o brasileiro Marcos Suzano e logo se reencontrava. Findada a apresentação, o público já tava em estado de efervescência e clamaram pelo bis, prontamente atendido pelo trio que terminou em grande estilo, ao executar “Cravo e Canela” de Milton Nascimento.

O samba, a prontidão e outras bossas


Mesmo agregando influências gringas que vão do funk africano ao rock psicodélico nascido na Inglaterra e nos Estados Unidos, o som da banda carioca Paraphernalia é coisa muito nossa. Basta notar os acordes de samba, a pegada latina, a impossibilidade de ficar parado enquanto se ouve o instrumental virtuoso. Mas quem ainda enxergava mais blaxploitation e a trilha perfeita para um filme de Tarantino nas músicas da banda (o cinema também está bem presente nas composições, não à toa eles começaram a carreira se apresentando no Cine Buraco, que reunia cinéfilos e amantes da música, no bairro das Laranjeiras, Rio de Janeiro), certamente vai dar o braço a torcer após a apresentação de hoje na MIMO. Contando com a participação especial de Marcos Valle, um dos maiores nomes da nossa segunda geração da bossa nova, o som da Paraphernalia nunca esteve tão tupiniquim. Groove pintado de verde e amarelo, saudando essa véspera de feriado da Independência. Salve pátria! Com Champagne:


CONCERTO | Paraphernalia | Participação especial de Marcos Valle
DATA | 06/09
LOCAL | Seminário de Olinda
INÍCIO | 19:00